segunda-feira, 30 de março de 2015

Amanhã de manhã

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Pintarei o céu mais azul
E o sol mais brilhante
Para que contemple da janela
E alegre o teu dia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Comporei a mais bela melodia
Em Ode à beleza e gentileza
Que cobrem de certeza
Este que a rodeia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Despertarei-te do profundo sono
E, com um sorriso,
Direi que dentre todas as rimas,
A do teu sorriso é mais perfeita.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Haverá sol, flores,calor
E a nossa música!
E assim farei por todas as manhãs que acordar.

Mas amanhã de manhã, quando você acordar
E eu não estiver mais aqui,
Continue olhando para o céu.
A música ainda tocará...
E ela lhe arrancará a perfeita rima
Que já disse de onde vem!

E se amanhã de manhã quando você acordar,
Ninguém te disser "bom dia",
Saiba que de onde eu estiver,
Olharei para o Sol
E pedirei um brilho especial dele
Para que lhe aqueça como essas palavras me aqueciam.

E se a Lua, quando o dia começar a se findar,
Resolver só aparecer pela metade,
A veja como seu sorriso - meu sorriso.
Não importando quem o veja também,
É para você que ela o abre.

Amanhã de manhã quando você acordar,
O canto mais belo de um pássaro
Será teu despertar.
E junto dele,
Se perceber,
Haverá notas melancólicas,
Como as histórias que escrevemos.

Amanhã de manhã
Será um lindo dia!
E com a mais sincera sinfonia
Quero escrever no céu
Para mostrar ao mundo inteiro
O que todas as manhãs farei
Até a eternidade passar.

E cada dia que se passar
Será um mais perto
De poder despertar
O amanhã de manhã
Ao teu lado.



Loretta di Fiori.

Nostalgia

Ao acordar, percebi o céu um pouco triste.
O Sol, desanimado, brilhava com timidez à minha janela.
Acordei com saudosas lembranças em forma de melodia.
Meu coração insistiu em bater em seu ritmo...

Seria fácil fechar os olhos, balançar a cabeça
E tentar seguir o dia.
Mas não funciona assim!

Meus olhos vertiam lágrimas
E meu suspirar era com ponto de aumento!
A distância do melancólico olhar
Penetrava a vazia vista.
Não havia nada que a preenchesse!

Comecei o dia!
E no caminho dele,
Notei a falta que me faz.
Percebi, naquelas notas,
Como que os bemóis num compasso dois por dois
Fazem falta, para melancolizar ainda mais, a sutil harmonia
Dos sons.

E em eco, minhas lembranças respondiam ao compasso!
Nada mudava!
O sorriso também se perdeu no meio do caminho,
Tentando achar seu destino!

Ao parar, as mãos tocavam a melodia.
E dos olhos, a imagem ainda ficava,
Todos a compunham!
Ninguém escapava...

Pintei um retrato.
Daquele que ainda guardo!
Que prelúdio!
A valsa começou,
Não há ninguém para dançar...

Sigo assim,
A Lua apareceu em sorriso para mim!
Sim, era só para mim.
Não importa em qual lado do universo
Eu esteja,
Ela é a mesma
E sorri apenas de uma forma!
E sei que é para mim.
Sei muito bem!

Foi desta forma,
Que em relapso,
Me senti ausente daqui
Como que, por um instante,
Estivesse ali.
E pude dançar a valsa.
Me despedir
Com minha última sonata...
Aquela com a qual minhas mãos,
Incansavelmente,
Destilavam nostalgia!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 17 de março de 2015

Ponto Morto

Em análise,
Todos os corpos tendem à sua condição de equilíbrio.
E logicamente, todos buscam o ponto morto. 
A inércia.

Mais do que estagnados pelo Sistema,
Tornam-se padrão
Sem sequer, 
Saberem do que está em questão.

Interrompidos pelos sons,
Pelos tropeções
E quedas
Por gastarem energia
Em nada.

Sob pressão,
Engatam o ponto morto.
Levam a vida como a julgam 
Que esta deve ser levada.

