domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sempre-em-Mente

Não era isso o que acontecia.
Afinal, meus olhos não haviam se fitado
Na imagem mais perfeita ainda.

Não era isso o que eu sentia.
Pois ainda não estavas ao meu lado,
Dando ao meu coração um motivo a mais para pulsar.

Eu vi você.
Senti seu toque,
Contemplei, apaixonada,
Seu sorriso.
De olhos fechados,
Senti a profundidade de seu abraço.

Desse momento em diante,
Dei-te um novo nome:
Sempre-em-Mente.
Sim, era a forma de lembrar-me de você.

Mas o tempo não quis.
Como uma fotografia
Que fica na caixa das lembranças,
Sofrendo suja e sozinha,
Sua imagem foi-se.
Não era mais meu Sempre-em-Mente.
A fotografia estava clara, com o passar de tantos anos.

Hoje, abri a caixa das lembranças,
Deixei as lágrimas caírem...
Seu olhar permanecera no fundo de meus olhos,
Não havia ido embora!
Estava ali, escondido depois de todos esses anos.
Em silêncio, resolveu mostrar seu sorriso.
Chorei ainda mais.

Mas não esqueci.
Você foi e ainda é meu Sempre-em-Mente.
Não posso mudar isso.
Meu coração já havia se acostumado.
Meus olhos já não te viam,
Nem mais te sentia.
Mas continuavas sendo meu.
Continuas sendo meu.
E serás até que a eternidade passe.

Dessa forma, o terei SEMPRE em minha mente!


Loretta di Fiori.

Presente não. Ratificação

Comumente, quando conheço alguém, penso: “Puxa, o que essa pessoa tem de bom para me oferecer?”. E também penso no que eu tenho de bom para oferecê-la. Aliás, antes de continuar, um apêndice deve ser feito: eu não vivo neste tempo de vocês, jovens. Até vivo, mesmo não querendo nem concordando.

Enfim, presente neste século, não obstante ausente do presente momento; deixando-o apenas na íris de meus olhos, como todo bom observador faria. E é esta minha discordância de vocês, jovens, que me torna quem eu sou. São minhas experiências, meus dias vividos sob sol ou lua (prefiro-lha) que me permitem esses pensamentos e me dão direito a essas indagações.

Dando continuidade à ideia primeira, quando conheço uma pessoa, realmente tenho aquele pensamento. Mas nós nunca temos, (o que, por acaso, é ótimo), a resposta logo de início. Passam os dias, situações diversas acontecem, os dias viram meses e só depois é que começam aparecer as primeiras respostas. Boas ou não, mas depois nos acostumamos.

Um convite inesperado, um telefonema à toa, uma passeada sem pretensão e algumas risadas trocadas sem espera de algo sólido como retorno. Afinal, o bom riso não tem preço e só acontece quando estamos à vontade com um amigo, um amor, um parente, um livro (por que não?).

Às vezes, algumas coisas acontecem e permitem que tenhamos algumas delineações acerca das respostas que podem emergir para a pergunta feita no primeiro parágrafo deste. Descobrimos que quem era amigo, na verdade, não passa de um aproveitador (isto é triste, mas acontece). Descobrimos que quem pouco víamos é um grande amigo e nos surpreende com várias visitas maravilhosas em meio a uma série de acontecimentos não tão felizes nas nossas vidas (acontece também, acreditem).E aprendo a lidar com cada uma delas.

Podemos até nos sentir traídos quando alguns mostram ser o que não queríamos que fossem. Mas, em contrapartida, recebemos um belíssimo e compensador presente de outros que provam e evidenciam fidelidade fraternal num simples gesto como, por exemplo, escrever mesmo sem ter tanta intimidade com isso. É belo, gratificante.

E, pertencente a intensa dialética da vida, recomeçamos nosso ciclo com novos filtros. Mas, admito que ainda é difícil pensar que, ao conhecer alguém, estou me expondo a um risco, seja lá qual for: moral, de integridade, financeiro, cultural. Tenho tendência a pensar que sempre tudo ocorrerá bem e sempre vai dar certo, mesmo pensando ser um presente quando acontece.

Mas, me ocorre que não é deveras um presente, é uma ratificação. Uma ratificação para a minha mania de acreditar.

Loretta di Fiori
Lorenzo di Bianco

Você me deu um Dostoievski

Momento exato: existe? Há quem diga que não. Talvez, não sei. Acredito, mas não. Penso ser mais verdadeiro quando você está disposto a seguir sua intuição, seu sexto sentido e assumir as consequências. Todas elas.

