segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Aperte o botão

Vidas confortáveis,
Movimentos instantâneos -
Não se pode perder o tempo!

Até aqueles que nada fazem
Não encontram tempo
Para continuarem no nada.

Pessoas fluidas,
Líquidas demais.
Tensão superficial
À flor da idade.

Vidas dirigidas por controles remotos.
Basta um click e outra dimensão é acionada.
Viajam.
Conhecem mundos, culturas...
Sem saírem de suas casas.

Afinal, o sofá é confortável demais!

Não se pode ser passado para trás.
Mundo cercado de elevadores,
Escadas que poupam as pessoas de suarem.
Do fast food...
Onde os pés caminham rapidamente
E a mente, cada vez mais, lentamente.

Uma batida de mãos,
A luz acende.
Uma captação das ondas sonoras,
Ele disca.

Aperte o botão!
"Não há tempo nesta estação".
"Não se pode deixar para o próximo verão".

Tempo!
Ausente tempo!
Escassa liberdade.
Hiperbólicas vontades.

Todos necessitam,
Todos precisam.
"Se ele tem,
Como não tenho também?"
Nisto, cresce a altivez e a valentia.

Soberba da vida!
Esta não parece passar com o tempo.
Mas a ficar em cada momento.

Pessoas vêm e vão.
Muitas apenas vêm.
E todas as outras se vão.

Afinal, não há tempo a perder.
Aos sinais vermelhos parecem sempre ceder,
Para o tempo nunca se perder.

Aperte o botão.

Loretta di Fiori.

Fé do Coração (Traduzida)

"Tem sido uma estrada longa
Chegando de lá para cá;
Isso foi há muito tempo!
Mas meu tempo está finalmente aqui.

Mas eu posso sentir que o vento está mudando agora
Nada há em meu caminho.
E não conseguirão me deixar para baixo! Ah, não mais!
E nada vai me deixar para baixo, nada!

Porque eu tenho a fé do coração
Eu estou indo aonde meu coração me levará.
Eu tenho a fé para acreditar
Que eu posso fazer qualquer coisa.
Eu tenho a força da alma
E nada nem ninguém irão dobrar-me ou quebrar-me
Eu posso alcançar qualquer estrela!
Eu tenho a fé,
Fé do coração.

Tem sido uma noite longa
Tentando encontrar meu caminho
Na escuridão
Agora eu tenho finalmente meu dia.

Mas eu verei meu sonho se realizar no fim
E eu tocarei no céu...
E não conseguirão me deixar para baixo.
Ninguém irá mudar minha mente!

Eu sei do vento assim frio...
Eu vi os dias - os mais escuros deles.
Mas agora os ventos que eu sinto
São somente os ventos da mudança!
Eu fui através do fogo,
E eu fui através da chuva,
Mas eu ficarei bem.


É uma estrada longa".



(Faith of the heart - Russel Watson)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Partitura Molhada

Estava ela a tocar
Os mais finos e requintados acordes.
E o céu, com sons de trovão,
Respondia
Àquela canção.

Porém, esquecera de fechar sua partitura,
Quando saíra às pressas.
Até a janela aberta
Pareceu-lhe não incomodar.

Parte para um outro lugar.
Distante de todos onde já estivera.
E a sensação das gotas molharem
Seus cabelos
E parecer-lhe lágrimas dos olhos,
A fez recordar-se de sua música.

Até que atinou com aquela
Partitura outrora esquecida
E, em fermata,
Pranteou sua agonia.

Estava em um lugar
Que lhe parecia um vale.
Chovia,
Era a única coisa que sabia!

E em notas staccatas,
Tenta alcançar o fim da estrada.
Como poderia continuar tocando tal música
Se a partitura molhada estivesse?

Seu coração só marcava um compasso.
Até que a pausa de semibreve
Surgira
E ao solo, caíra.

Chovia!

Tenta recordar dos versos,
Enquanto sofria, ali, sozinha.
Compõe uma triste melodia...
Nada parecia com aquela
Que parecia já esquecida!

Até que em um instante,
Retorna à sua partitura.
Estava ali, molhada...
Manchada!
Quase rasgada.

Com cuidado a toma em suas mãos,
Também molhadas,
Afinal, só chovia.
E, então, ela se desfaz,
Se desmancha em suas mãos.

Fora a última canção!
Desde então, ela silenciou.
Emudeceu inclusive seu coração.
Enquanto a última visão se esvaía.

Oh! Lamenta...

Até que o arco-íris resolve
Compor um alegretto.
Depois de um longo período de negridão.
A janela permanece aberta.
E ela, ao acordar,
Decide voltar a tocar.

Havia guardado a partitura molhada
Que já secara e enrugara.
Nada via, além de suas marcas.
De suas lágrimas!

Decide, em Ode Tristesse
Compor-lhe uma homenagem.
Volta suas mãos às teclas
E retoma sua última canção.
E percebe então,
Que quem lhe guiara era o coração
Pois aquela música não havia se perdido
No tempo, nem no espaço.
Parecia até que sua partitura nunca molhara!

Memórias...
Eternas memórias!


