Você escreveu o que queria.
Usou tons sombrios e sem cor,
Misturando palavras melancólicas
E sem riso;
Que dos olhos de quem as lê
Descem lágrimas,
Percorrendo longos e curtos caminhos.
Escreveu o que sentia.
Usou de suas ferramentas,
Descreveu traumas, sofrimentos,
Solidão, dores e angústias,
Que no fim, borraram as letras.
Retratou gargalhadas sem entoar nenhum som.
Pintou retratos de histórias antigas,
Lançou suas ânsias pelo futuro do presente.
Que no fim, gerou riso nos lábios de quem as viu,
Modificando o pretérito para que fosse mais-que-perfeito.
Escreveu o que não dizia.
Construiu ferramentas
E ergueu muralhas sem entoar
Um vocábulo, um tom.
Mas chamou suas letras
Para pô-las em verso, em rima.
Em canto, enquanto cantava,
De forma, que unidas,
Diziam das mais belas sinfonias,
Sincronia...
Melodias em perfeita companhia!
Oh, escritor!
Escreveu no silêncio,
Escreveu nos ruídos.
Das ruínas levantou pilares, cantares, falares.
Silenciou vozes,
Salientou clamores,
Ergueu prantos e gemidos!
Despertou a música,
Afinou as cordas do piano ali, outrora esquecido.
Coloriu neblinas,
Enegreceu paisagens,
Criou labirintos,
Desfez amores,
Refez cantares.
Causou prantos e risos.
Em tão pouco tempo...
Em tantas Eras!
Das letras fez composições
Como se fossem seus dós, rés e fás.
Colocou-as na partitura da vida,
Tirou sentimentos,
Trocou lágrimas em sorrisos.
Emprestou novos sentimentos,
Expressou sentidos,
Afinando ao compasso, quem os entendesse
E desafinando os ausentes.
Dormiu. Sonhou.
Acordou. Escreveu.
Sonhou: Escreveu.
Sonha aquele que escreve
Ou escreve quem sonha?
E o escritor escreve sonhando,
Ou sonha enquanto escreve?
As letras, a música.
A voz, as letras!
"O amor é a melhor música na partitura da vida", dizia o poeta. "Sem ele, você será um eterno desafinado".
O amor pela música. Pela rima. Pela bela poesia!
Loretta di Fiori.
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