Caminham na vantagem,
Sem gasto de energia.
Provocando apenas,
Entropia!

Audácia!

São cegados pelos Neons,
LEDs e Touch Screens...
Apenas para baixo
Desviam os olhares,
E mesmo assim,
Tropeçam pelos ermos sem fim.

Distraídos!

Conexões sem saírem do conforto.
Deitados, fingem sentirem-se cansados.
Irados, fingem-se contentes.
E a imagem é passada
A cada máscara usada!

Inertes!

Imbuídos em aflições,
Transparecem perfeições;
Fingem importar-se
Com o mundo.
Quando na verdade,
Querem apenas, uma ou duas curtidas.

E assim, caminham todos 
Perdendo a velocidade
Em um mundo acelerado,
Por simplesmente
Estarem em ponto morto.


Loretta di Fiori.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Pródigos


Pessoas que esbanjam o que não possuem.
Proclamam do que não sabem.
Mas arrastam perdidos,
Indecisos.
Como ídolos importados,
Se apoderam do trono
Ao tomarem posse como czares.

Insistem na
Sua geração marcada pela cobiça.
Veneram luxo,
E exalam orgulho!

Caminham pelas ruas
E destilam aromas
Repletos de ganância,
Cujo rastro atrai invejas.

Não se cansam.
Arduamente persistem
Na luta pelo poder,
Pela fortuna.

Enganam e são enganados
Sem saber.
Compram e são vendidos
Sem darem conta.

Condenados,
Vivem como pródigos,
Usufruindo de seus palácios.
Afogando olhares que se adulteram
Ao lhes desejarem.

Até que se atinam
Com o Trem-da-Solidão,
Cujo destino lhes aguarda.
Os bilhetes já foram marcados,
Não tem volta.

De onde procedem altivez e valentia?

Loretta di Fiori.

Próximos Distantes

O trem chegou à estação.
Viera de longe...
O que antes era distante,
Agora tornou-se mais próximo!

Dele descem centenas de pessoas
Que circulam pelas ruas
Da cidade.
Elas vêm e vão.
Caminham apressadamente.
Pouco se viram,
Mas, muito se preocupam.

Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Olham para a direita
E para a esquerda
Não com visão panorâmica.
Querem apenas saber se podem atravessar
Em segurança;
Se há mais alguém logo ali?
"Não vi"!

Faróis sinalizam a passagem
Enquanto os olhares se perdem
No que não devem.

Soou meio-dia!
Muito devem retornar à estação.
O trem partirá.
E tudo se repetirá.

Inconformados,
Alterados,
Rodeados de miragens,
Alguém só deseja meros olhares.
Dispensa falares,
Apenas uma percepção.

Um ali, outro aqui.
Muitos a frente
Milhares atrás.
Cercado por todos os lados,
E eles se mantêm distantes.

Os dispositivos que carregam
São a única fonte.
De onde emanam distrações por todos os lados.
Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Esse é o mundo
Onde os próximos estão cada vez
Mais distantes.
E os distantes, permanecem assim!


Loretta di Fiori.


terça-feira, 3 de março de 2015

O piano e o Violino

O piano começou a tocar...
Suas notas eram sombrias e
Melódicas.
Pouco compassadas,
Pareciam solitárias.

O violino aparece,
E enriquece
As notas com um pouco
Da suavidade que só ele tem,
Sem perder
O drama.

Chora os compassos.
Proclama todas as dores
E sentimentos do piano
Que estava ali, a responder
Com sutileza
Aos finos acordes.

As oitavas do piano
 Escorrem para baixo,
Enquanto o compasso
Se torna harmônico
Ao tocarem juntos a mesma nota!

O piano então, aparece com um rallentando
E o violino responde com o ritornello...
Eles não querem parar.
Assim, a música continua a tocar.

Até que um desliza no tom...
O outro parte a preencher o som.
E, repleto de suavidade e melodia,
O violino encanta a todos com sua rima.

E o piano então, retorna à canção.
Em Ode, chama o violino para a primeira valsa.
E juntos, compõem miríades de danças.
Enquanto que em dueto, travam o duelo.

