quinta-feira, 16 de julho de 2015

Seus Dias

Suas palavras destilavam desespero.
Seus olhos exalavam angústia.
Não vivia mais aquela vida.
Culpava o mundo por ter-se
Abatido. Exaurido. Esquecido.

Em seu coração não havia esperança.
Em sua voz, não havia alegria.
Em seu rosto, só havia marcas
De seus dias.
De seus dias em lágrimas vividos.

Não caíra em si.
Não via mais.
Não ouvia também.

Sua vida era coberta de "nãos".
De portas fechadas.
Seus dias eram nublados,
Nunca vira o brilho do sol,
Nem sentira jamais seu calor.

Apenas o frio da sombra
Na qual estava
Ou pensava estar,
Lhe era por companhia.
Sua dor, eterna e inseparável.
Na verdade, não se imagina sem ela,
Não saberia como reagir.

Não eram as marcas
E cicatrizes em seu corpo,
Que lhe perturbavam.
Eram as manchas em seus dias
Passados e futuros
Que ocultavam a beleza de seu coração.

Não sabia o que era saudade.
Esquecera-se do amor.
Não reconhecia uma pequena maravilha
Em seus dias.

Seus dias eram tristes.
Tristes eram seus saudosos suspiros
Tentando encontrar-se
Ou fugir,
Nem sabia mais!

Desventuras!
Interrupção do pretérito perfeito,
Pelo destino que daria outro futuro a tal pretérito.

E nesse duelo de tempos,
Vive sem saber o que fazer
Em seu presente.
Sem saber o que fazer
Em seus dias.

Já tentou mudar os dias passados
E esquece-se que só pode mudar
Seus dias futuros.
Todavia, neles recusa-se estar.

Dos olhos do eu-lírico
Jorram lágrimas.
Escorre sangue
Da ferida que está aberta em seu coração.
De si, restam suas mãos trêmulas
Que compõem estes versos.

O que queres
Em teus dias?
O que buscas
Em teus breves dias?
Julgas a vida por não aceitá-la
Ou por amá-la demais
E sofrer ao pensar
Viver sem ela
Em teus dias?


Loretta di Fiori.