E pra falar a verdade,
Muito pensei saber.
Talvez não de uma plenitude
De começo, meio e fim,
Talvez só um nada de todos eles.
Desprezar o começo por não
Saber para onde me levará;
Esquecer-me do caminho
Quando já estiver no meio da estrada.
E julgar-me ao final da história
Apenas por encontrar o primeiro ponto final.
E durante uma vida,
Acreditar que de tudo eu sabia.
Embora outrora, em tempos bem remotos,
Ninguém sabia do que eu viria a saber
Quando chegasse meu fim.
Mas esse "fim" ainda não chegou.
Caminho no meio do caminho
E jogo migalhas de pão
Para não esquecer-me de onde eu vim.
Talvez, não saiba mais nem para onde vou.
E nessa jornada, cada nuvem de existência
Trouxe-me uma história de vida.
De experiência.
Enchi minha mochila,
E minha bagagem só aumentava.
Ah! Tudo eu sabia!
Até que começou a pesar.
Não sabia o que fazer com tanta soma.
Dividir?
Multiplicar?
Talvez, diminuir, afinal, cansaria menos
Ao continuar a jornada.
Mas a cada passo,
Era algo que me somava.
Não percebia.
E lá atrás, já julgava pesado demais!
E agora, onde colocar?
Desprezar?
Ah! São tantas boas histórias.
Tantas ricas experiências!
Tropecei no meu orgulho.
Caí e me deparei com uma poça
A poça da vergonha!
Tentei enxergar
O que através dela se refletia.
Nada pessoal!
Nenhuma das coisas que trazia se espatifou.
Pelo contrário,
Só me ajudou.
Levantei,
Cambaleando ainda.
Mas notei que não caí por causa do peso
Que julgava carregar,
Mas por não conseguir distribui-lo.
Até que vi utilidade.
E passei a caminhar novamente,
E agora, crente de que
Logo ali, veria nova história
E aprenderia novas experiências.
Afinal, agora, eu já comecei a escrever
Um pouco do que já sei.
E continuo sem nada a saber.
Caminho, prossigo
Rumo a cada dia um novo saber!
Loretta di Fiori.
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