quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Condado

Sempre um lugar tranquilo,
Com tudo belo,
Organizado e sem temor.

O Sol nunca se cansara de
Aparecer todos os dias
Àquele mágico lugar.
E, quando cedia à Lua
Seu espetáculo,
Ela o cumpria com excelência
E deixava o Condado
Ainda mais radiante.

Aquela pequena sombra de existência
Era um habitante qualquer,
Que vivia talvez, como qualquer outro.
Com uma vida confortável,
Repleta do toque de perfeição,
Sua vida parecia não ter emoção.

Até que lhe aparece uma missão,
De, mesmo sendo tão insignificante,
Exibir sua elegância
E o esmero.
Porém, teria de dizer adeus àquele mágico lugar.
Teria de dizer não ao seu passado tranquilo e saudoso.
Teria de partir à nona hora,
Sem se despedir
E ir em busca do que seu coração
Lhe revelara ser a verdadeira emoção.

Esta, viraria sua grande paixão.
Passou montanhas, desbravou feras.
Espere.
É a mesma criatura que era tida como uma sombra de existência?
Não pode ser.
Será?

Todos duvidavam
E dele, zombavam.
Mas a razão de sua vil existência
Surgira,
E a ela não podia negar seu coração.
A Aventura insistia
E a cada dia,
Lhe abria um sorriso.

Sua lealdade o tornou ainda mais digno,
Sua bondade encantava a Aventura!
Estava ali, bem ali:
Aquele pequeno
Distante de seu Condado.

A cada dia, era transformado.
Sentia-se menos preso,
Mais corajoso,
Mais audacioso.

Mudou mundos,
Enfrentou Exércitos,
E de tudo, pegou alguma recordação.

Até que, num dia desses,
Num desses desencontros casuais,
Se despede da Aventura
E chega à comodidade do Condado.

Não via a hora de seu chá às seis,
De suas perfeitas melodias
Entonadas ao soar de cada hora do relógio...

Durante todo o percurso, só pensava nisto.

Até que seus olhos contemplam
Seu doce e belo Condado.
Seus pés caminham rapidamente
E percebe algo ali, externamente:
Estava uma desordem!

Mas algo lhe incomodava por dentro:
Voltar à vida pacata
Sem os demais?

Algo nele está mudado.
Algo nele está repleto de desejo pela Aventura novamente.
Afinal, ele recebera do Destino,
Uma grande missão.
Ainda não a terminara.

Aquele lugar, que antes era seu refúgio,
Seu recôndito,
Se tornara sem brilho,
Sem razão.

Até que segura em suas mãos
Aquele presente -
Sua missão.
Fecha os olhos, vive tudo novamente.
Mas ainda lhe falta...
Ah, sim! Ainda lhe falta o que já não lhe faltara.
O que já sustentara a ausência.
O vazio ainda permanece...
Sobra tanta falta!

Se levanta: a Aventura ainda não acabou.
Onde está você agora?
Afinal, o que uma criatura tão pequena
Pode fazer num mundo tão grande?

Seria ele tão pequeno assim?


Loretta di Fiori.

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