Do lado de cá, contemplo a água tentando fazer graça.
Ela resiste ao vento que insiste a soprar,
E faz malabarismos na janela sem se importar.
Escorrega de um canto a outro.
Até deslizar e se espalhar.
São pingos de chuva,
Sinal de que o céu se entristeceu
E das nuvens, despencaram lágrimas.
Estou sentada, a vislumbrar
O que estes olhos cegos
Podem ver.
O tempo continua a correr,
O destino está distante ainda,
Tenho tempo para escrever!
De repente, dos olhos,
Emanam recordações
E memórias,
Que escorrem pelo rosto,
Deixando marcas.
São imagens, lembranças.
Frases, rostos, risos, perfumes e sabores.
Música...
E, num instante, sons vêm e vão.
Passado - presente
Tentando montar o futuro,
Que permanece ausente.
A viagem se segue para frente,
E meu coração,
Permanece lá atrás.
Mas a ópera não pode parar,
Não pode voltar!
No meio da pauta,
Uma pausa.
Que tal pontuá-la?
Dessa forma, a semibreve não será nada breve!
Um tempo para imprimir dos olhos
Essa composição
E deixar que o tempo, cicatrize meu coração.
Volto então, à minha triste canção.
O céu já secou suas lágrimas,
E minha janela voltou a refletir.
Tudo aquilo,
Ficou no vagão de trás.
Podemos seguir viagem
E chegar logo à Estação.
O trem azul ainda
Destila paixão.
Loretta di Fiori.
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