sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Seguindo no Trem Azul

Seguindo no Trem Azul




O Mar e a Lua





Todas as noites a Lua saia para iluminar a Terra.
Por anos permanecera assim.
O Sol cedia seu espetáculo quando adormecia.
Assim, seguia incansavelmente.

Solitária,
Embora rodeada de estrelas.
Cintilante, 
Embora não sentisse todo esse brilho.
Insistia a cada noite,
Mesmo já pensando em desistir
Desta Terra.

Algumas noites se escondia,
Para ver o que acontecia.
O mundo permanecia girando...
Porém, sem brilho, sem charme!

Lá em cima,
Passavam noites, 
Ela guiava estações,
Controlava as marés.

Até que começou a observar o Mar.
Grande, Belo!
Mas percebeu, nesta noite,
Que ele jamais lhe negava o brilho.
Mas, a cada luar,
O refletia em sua pele.
Em silêncio ele também permanecia.
Não via a hora da noite chegar
Para sentir o perfume do luar em sua pele ficar.

Embora com tanto esplendor,
Também era solitário.
Alguns o temiam.
Outros o admiravam apenas de longe.
Outros se encantavam com sua grandiosidade
E magnitude.
Mas, se dissipavam como neblina.

Então, ela lá de cima contemplava-o.
Parecia girar,
E mesmo assim,
Ele continuava lhe cedendo o brilho.

Mas o toque lhe parecera aquecer sua pele fria,
Úmida e macia.
Fora diferente.
Esboçou um sorriso
E pela Lua veio a se apaixonar.

Luz que banha cada noite,
Onda que leva o passado
E traz o presente
Beijando a praia.

Assim, a Lenda se iniciara.
O dia que o Mar sentiu em sua pele
O brilho da Lua apaixonada lá de cima.
E todas as noites faziam juntos um lindo espetáculo.

Noite de Lua cheia...
Ela muda o mundo como as ondas do Mar.
Noite sem Luar...
Ela está deixando o Mar
Brilhar sozinho!

Loretta di Fiori,

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Lua Branca

Parada por um brilho emudecendo meus olhos,
Encontrei-me inerte, imóvel, quase que inconsciente
Diante daquele brilho!

Um sorriso escondido querendo brotar...
Foi neste momento que a incerteza
Trouxe inspiração.

Aquele dia que parecera noite,
Aquela tristeza que partira desafinada
Desolada, inconsolada.
Aquele riso que surgira do nada,
Aqueles olhos que seguiram o eco brilhante
Daquele beijo com a lua.

Respirei fundo,
Quase um suspiro.
Esqueci-me do que devia lembrar...
Contemplei o que deveras estava nu
Diante dos enegrecidos olhos de outrora.

Sabores, perfumes e amores.
Sentidos...
Esquecidos!

A lua brilha lá em cima,
Parece tão feliz mesmo solitária,
Mesmo que seu espetáculo
Passe despercebido
Pelos demais olhares.
Olhares perdidos,
Cegos e mudos.
Surdos e escuros.

Mais um movimento...
Allegro.
Dançando na chuva!
Girando com o mundo.
Sentindo na pele cada gota,
Esquecendo de onde está.

Abro os olhos da mente inconsciente,
Desperto a razão.
Quanta mudança!
Passaram o quê, alguns segundos em alguns anos?

Suavemente ergo os olhos,
Lá está ela!
Radiante!
Espetacular.

Exatamente como deve ser
O que devia ser
Quando não havia nada para ser.

Lua Branca!
Aqui para mim,
Aí para você.


Loretta di Fiori.