quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pra te fazer lembrar - Lucas Lucco e Quando se lembra - Loretta di Fiori



"Os momentos poderiam ser eternos".
Passamos muitos dias repetindo essas palavras.
Mas, todas as vezes que se tem o momento e o alguém perfeitos,
A emoção é tão grande,
Que, por mais que queiramos que o sejam,
Existe uma coisa que sempre acontece:
Ele passa rápido demais.

Não aprendi a lidar com isso ainda.
Por mais que eu tente aproveitar cada segundo,
Me arrependo de não ter ficado mais,
De não ter tentado mais.

Quando se lembra...
Isso dói!
Corrói por dentro.
Esmaga os sorrisos,
Enaltece as lágrimas.

E quando o final não é o que se espera?
O fim dos momentos que tivemos...
Cada um sabe de suas dores,
De seus momentos!

Não consigo pensar nisso ainda.
Eu tento disfarçar,
Cativar minhas memórias
Para distante...
Mas, tudo o que vejo são o momento e o alguém perfeitos.

Quem nunca sentiu a dor da saudade?
A dor do não poder se despedir direito...
Mas, de se esperar todos os dias por um novo começo?

Ah, quando se lembra...
Tantos flashes e recordações.
Sons que vêm e vão.
Perfumes que ao redor sempre estão...
Voz que sempre fala ao coração!

Hoje a noite está sem o luar,
Apenas com o brilho no coração,
Dos momentos...
Que ainda não tiveram um ponto final!


Pra te fazer lembrar de mim,
Eu primeiro, lembro de você!


Loretta di Fiori.

Verso e Melodia


Ela, sentada, frente a frente com suas teclas brancas e pretas,
Ao piano assenta suas mãos.
Fecha seus olhos,
E como notas em partituras,
Os versos aparecem
Em perfeito tom
E inspirada melodia.

Ele, de sua janela a ouve.
Não sabe quem é.
Apenas, fecha os olhos,
E, repousa sob a melodia
Soberana daqueles versos.

Ela, sem saber,
Declina-se ainda mais.
Percorre as oitavas
Em piano, pianíssimo
E forte, fortíssimo.

Ele, já inconformado
Por não saber de onde vem
Tal composição,
Segue seu coração.
Vai em busca da bela canção.

Sonatas,
Rapsódias,
Valsas.
Drama,
Suspense,
Expectativa.

A música os une então.
Ele chega à sala onde o piano reina absoluto
E governa sobre os que se rendem ao seu encanto.
Ela está virada, não consegue vê-lo.
Ele, apenas vê as lindas mãos percorrendo as teclas.

Que versos!
Que melodia.
A composição até parece rima!
Ela se vira,
Ele a contempla.
Como brilham os olhos.
Como cintilam os sorrisos.

Se aproximam.
Se tocam.
Sem dizerem nada,
Alguém percebe e se volta ao piano,
Tentando não deixar que se perca o momento.
Som da voz.
Suave.
Toque das mãos,
Suave.

Juram amor.
Sua vida
É um verso a cada dia,
E quem quiser,
Pode até conseguir ouvir a melodia!


Loretta di Fiori.

Versos ao vento, sem rima e sem alento!

Escrevendo,
Parei.
Qual a razão disso tudo?

Os dias passam devagar para alguns,
Rápido demais para outros.
As noites são tristes para uns,
Quentes de amores para outros.

A lua do outro lado talvez brilhe mais,
Aqui, às vezes ela se ofusca...
Tem mais estrelas em outros céus?

O que será que está além do horizonte?
E aqui, embaixo da terra?
E no fundo deste mar?

Por outro instante,
Parei.
Olhei para cima,
Sem palavras, meus olhos viram as estrelas
Pintando teu sorriso.

Fechei meus olhos
Por um longo tempo.
Apertei o mais forte que pude
Para evitar que as lágrimas caíssem.
Não consegui.
Foi mais forte do que eu!

As ondas levam meu alento.
Deixam estes versos, sem rima
Jogados ao vento.
Me lembro daquele tempo.
De nós, da voz.

Saudade.
Sinto tanto a sua falta.

Deste lado, o tom azul do céu é diferente.
A cor do mar, que cede seu espetáculo
À sua amante lua,
Que todas as noites toca sua pele,
Beija suas ondas...

Tempo, tempo, tempo.
Dias, noites.
Primavera,
Verão,
Outono,
Inverno.

Sorrisos,
Beijos,
Olhares.
Memórias.
Saudades.
Lembranças!

Volto - me para o mar.
Aquelas cartas, cartas de saudade,
Coloquei na velha garrafa.
Talvez um dia, deste lado,
Receba todas elas.
Leia,
Se emocione,
Chore.
Sinta...
Como o mar,
Que deixa a lua lhe tocar!

Versos.
Dispersos.


Loretta di Fiori.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O que acontece...

O que acontece quando se vê uma fotografia,
Quando se sente um perfume,
Quando contempla aquela flor, dada de presente?

Vamos, o que acontece?

E quando se ouve aquelas músicas,
Mas não se ouve a voz,
E  nem se tem o "nós" nas frases?

O que acontece?

À  medida que se passam os dias,
Que a terra completa mais um movimento de rotação,
Abrindo os céus das minhas, das nossas manhãs
Com a luz do sol.
E fechando meus dias, nossos dias, com o brilho da branca lua.
Sim, com isso, vou contar agora:

Talvez aconteça de eu estar morrendo lentamente,
Esperando por um simples "olá".
Sentada, passando meus dias, minhas noites
Sem nada a sobrar mais neste mundo.
Diga para o mundo parar de girar,
Para as flores pararem de nascer...
Para esta que escreve versos em manuscritos,
Não mais pegar no papel e na caneta.

Mas prometi não me render.
Não ceder lugar às lágrimas.
Eu prometi!

Então, o que acontece?

As noites são longas demais.
Os dias, frios demais.
Mas saiba que ainda espero.
Muitas vezes escrevi e não mandei.
Coloquei cartas numa velha garrafa...
Fiz um desejo e lancei para longe.
Talvez, tolice esperar por não saber o que.
Mas, prometi.

Assim, o que acontece?

Aqui, do outro lado,
Além do sol,
Escrevo.
Componho.
Rabisco.
Desenho.
Canto.

Perto demais.
Longe demais.
Aqui, ali.
O que saber?
O que acontece?
Não consigo enxergar.
Não dá! Já tentei inúmeras vezes...

Volto a sentar,
Escrever.
Compor.
Minhas notas brancas e pretas conhecem o tom desta melodia.
Aquela caneta, a flor, já descreve o que quero escrever todos os dias.

Mas para que?
Afinal, tudo isso para que?

Vamos, o que acontece?

Não sei!
Mas, sinto sua falta.


Loretta di Fiori.