quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Notas de Silêncio

Calou-se.
Não se ouvira mais os sons...
Os doces sons daquelas músicas
Que ela tocava às seis  da tarde.

Passava em frente à sua casa,
E, como quem para,
Admirava-me ouvi-la tocar.

Hoje, passei por lá.
Nada ouvi a tocar.
Pensei estar em semibreves,
Que de tempo, não eram nada breves!

Até que notei serem pausas.
Pausas dessas semibreves.
Comecei a contar.
Contei, contei.
E o compasso foi quase dobrado,
Então pensei "estão pontuadas".

Esses pontos de aumento
Só aumentaram minha tristeza
E agonia,
Por não ouvir nenhuma sinfonia!

Suas notas, que antes, faziam poesia,
Estavam quietas, como textos sem rima.
Afinal, isso era sua vida!

Coloque já um Ritornello,
Assim, volta à primeira composição,
Onde os sons
Eram de belas danças em vários tons.

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Valsa, você dança?

Todos sabiam da Valsa.
Sabiam os compassos que ela compunha
E julgavam entendê-la.
Afinal, parecia sem muito mistério
As notas composta em 3 por 4
Não surpreendiam ninguém.

Todavia, alguém pouco observado pela corte,
Aparência fina e trajes elegantes,
Começa a perceber o segredo atrás das partituras.
E em silêncio,observa os detalhes.

Estavam fora do ritmo.
Pés descompassados,
Errados.
Desafinados!

Então, chama a Valsa para sua primeira dança.
Estende-lhe a mão e sugere um novo refrão.
Afinal, ela não fizera questão de corrigir todos daquele salão,
Mas agradou-se daquele e retribuiu-lhe como canção.

E assim, em sua primeira dança
Compôs rima em seu coração.

Foi assim que surgiu a lenda do ritornello...
Onde nenhum deles queria parar de dançar,
Voltavam sempre ao começo
Sem nunca pararem de sonhar.


Loretta di Fiori.

A Espera

Esperar pela manhã após uma noite infinita;
Esperar pelo fim da música quando não se quer mais ouvi-la;
Esperar pela pergunta para responder;
Esperar o tempo que, descontente,
Gera angústia.

São de pesares esses tempos de espera.
Se esperares, o que então terás?
E se não o fizeres, não é certo que também o terás?

A mãe que espera nove meses para conhecer o rosto de seu filho,
Que espera conhecer o mundo.
A menina que espera seu príncipe encantado;
O rapaz que espera pela moça que está a lhe esperar.
Um espera pelo outro.

E o mundo espera por quem?

Esperar por ser o próximo em alguma situação;
Esperar o farol abrir;
Esperar por uma vaga naquela Empresa;
Esperar a chuva passar para sair de casa;
Esperar ele ligar para ir se arrumar.
Esperar o tempo que, descontente,
Gera dúvida.

São dias de inverno ansiando a primavera.
São ondas esperando para beijar a praia.
São notas mudas esperando ser tocadas.
São mãos solitárias esperando o convite para a primeira dança.
São feridas esperando a cura.
São cicatrizes esperando ser aceitas.

Como uma carta, que espera o tempo certo, para chegar
E tocar o coração daquele que a lerá.
Como o Sol, que espera a Lua concluir seu espetáculo.
Como o vento que espera o tempo certo para fazer a curva.
Como a tempestade que espera o tempo certo para ir-se...

Tudo passa, pois tudo acontece no tempo certo.
Basta saber esperar.


Loretta di Fiori.