Loretta di Fiori,

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Quando não há nota alguma

Saudosa vista, me fez suspirar.
Contemplei aquela partitura
Sem nota alguma...
Pareciam nuvens no céu,
Que fazem formas
De acordo com o que queremos enxergar.

Assim, me vi diante de minhas teclas brancas e pretas,
Com as mãos diante delas,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

Daquela valsa,
Só uma melodia brotava:
"Eu perguntava: 'Do you wanna dance?'"
E olhava para aquelas notas desformes
Lançando esse desafio.

Elas saltavam das pautas
Mas não dançavam.
Antes, pareciam desafinadas.

Em legatto, eternas esquecidas.
Em staccato, doce melodia.
Jamais fariam um alegretto,
Muito menos um dueto.

Assim, fechei a partitura.
Aquelas notas não faziam música.
E quando não há nota alguma,
Essa ópera não é digna.

Mas, aquele ritmo insistia:
"Do you wanna dance?"
Por que então, não levantar
E seguir o compasso das batidas deste coração?

Espere!
Posso cair.
Posso decepcionar o Maestro
Que me espera no mês de dezembro
Para o concerto.
O que devo fazer?
Enquanto insistia aquela sutil melodia...

Mas percebo, que não é de concerto
Que minhas mãos precisam...
Elas anseiam por aquela melodia
"Do you wanna dance?"
Que as desconsertam.
Mudando assim,
Até o ritmo do compasso
Para binário.
A intensidade, de andante expressivo para
Piano pianíssimo,
A misturar-se ao forte fortíssimo!

Quando percebo,
Estou ali, sentada
Com as mãos diante do preto e do branco,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

E olho para minha partitura,
Não há nota alguma.
Levanto.
De repente:
"Do you wanna dance?"
Dispara daquele dispositivo
Em cima da mesa.

Quando não há nota alguma,
Há sempre uma melodia
Que traz todas as memórias consigo!


Loretta di Fiori.

O Condado

Sempre um lugar tranquilo,
Com tudo belo,
Organizado e sem temor.

O Sol nunca se cansara de
Aparecer todos os dias
Àquele mágico lugar.
E, quando cedia à Lua
Seu espetáculo,
Ela o cumpria com excelência
E deixava o Condado
Ainda mais radiante.

Aquela pequena sombra de existência
Era um habitante qualquer,
Que vivia talvez, como qualquer outro.
Com uma vida confortável,
Repleta do toque de perfeição,
Sua vida parecia não ter emoção.

Até que lhe aparece uma missão,
De, mesmo sendo tão insignificante,
Exibir sua elegância
E o esmero.
Porém, teria de dizer adeus àquele mágico lugar.
Teria de dizer não ao seu passado tranquilo e saudoso.
Teria de partir à nona hora,
Sem se despedir
E ir em busca do que seu coração
Lhe revelara ser a verdadeira emoção.

Esta, viraria sua grande paixão.
Passou montanhas, desbravou feras.
Espere.
É a mesma criatura que era tida como uma sombra de existência?
Não pode ser.
Será?

Todos duvidavam
E dele, zombavam.
Mas a razão de sua vil existência
Surgira,
E a ela não podia negar seu coração.
A Aventura insistia
E a cada dia,
Lhe abria um sorriso.

Sua lealdade o tornou ainda mais digno,
Sua bondade encantava a Aventura!
Estava ali, bem ali:
Aquele pequeno
Distante de seu Condado.

A cada dia, era transformado.
Sentia-se menos preso,
Mais corajoso,
Mais audacioso.

Mudou mundos,
Enfrentou Exércitos,
E de tudo, pegou alguma recordação.

Até que, num dia desses,
Num desses desencontros casuais,
Se despede da Aventura
E chega à comodidade do Condado.

Não via a hora de seu chá às seis,
De suas perfeitas melodias
Entonadas ao soar de cada hora do relógio...

Durante todo o percurso, só pensava nisto.

Até que seus olhos contemplam
Seu doce e belo Condado.
Seus pés caminham rapidamente
E percebe algo ali, externamente:
Estava uma desordem!

Mas algo lhe incomodava por dentro:
Voltar à vida pacata
Sem os demais?

Algo nele está mudado.
Algo nele está repleto de desejo pela Aventura novamente.
Afinal, ele recebera do Destino,
Uma grande missão.
Ainda não a terminara.

Aquele lugar, que antes era seu refúgio,
Seu recôndito,
Se tornara sem brilho,
Sem razão.

Até que segura em suas mãos
Aquele presente -
Sua missão.
Fecha os olhos, vive tudo novamente.
Mas ainda lhe falta...
Ah, sim! Ainda lhe falta o que já não lhe faltara.
O que já sustentara a ausência.
O vazio ainda permanece...
Sobra tanta falta!

Se levanta: a Aventura ainda não acabou.
Onde está você agora?
Afinal, o que uma criatura tão pequena
Pode fazer num mundo tão grande?

Seria ele tão pequeno assim?


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ritornello

Sem perceber, a música vai seguindo cada compasso.
Com staccatos e legattos, segue sem direção,
Como nuvem sem água, levada por ventos daqui e de lá.
O fim da ópera, apenas o Maestro sabe.
Ele vai guiando cada diminuta e cada Fermata.

