quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mudanças

Um estilo novo. Uma novidade.
Uma nova influência, novas perspectivas.
Outrém importante, considerável...
Sentimentos antigos sob novos olhares.
Uma luz que se acende, preenchendo escuridões inexplicáveis.
Onde era campo vazio, flores.
O que ficou para trás torna-se esperança de futuro.

Paz...
Novo gosto, nova literatura, nova.
Manias adquiridas, linguajares inovadores.
Novos idiomas...
É tempo de mudanças, decisões.
Rupturas com o passado, tornando-o presente... Quiçá? Futuro.
É preciso novidades, decisões.
Identidades reveladas, verdades serem ditas.

Amor...
Novos carinhos, novos afagos.
Um novo jeito de se mostrar.
E se deixar ver.
Fazer-se notar...
Escrevo com objetivos, sobretudo agradar.
Aos olhos daquela menina, a nova mulher.
Novas intenções, novos métodos...
Uma nova companhia.
Um nobre motivo para uma explosão de alegria.
E este é o meu momento.


Assim, eu estou.

Lorenzo di Bianco.

Somos um

Quando te conheci, vi seus olhos brilharem.
Naquele dia, não entendi o que estava sentindo.
Sabia que seria diferente, haveria algo a mais.
Aproximamo-nos, conversas aleatórias.
Diversos motivos para sorrir.
Várias gargalhadas numa mesma frase.
Os olhos brilham cada vez mais.
O sorriso é franco, espontâneo.
Não há mal-entendidos, nem tampouco confusões.
Apenas sorrisos e brilho nos olhos.
Entendemo-nos, completamo-nos.
Eu digo que assusta, que é intrigante. Você me encoraja.
Predomina a curiosidade.
Perguntas são feitas a mil por hora,
E as respostas vêm ao encontro do questionante.
Solenes. Perenes.

Músicas, livros e filmes compartilhados...
Frases e pensamentos expostos.
A busca por novos horizontes recebe incentivo. De ambos.
A cada conversa, um aumento na responsabilidade:
É preciso manter os olhos brilhantes...
Antíteses:
Uma mulher e um homem.
Uma poesia e uma prosa.
Espanhol e italiano.
Português e inglês.
Encontros e desencontros.
Nunca despedida.
Somos mais do que dois, somos um.

Quereres e poderes diversos, alcançáveis e inalcançáveis.
Pensamentos esparsos, fundidos.
Ideias que se encontram e se complementam.
Genialidades.
Personalidade curiosa, verdadeira, autêntica.
Ela, sou eu.
Transforma-se num segredo por ser demasiadamente transparente.
Um poço de fragilidade em meio a tanta fortaleza.
Encantos e suspiros, rouquidões e tons menores.
Olhos brilhantes... Nunca menos.
Não entendemos ao certo o que tudo isso significa,
Mas aproveitamos cada momento.
Eu o faço. Ela, sou eu. Ela o faz.
Sou duplamente convicto.

Completudes e sensações...
Plenitudes e autenticidades.
Companheiros, confiáveis e confiantes.

Somos um.


Lorenzo di Bianco

Lá na curva o que é que vem?

Remando, nota-se o convergir do curso das águas.
Caminhando, vê-se a frente, o convergir de paralelos e transversais.
Nas estradas, surgem curvas perigosas, depois de uma pista com duas vias.
Sorrindo, fica estampado a curvinha no rosto e o fechar dos olhos.
Chorando, as lágrimas caem curva ou retilineamente, contornado a face.
Gargalhando, as cordas vocais vibram e podem formam curvas.
Observando, o olhar penetra fundo um ponto finito, neste espaço curvo.

Na vida, as curvas interrompem o linear dos objetivos; do concreto.
A luz não faz curvas. Quando ela encontra um corpo, sobre refração,
Mudando de plano e de meio.
Temos a capacidade de sermos mais que a luz.
Podemos contornar as circunstâncias.

Mas, sabemos o que vem após a curva?
Ou, nós mesmos, criamos uma?

Tentando, corre-se o risco de fracassar.
Falando, corre-se o risco de ser mal interpretado.
Chorando, corre-se o risco de parecer frágil demais.
Rindo, parecemos bobos.

Não dá para pegar um lápis e uma folha branca,
Traçar um risco linear até o final.
Ele sofrerá leves ou fortes intervenções curvas.
Não dá para segurarmos o volante e seguirmos numa estrada reta, até o final.
As estradas, nós não construímos. As adaptamos.

Viajando no trem azul,
Sob o céu férrico,
Às margens do oceano,
Tentando contar os grãos de areia acima
E as estrelas abaixo,
Não somos capazes de saber,
De compreender.

Deixar de tentar?
Despedir do dia sem que ele termine?
Dar adeus ao luar,
Sem sentir na pele o seu brilho tocar?

Despir dos trajes, sem usá-los?
Sorrir sem motivo?
Tentar sem ter um porquê?

Mistérios.
Metades.
Curvas.

Vale o quê?
Um sorriso para te convencer
Da luz do luar.
Um sorriso para te fazer esquecer
Dos cinquenta tons de cinza.
Um sorriso para a endorfina surgir.
Um sorriso para abrir as estradas
Deste trem azul.
Um sorriso.
Um sorriso para te fazer lembrar
Que não sabemos
O que vem lá na curva.

Tente mais uma vez.
Volte amanhã.
Não vá assim.
Não despeça do luar.
Espere o sol voltar.
As estrelas voltarão para cima.
E as areias, para baixo dos nossos pés.
Voltaremos a nos abraçar envoltos pela brisa do mar.


Já havia me esquecido...
Lá na curva, o que é que vem mesmo?
Ah, não me importo.
Deixarei me aproximar mais para saber.


Loretta di Fiori.