domingo, 2 de junho de 2013

O Mar e Eu

Ela caminha.
Deixa seus pés tocarem as areias úmidas.
Lentamente segue o caminho infinito,
Deixando suas pegadas no chão móvel.

Olha o horizonte.
Enxerga além do que seus olhos
Conseguem ver:
Contempla sua dor.

Se senta frente a frente com o mar.
Repousa ali suas lágrimas.
Deixa elas escorrerem e serem levadas pela brisa
E se seguirem com as ondas.

Escreve seus versos,
Deixa a areia conhecê-la.
Afinal, poucos a conhecem.
Mas o mar vem e leva seus escritos.

Preocupado que alguém os veja,
Que alguém a conheça,
Ele não dá trégua
E, com uma única onda, cessa seu pranto.

Ela pára.
Ela chora.
Ela se levanta.

Caminha em direção às ondas,
Onde elas se quebram,
Onde se rendem à grandeza do mar.
Ela vai.

Sem pensar,
Sozinha ela deixa seus pés molharem.
Um terço...
O arrepio das águas geladas lhe sobe pelo corpo.

Dois terços...
Sua calça dobrada se molha
Das lágrimas e das águas salgadas.
Seus olhos se levantam para o fim.

O fim que ela não vê.
O fim tão infinito.
Seu coração acelera,
Suas mãos esfriam.

Ela.
Pronome que dei à mim.
É mais fácil não pronunciar meu nome.
É mais fácil me enxergar assim, do lado da frente do espelho.
Atrás dele fica mais difícil.
Fica mais sombrio.
As ondas fazem barulho.
As águas borbulham.
Elas se chatearam com meu pranto,
Com meus versos que correram por suas ondas.
Quem sabe chegará do outro lado.
Chegará no fim do meu infinito.
Quem sabe elas levarão esses tristes versos
Para atrás do sol.
Para atrás da sombra.
Para atrás da tempestade.
Para atrás do mar.
Pois aqui, estou eu.
Só eu e o Mar.

Loretta.