quinta-feira, 10 de abril de 2014

Maktub

Já estava escrito.
O destino...

Olhos que se cruzam nas ruas,
Nos semáforos.
Mãos que se ajuntam, que se enlaçam
Nos mais variados momentos.

Sorrisos que se abrem,
Ideias que nascem.
Rancores que desaparecem
E amores que geram seus cantares.

Melodias antigas que tornam-se novas.
Acordes esquecidos enriquecem os novos horizontes.
Luz, câmera, ação: protagonista de sua própria história.
Mas  ainda não sabe o conto final.
Se é história de romance policial,
Ou de investigação criminal.
Suspense.
Romance.
Aventura.


Alguém passou por trás do arco-íris.
Alguém ali esteve.
E o destino?

Já estava escrito o presente
Que se recebe de presente!
Outrora era futuro.
O passado era presente.
Que o amanhã nunca passe.

Pausas pontuadas:
1-2-3-4.
O limite já foi ultrapassado.
Staccato!
Os segundos passam.
E o nosso destino junto deles.

Detalhes.
Sóis despencando,
Luas irradiando.
Estrelas sempre brilhando.
Percebe?

Hoje choveu.
Amanhã fará sol.
Já estava escrito.

Hoje te vi.
Amanhã, não mais...
Já estava escrito.
Rallentando.
Maktub!


Loretta di Fiori.

domingo, 6 de abril de 2014

Acordes do Silêncio


Permaneci em silêncio.
Não escrevi.
Não falei.
Deixei que os anos
Se permanecessem no silêncio.

As páginas continuaram em branco,
As penas, sem tintura.
As lágrimas secaram.
Mas suas marcas marcaram por onde estiveram.

O mundo ainda girava,
As estações me faziam
Lembrar que ainda
Permanecia em silêncio,
Enquanto bradava  o mundo
Ao meu redor.

O sol e a chuva intercalavam
Em apareceres e desapareceres.
A música não quis mais que fosse tocada.
As prosas e os versos
Não quiseram ser pronunciados.

Até que este silêncio foi interrompido
Pelo clamor de um olhar.
Não havia nada nem ninguém
Que deixassem de percebê-los.
Os mesmos ventos
Ao som das mesmas melodias,
Os mesmos quereres e dissabores
De repente começam a, lentamente,
Escrever naquelas páginas
Que há muito estavam em branco.

Os mesmos motivos,
As mesmas ânsias e alegrias,
Surgiram do abismo silenciosamente
Ao coração dos ossos secos.

Ainda reclamais do silêncio?
Ainda o preferis?

Nesse turbilhão de momentos
É agitado demais,
E sobremaneira perigoso.
A calmaria que vem cegar os olhos
E emudecer os gritos
Talvez faça bem!

Há tanto não ouço esse som...
Que saudade!
Dó, ré, sol, fá#
Ainda me lembro das notas dançando
No salão de festas.
Percorrendo as páginas com cinco linhas.
Acordes que choram,
Violino e guitarra.
Clássico e intenso.
Nuvens sem água
Navegam agora pelos céus deste coração!

Loretta di Fiori.

Letras que falam

Você escreveu o que queria.
Usou tons sombrios e sem cor,
Misturando palavras melancólicas
E sem riso;
Que dos olhos de quem as lê
Descem lágrimas,
Percorrendo longos e curtos caminhos.

Escreveu o que sentia.
Usou de suas ferramentas,
Descreveu traumas, sofrimentos,
Solidão, dores e angústias,
Que no fim, borraram as letras.
Retratou gargalhadas sem entoar nenhum som.
Pintou retratos de histórias antigas,
Lançou suas ânsias pelo futuro do presente.
Que no fim, gerou riso nos lábios de quem as viu,
Modificando o pretérito para que fosse mais-que-perfeito.

Escreveu o que não dizia.
Construiu ferramentas
E ergueu muralhas sem entoar
Um vocábulo, um tom.
Mas chamou suas letras
Para pô-las em verso, em rima.
Em canto, enquanto cantava,
De forma, que unidas,
Diziam das mais belas sinfonias,
Sincronia...
Melodias em perfeita companhia!

Oh, escritor!
Escreveu no silêncio,
Escreveu nos ruídos.
Das ruínas levantou pilares, cantares, falares.
Silenciou vozes,
Salientou clamores,
Ergueu prantos e gemidos!
Despertou a música,
Afinou as cordas do piano ali, outrora esquecido.
Coloriu neblinas,
Enegreceu paisagens,
Criou labirintos,
Desfez amores,
Refez cantares.
Causou prantos e risos.

Em tão pouco tempo...
Em tantas Eras!

Das letras fez composições
Como se fossem seus dós, rés e fás.
Colocou-as na partitura da vida,
Tirou sentimentos,
Trocou lágrimas em sorrisos.
Emprestou novos sentimentos,
Expressou sentidos,
Afinando ao compasso, quem os entendesse
E desafinando os ausentes.

Dormiu. Sonhou.
Acordou. Escreveu.
Sonhou: Escreveu.
Sonha aquele que escreve
Ou escreve quem sonha?
E o escritor escreve sonhando,
Ou sonha enquanto escreve?

As letras, a música.
A voz, as letras!
"O amor é a melhor música na partitura da vida", dizia o poeta. "Sem ele, você será um eterno desafinado".
O amor pela música. Pela rima. Pela bela poesia!


Loretta di Fiori.