quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Quando não há nota alguma

Saudosa vista, me fez suspirar.
Contemplei aquela partitura
Sem nota alguma...
Pareciam nuvens no céu,
Que fazem formas
De acordo com o que queremos enxergar.

Assim, me vi diante de minhas teclas brancas e pretas,
Com as mãos diante delas,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

Daquela valsa,
Só uma melodia brotava:
"Eu perguntava: 'Do you wanna dance?'"
E olhava para aquelas notas desformes
Lançando esse desafio.

Elas saltavam das pautas
Mas não dançavam.
Antes, pareciam desafinadas.

Em legatto, eternas esquecidas.
Em staccato, doce melodia.
Jamais fariam um alegretto,
Muito menos um dueto.

Assim, fechei a partitura.
Aquelas notas não faziam música.
E quando não há nota alguma,
Essa ópera não é digna.

Mas, aquele ritmo insistia:
"Do you wanna dance?"
Por que então, não levantar
E seguir o compasso das batidas deste coração?

Espere!
Posso cair.
Posso decepcionar o Maestro
Que me espera no mês de dezembro
Para o concerto.
O que devo fazer?
Enquanto insistia aquela sutil melodia...

Mas percebo, que não é de concerto
Que minhas mãos precisam...
Elas anseiam por aquela melodia
"Do you wanna dance?"
Que as desconsertam.
Mudando assim,
Até o ritmo do compasso
Para binário.
A intensidade, de andante expressivo para
Piano pianíssimo,
A misturar-se ao forte fortíssimo!

Quando percebo,
Estou ali, sentada
Com as mãos diante do preto e do branco,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

E olho para minha partitura,
Não há nota alguma.
Levanto.
De repente:
"Do you wanna dance?"
Dispara daquele dispositivo
Em cima da mesa.

Quando não há nota alguma,
Há sempre uma melodia
Que traz todas as memórias consigo!


Loretta di Fiori.

Nenhum comentário:

Postar um comentário