Você não precisava estar ali, mas estava. Você não precisava ser tão receptiva, mas foi. Você não precisava me tratar tão bem, mas tratou. Você não precisava sorrir, dizer tudo aquilo, mas o fez. Aconteceu.

Voltamos à pergunta: o momento exato existe? Você estava ali quando eu procurei. Isso significa que eu procurei no momento exato? Às vezes tenho dúvida, às vezes penso que é uma grande coincidência, um grande acaso. Mas será que o acaso me levaria até você se não fosse para eu chegar até você?

Eu não precisava ter te procurado, mas procurei. Eu não precisava de ninguém, mas te encontrei. Eu não tinha programado nem planejado, ou tinha. Eu precisava mesmo era ser feliz. E, num desses “momentos exatos”, eu te encontrei, e fui. E sou.

Você não precisava acreditar em mim, confiar em mim. Não precisava representar tudo que você representa na minha vida. Você não precisava ser tudo para mim, não precisava investir em mim, me incentivar... No entanto, você me deu um Dostoievski.

Lorenzo di Bianco.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um abaixo ao "quase"

Penso que esta palavra já foi o algoz de várias pessoas. Há que se fazer uma simples pergunta: o que é o quase?

Na minha modesta opinião, esta palavra deveria ser sinônimo de fracasso. Por exemplo, o Brasil quase ganhou da Rússia na decisão da Liga Mundial de Vôlei Masculino. Mas, não ganhou. Não somos decacampeões. O que atrapalhou neste exemplo, além do jogo que não foi do jeito que conhecemos? Justamente, meu caro, o quase. Agora, tire a palavra quase deste exemplo e pronto, fizeste o Brasil campeão mundial pela décima vez.

Para outras ocasiões também usamos o quase. Para dizer que você é o maior "pegador" da festa: "Já 'peguei' quase cinco" (mas, não pegou, fracassado). Eu atesto a minha provável burrice usando o quase: "Eu quase tirei 2,0 naquele teste".

Mas tem dois tipos de quase que me dão sensação de injustiça: o quase amor e a pessoa quase fiel. Ora, se você está com a pessoa é porque gosta, ama, sente-se bem ao seu lado, e é fiel. Qualquer coisa deste padrão que se modificar, inviabiliza esta conversa.

Se você quase a ama, meu amigo, pare de enganá-la e só volte à sua procura quando tiver certeza. O amor precisa, mas as mulheres mais do que precisam da nossa certeza, elas MERECEM (assim mesmo, tudo maiúsculo!) nossa certeza.

Visto que eu já tenha falado do amor, há a necessidade de se falar sobre quem é quase fiel? Talvez não. Essa eu passo para a consciência dos meus colegas, afinal, eu QUASE explicitei meu ponto de vista por completo.

Olhe, façamos  um trato: vamos pensar mais nas coisas, nas situações, e nos nossos amores para que não precisemos mais usar o quase, de modo que esta palavra seja aos poucos excluída de nosso atual incerto vocabulário. E, por conseguinte, sejamos pessoas mais completas, como menos "quases".


Lorenzo di Bianco.

A falta do seu abraço

Há algum tempo, eu fui roubado.Tiraram de mim algo mais do que valioso, mais do que raro. E o fizeram sem perguntar a minha opinião, sem eu ter uma chance sequer de me defender.Tiraram de mim, de modo semi-trágico, o seu esplendoroso abraço.

Agora, vejo-o sendo usado por outras pessoas, e eu já não tenho o mesmo vigor de antes. Ainda que, silenciosamente, as forças vão se esvaindo a cada vez que usam indiscretamente o que outrora era meu. Absoluta e infinitamente meu.

Hoje, quase que completando um ciclo desde o acontecimento deste maléfico fato, sinto-me fraco, e sem graça, desejando ter novamente o que me foi arrancado de modo específico, e injustamente, deram-no a pessoas que estão próximas a mim. Pois, agora, responda-me a fim de me auxiliar no entendimento da situação: com que intuito?

Acreditem, com nenhum intuito, além de deixar perto de mim o que está muito longe do meu alcance. Pensamentos e lembranças parecem ter vida própria quando o quesito é me pertubar em momentos aparentemente inócuos.

Devaneios. Este é o nome do que me restou desde quando me tomaram o seu abraço. Tudo isso decorre da falta do seu, exclusivamente seu, enlace fraternal. O abraço. Simples da mesma forma que eu o entreguei, tão facilmente e sem resistências.

Quero que me devolvam o mais rápido possível, mas é difícil. É.


Lorenzo di Bianco.