Estava ali, parecia tão forte,
No contentamento de sua solidão.
Refletia qualquer luz
Sem conseguir emitir tom algum.
Todos podiam ver-se através dela...
Era isso que a tornava tão misteriosa!
Com todos os detalhes que, impecavelmente,
Mantinham sua estrutura intacta há anos!
Não se deixava manchar pelos anos,
Ao contrário, mantinha seu terno olhar.
Sim, parecia olhar a todos,
E quando a viam,
Pouco descobriam de sua essência.
Permanecera com o mesmo bom aroma
E elegância por anos!
E o exalava sem esforço.
Ficava ali no alto,
Não podia ser tocada...
Apenas contemplada.
Mas algo parecia incomodá-la -
Ninguém sabia.
Até que alguém um dia,
Atreveu-se a tomá-la em suas mãos.
E por um instante,
Olhou profundamento aos detalhes daquela rosa
Que por ser vidro, agora parecia-lhe mais frágil.
Perdera a soberania do absoluto silêncio.
Tomou-a em suas mãos e a observou por minutos.
Tentou entender o porquê de parecer ser tão forte,
Mesmo tão sensível, que ao mínimo descuido,
Poderia quebra-se e perder-se para sempre.
Até que algo entra na sala,
Onde a rosa reinava absoluta
Nas mãos daquele ser.
Um ruído,
Uma sombra...
Um vulto
E ao chão a rosa foi-se
Depressa.
E em um piscar de olhos,
Estava ali, despedaçada.
Com seus detalhes e curvas perfeitamente entalhados,
Desfeitos pela queda.
Assim, a luz apaga-se.
E todos se vão...
Ao fim da música, só restaram pedaços,
Pedaços da rosa que afinal, era de vidro,
E que um dia encantou os olhos de quem a via
Em sua glória!
