Recentemente
tive a oportunidade de ter uma ótima e amistosa conversa com uma pessoa
incrível, Loretta di Fiori. Descomunal (e só poderia ser assim), houve
filosofia, pensamentos retrógrados (que são sua marca) e tons de melancolia,
mas não eram 50. Não confundam.
Talvez a
própria Loretta não esperasse o tanto de perguntas que lhe fiz a fim de
conhecer um pouco esse mundo encantador onde vive. A minha sede de ouvi-la, tal
qual a de lê-la, era tanta, que eu nem mesmo falava. Apenas dizia uma palavra e
deixava-a definir, resenhar, exemplificar e explanar. Uma dádiva.
Percebi naquele
instante que o mundo de Loretta é um mundo mágico e inexistente. E isso a faz ser
quem é: encantadora, misteriosa e frágil. Chego a essa conclusão porque não
pode ser deste mundo, deste nosso mundo, desde mundo de vocês uma pessoa que se
inspira facilmente com cansaço. Ou quando não dorme. Sinceramente, antes eu não
imaginava alguém que escrevesse belas poesias ao som da chuva. Agora torço para
que chova.
Em determinado
momento, falamos sobre sua melancolia e qual foi a minha surpresa? É algo que a
inspira mais do que um momento feliz. Em suas palavras, “pouco escrevi quando
estive realmente alegre”. Inspirações são particulares, melancolias são
particulares. Mas como classificar alguém que se inspira e faz belíssimas obras
a partir de uma tristeza? Ser testemunha de um momento triste, para ela, é tão
inspirador quanto ler Caio, Vinicius, Carlos, Quintana.
Loretta
valoriza no relacionamento o cuidado, os valores. Acredita no ser humano como
um ser relacional e por isso o exalta. A capacidade de relacionamento do ser,
para ela, é algo fascinante. Uma escritora, uma pensadora, talvez filósofa,
apostando no relacionamento e o citando-o com as palavras “lindo e necessário”
é realmente maravilhoso. Acrescente, agora, nestas palavras, melancolia. E
pronto, temos Sempre-em-mente, Discretamente, Outra história, e outros tantos
achados maravilhosos deste ser relacional que é a própria Loretta.
Como toda magia
tem um fim, toda conversa, por mais maravilhosa que seja, também tem. E não
menos mágico do que todo o restante da conversa, nos despedimos falando sobre
nossas filosofias de vida. Loretta mostrou toda sua grandeza ao me dizer que
acredita que a essência do homem é feita de amor e de dor. Segundo ela, é o que
nos dá vazão. É o que nos intriga, nos aflige, mas nos conforta.
Realmente,
depois de tanto ler Loretta e dessa conversa maravilhosa, chego a uma séria e
complicada conclusão: ela nasceu, claramente, na época errada. Não obstante, a
sociedade, o mundo de hoje precisa de Loretta. É necessário que ela esteja
aqui, entre nós, nos presenteando com maravilhas e melancolias. É necessário
que haja Loretta para equilibrar o racional e intenso emocional.
Necessário é
que todas as pessoas possam conhecer e contemplar sua arte. Só assim poderão
ser pessoas melhores. Não pode haver nada melhor e mais proveitoso para o
equilíbrio social do que uma bela leitura, uma boa reflexão e um pouco de
melancolia para o crescimento e amadurecimento das pessoas (assim como
aconteceu comigo, confesso). É preciso mesmo, que todos tenham uma conversa com
Loretta.
Lorenzo
di Bianco