O pianista observa suas notas em sua partitura,
Como quem observa seu comportamento na vida.
Uma Escala maior, outra menor.
Às vezes meio desafinada,
Ou descompassada.

Mas, quando ele pensa que é o fim,
Encontra o Ritornello
Que o faz voltar desde o início.
Parecia que havia sido sanado,
Que havia sido esquecido
Por seus ouvintes aquele começo.

Às vezes relutante, ele tenta seguir
A composição sem pausas.
Mas é mais forte.
Aquele que não sabia o fim que se daria
Se vê com as memórias ali,
Virando as páginas,
Tocando aquelas notas sombrias.

O Maestro sinaliza,
Ritornello em seguida.
O pianista respira fundo
E leva suas mãos à mais triste melodia:
O começo da sinfonia!
A música é em Andante, pianíssimo
Sem allegro nem alegretto.
Apenas com acordes sustenidos e bemóis
Que fazem do clamor daquelas notas
As lágrimas de quem as toca.

Ouvi-las e tocá-las? Ele reclama.
Mas segue.
E ao começo então,
Retoma sua canção.
Sendo triste e sombrio,
Encanta e gera emoção!

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enquanto isso...

Do lado de cá, contemplo a água tentando fazer graça.
Ela resiste ao vento que insiste a soprar,
E faz malabarismos na janela sem se importar.
Escorrega de um canto a outro.
Até deslizar e se espalhar.


São pingos de chuva,
Sinal de que o céu se entristeceu
E das nuvens, despencaram lágrimas.


Estou sentada, a vislumbrar
O que estes olhos cegos
Podem ver.


O tempo continua a correr,
O destino está distante ainda,
Tenho tempo para escrever!


De repente, dos olhos,
Emanam recordações
E memórias,
Que escorrem pelo rosto,
Deixando marcas.


São imagens, lembranças.
Frases, rostos, risos, perfumes e sabores.
Música...


E, num instante, sons vêm e vão.
Passado - presente
Tentando montar o futuro,
Que permanece ausente.


A viagem se segue para frente,
E meu coração,
Permanece lá atrás.


Mas a ópera não pode parar,
Não pode voltar!
No meio da pauta,
Uma pausa.
Que tal pontuá-la?
Dessa forma, a semibreve não será nada breve!


Um tempo para imprimir dos olhos
Essa composição
E deixar que o tempo, cicatrize meu coração.


Volto então, à minha triste canção.
O céu já secou suas lágrimas,
E minha janela voltou a refletir.


Tudo aquilo,
Ficou no vagão de trás.
Podemos seguir viagem
E chegar logo à Estação.


O trem azul ainda
Destila paixão.


Loretta di Fiori.

Dia Ensolarado

Pensei que o dia fosse amanhecer nublado,
Repleto de névoa e sem o cantar dos pássaros na janela.


Mas, ao abrir os olhos,
Sob o mesmo teto,
Aquele entusiasmo
Misturado a uma pitada de curiosidade,
Fizeram com que rapidamente
Abrisse a janela:
Que espetáculo!
Que dia ensolarado!


O céu, cintilando no azul,
Pintado de brancas nuvens
Que formam minhas formas prediletas!


O Fantasma da Ópera, na vitrola.
Aquele som cheio de vida e emoção,
Haja coração!
E, pelos corredores, o aroma doce,
Seco e apaixonante.
A combinação perfeita de amores!


Os pés, marcavam o compasso de Schumann,
Estavam longe de um "marcha soldado".
Mas, que encantador caminhar!
Que doce visão.


Mas não notou,
Pois a Sonata era em "Si"
E não recompôs a "Mi".
Contudo, não perdeu o compasso.
Meus ouvidos seguiam cada passo.
O aroma perdurara por alguns instantes,
E, rallentando, se despediram então.


Fecho os olhos,
Inspiro.
Sigo.
Afinal, o dia está ensolarado.


Uma voz:
"Levante! São dez para as seis".


Loretta di Fiori.

180 Graus

Aquele Mistério!


Aquela breve sensação de mudança...
Todos acostumados a seguir carregando suas capas,
Seus guarda-chuvas e a bússula.
Agora, por onde iniciar?


Uma vez equipados,
A rosa-dos-ventos os guia para onde quer.
Por tempos, tanto acúmulo,
Tanto sobrepeso!


O entusiasta perde o espetáculo.
O pianista, esbarra nos bemóis,
O maestro se esquece do compasso!
A bailarina desliza no Lago dos Cisnes,
O artista colore de outro tom o céu.


"O universo parece um tanto estranho..."
Indaga o menino na calçada,
Olhando aquela menina a passar.


Até que ele desvenda o Mistério!
Sua cabeça se ergue ao horizonte -
"Parece tudo normal".
O céu ainda não despencou,
Os pássaros ainda entoam melodias,
A menina ainda chama sua atenção,
Ali, do outro lado da rua.


Estão todos bem!
Mudança de perspectiva...
Isso ainda é Mistério!


Loretta di Fiori.