Sem perceber, a música vai seguindo cada compasso.
Com staccatos e legattos, segue sem direção,
Como nuvem sem água, levada por ventos daqui e de lá.
O fim da ópera, apenas o Maestro sabe.
Ele vai guiando cada diminuta e cada Fermata.
O pianista observa suas notas em sua partitura,
Como quem observa seu comportamento na vida.
Uma Escala maior, outra menor.
Às vezes meio desafinada,
Ou descompassada.
Mas, quando ele pensa que é o fim,
Encontra o Ritornello
Que o faz voltar desde o início.
Parecia que havia sido sanado,
Que havia sido esquecido
Por seus ouvintes aquele começo.
Às vezes relutante, ele tenta seguir
A composição sem pausas.
Mas é mais forte.
Aquele que não sabia o fim que se daria
Se vê com as memórias ali,
Virando as páginas,
Tocando aquelas notas sombrias.
O Maestro sinaliza,
Ritornello em seguida.
O pianista respira fundo
E leva suas mãos à mais triste melodia:
O começo da sinfonia!
A música é em Andante, pianíssimo
Sem allegro nem alegretto.
Apenas com acordes sustenidos e bemóis
Que fazem do clamor daquelas notas
As lágrimas de quem as toca.
Ouvi-las e tocá-las? Ele reclama.
Mas segue.
E ao começo então,
Retoma sua canção.
Sendo triste e sombrio,
Encanta e gera emoção!
Loretta di Fiori.
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