quinta-feira, 17 de julho de 2014

O pequeno parceiro emplumado



Andando pela rua, numa tarde bastante agradável, desfrutando da sombra fornecida pelas árvores, quando um passarinho senta perto de mim. Ele me encara, dá um piado e esnoba uma expressão que se a adaptássemos à anatomia humana, seria comparável a um sorriso.
Sendo tocado pela sua feição amigável e convidativa, decido que junto a ele irei refletir, compartilhar e buscar respostas a muitas coisas que ocorreram nesse semestre que se encerra, a minha pequena viagem pelas minhas memórias semestrais.


"Olá pequeno passarinho, que decidiu gentilmente fazer companhia para mim. Sei que não poderás tecer comentários sobre as coisas que irei proferir aqui, porém peço a ti que ao final de meu relato, leve-opara longe, não em cento e quarenta (140) caracteres, mas no máximo de detalhes, entregue-o a uma pessoa que espera por notícias minhas. Chegue a essa minha receptora e “tweet” o que compartilharei contigo."


E desta forma, em um possível monólogo começamos nosso diálogo.


“Bem, como começar, por onde dar princípio ao que tenho a dizer? Vamos lá... eu tive início do meu semestre renovador com notícias não tão animadoras assim, entes queridos meus não estavam bem de saúde, alguns deles não decidiam-se se permaneceriam conosco, e eu mesmo não estava em paz com meus princípios ideológicos. ”


O pequeno pássaro olhava-me com uma expressão confusa, ao mesmo tempo interessada na possível migalha que uma senhora ou uma criança que passavam naquele momento poderiam deixar cair. Não me intimidei pelo descompromisso de meu ouvinte, antes mesmo que sua falta de interesse me deprimisse, falava pra mim, relatava ao meu “ser interior” aquilo que talvez não quisesse encarar de frente ou mesmo maquiar para que não visse sua verdadeira faceta.


“Pequeno parceiro emplumado, não vou atormentá-lo com chatices, vamos ao momento de mudanças positivas. Mesmo sem repostas para as dúvidas anteriores, coloquei-me a resolver aquilo que somente eu posso tomar iniciativa ou mesmo que só sobre mim as consequências viriam. Decidi mudar hábitos, contornar expectativas e inovar. Sim, inovar, eis a palavra do semestre. A forma encontrada por mim para tanto fora uma revolução em aspectos sociais, intelectuais e trabalhistas."


Socialmente renovei e engrandeci vínculos antigos. Busquei mudanças na minha forma de me portar ao mundo e como o universo ao meu redor se relacionava comigo. Novas amizades foram implantadas, novos costumes foram conhecidos por mim, e muito aprendizado eu obtive e continuo tendo. Quanto aos contatos mais antigos, cada um à sua maneira, procurando respeitar os limites e limitações de cada realidade, fomos nos aproximando mais, seja acercando-nos virtualmente ou fisicamente, mas assim o fizemos.


Intelectualmente encarei velhos monstros que sempre me assustavam, medos esses hoje vistos por mim como assimiláveis, confrontáveis e domáveis. Sei que esse processo, dos três, será o mais laborioso, porém sei também que seus frutos serão os mais suculentos, frutos esses que para serem mais bem apreciados precisam ser compartilhados.


A questão trabalhista... ponto difícil. Dizem que o trabalho bonifica o homem, porém encontrar o trabalho certo e adaptá-lo a sua realidade tem sido algo tão difícil. São tantas variáveis e incógnitas para serem equacionadas que o deprimem o derrubam e o decepcionam...”


Creio eu, que se meu preceptor entendia o que falava, que meu relato fez com que o mesmo lembrasse também de alguma obrigação. Em um momento estava lá, olhando para mim, apreciando a sombra da árvore, um olho em mim, outro nas pessoas que nos rodeavam, quando de repente bateu asas e voou. Um sentimento de solidão e tristeza invadiu meu ser naquele momento. Quase me sentindo totalmente deixado de lado e esquecido, avistei ao longe em um local muito bem escondido e camuflado meu caro amigo cuidando de seus afazeres também, em seu ninho com seus filhotes. Senti naquele momento um sentimento de reciprocidade, como se ele relatasse a mim um pouco de sua rotina ornitóloga, tentando me fazer entender a minha função no meu círculo humano.
Poucos momentos depois ele retornou, olhou pra mim e senti um ar de despedida. Olhei pra ele, agradeci, mentalmente dessa vez, pelos momentos que ele me presenteara de seu dia e disse a ele:


“Pequeno amiguinho, sei que tens o que fazer, porém seja firme em seu compromisso de ouvinte e intermediário, voe vá a minha receptora e leve a ela minhas palavras”.

Ele olhou pra mim, e com um leve bater de asas se foi, não sei se entendeu o que disse a ele, mas sei que não foi em direção a seu ninho como fizera anteriormente. Sendo assim minha querida leitora, se um passarinho hoje parecer sorrir pra você, sorria de volta, pode ser que ele tenha notícias para contar-te.



- O Alquimista-