Que som é esse?
Nunca ouviram tal composição!


Loretta di Fiori.

domingo, 1 de março de 2015

Os dois caminhos

Ela chegou correndo
E, ao fim do caminho,
Parou.
Olhou à sua direita,
Olhou à sua esquerda.

Encontrou um caminho
Para cada lado.
E se viu sem saber
Qual dos caminhos seguir.

Um, sabia que era para o seu bem.
Caminharia nele
Sem muitas dores, nem preocupações.
Afinal, julgava saber o nome de cada travessa
E para onde cada uma levaria.

O outro, era tão belo quanto,
Mas só o conhecia de ouvir falar.
Tinha anotado em seu guia
Alguns nomes de referências
Que poderia encontrar por lá;
Mas não sabia o que viria
Logo após da primeira curva.

Voltou atrás.
Começou a correr
De volta ao lugar onde sabia
Exatamente onde ficava.
Afinal, era lá de onde viera
E onde passara sua vida pretérita.

Ainda não estava pronta.
Não sabia o que decidir
Nem em qual caminho trilhar.
Os dois eram belos!
Ouvira falar de ambos.

O que julgava saber?
O esperado?
Ou o novo?
O inusitado?

Fechou os olhos,
Começou a gritar.
Um viajante caminhando em seu jumento
A ouviu desde quando partiu.
Foi ao seu encontro.
Ela estava sozinha,
Parada exatamente entre os dois caminhos.
Ele se aproxima,
E a toca.
Ela perdida,
Só chora.

Até que ele vai à frente e parte ao primeiro raio de sol,
Para o da direita.
Ela, inerte ainda, só observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela só o observa.

No próximo raiar de dia,
Ele segue o da esquerda.
Ela, inerte ainda, só o observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela se levanta.
E se despede.

Qual caminho ela seguiu?
O do seu coração.


Loretta di Fiori.


Só sei que nada sei

E pra falar a verdade,
Muito pensei saber.
Talvez não de uma plenitude
De começo, meio e fim,
Talvez só um nada de todos eles.

Desprezar o começo por não
Saber para onde me levará;
Esquecer-me do caminho
Quando já estiver no meio da estrada.
E julgar-me ao final da história
Apenas por encontrar o primeiro ponto final.

E durante uma vida,
Acreditar que de tudo eu sabia.
Embora outrora, em tempos bem remotos,
Ninguém sabia do que eu viria a saber
Quando chegasse meu fim.

Mas esse "fim" ainda não chegou.
Caminho no meio do caminho
E jogo migalhas de pão
Para não esquecer-me de onde eu vim.

Talvez, não saiba mais nem para onde vou.

E nessa jornada, cada nuvem de existência
Trouxe-me uma história de vida.
De experiência.
Enchi minha mochila,
E minha bagagem só aumentava.

Ah! Tudo eu sabia!

Até que começou a pesar.
Não sabia o que fazer com tanta soma.
Dividir?
Multiplicar?
Talvez, diminuir, afinal, cansaria menos
Ao continuar a jornada.

Mas a cada passo,
Era algo que me somava.
Não percebia.
E lá atrás, já julgava pesado demais!
E agora, onde colocar?
Desprezar?
Ah! São tantas boas histórias.
Tantas ricas experiências!

Tropecei no meu orgulho.
Caí e me deparei com uma poça
A poça da vergonha!
Tentei enxergar
O que através dela se refletia.
Nada pessoal!
Nenhuma das coisas que trazia se espatifou.
Pelo contrário,
Só me ajudou.

Levantei,
Cambaleando ainda.
Mas notei que não caí por causa do peso
Que julgava carregar,
Mas por não conseguir distribui-lo.

Até que vi utilidade.
E passei a caminhar novamente,
E agora, crente de que
Logo ali, veria nova história
E aprenderia novas experiências.
Afinal, agora, eu já comecei a escrever
Um pouco do que já sei.

E continuo sem nada a saber.

Caminho, prossigo
Rumo a cada dia um novo saber!


Loretta di Fiori.