domingo, 6 de abril de 2014

Acordes do Silêncio


Permaneci em silêncio.
Não escrevi.
Não falei.
Deixei que os anos
Se permanecessem no silêncio.

As páginas continuaram em branco,
As penas, sem tintura.
As lágrimas secaram.
Mas suas marcas marcaram por onde estiveram.

O mundo ainda girava,
As estações me faziam
Lembrar que ainda
Permanecia em silêncio,
Enquanto bradava  o mundo
Ao meu redor.

O sol e a chuva intercalavam
Em apareceres e desapareceres.
A música não quis mais que fosse tocada.
As prosas e os versos
Não quiseram ser pronunciados.

Até que este silêncio foi interrompido
Pelo clamor de um olhar.
Não havia nada nem ninguém
Que deixassem de percebê-los.
Os mesmos ventos
Ao som das mesmas melodias,
Os mesmos quereres e dissabores
De repente começam a, lentamente,
Escrever naquelas páginas
Que há muito estavam em branco.

Os mesmos motivos,
As mesmas ânsias e alegrias,
Surgiram do abismo silenciosamente
Ao coração dos ossos secos.

Ainda reclamais do silêncio?
Ainda o preferis?

Nesse turbilhão de momentos
É agitado demais,
E sobremaneira perigoso.
A calmaria que vem cegar os olhos
E emudecer os gritos
Talvez faça bem!

Há tanto não ouço esse som...
Que saudade!
Dó, ré, sol, fá#
Ainda me lembro das notas dançando
No salão de festas.
Percorrendo as páginas com cinco linhas.
Acordes que choram,
Violino e guitarra.
Clássico e intenso.
Nuvens sem água
Navegam agora pelos céus deste coração!

Loretta di Fiori.

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