Estava ela a tocar
Os mais finos e requintados acordes.
E o céu, com sons de trovão,
Respondia
Àquela canção.
Porém, esquecera de fechar sua partitura,
Quando saíra às pressas.
Até a janela aberta
Pareceu-lhe não incomodar.
Parte para um outro lugar.
Distante de todos onde já estivera.
E a sensação das gotas molharem
Seus cabelos
E parecer-lhe lágrimas dos olhos,
A fez recordar-se de sua música.
Até que atinou com aquela
Partitura outrora esquecida
E, em fermata,
Pranteou sua agonia.
Estava em um lugar
Que lhe parecia um vale.
Chovia,
Era a única coisa que sabia!
E em notas staccatas,
Tenta alcançar o fim da estrada.
Como poderia continuar tocando tal música
Se a partitura molhada estivesse?
Seu coração só marcava um compasso.
Até que a pausa de semibreve
Surgira
E ao solo, caíra.
Chovia!
Tenta recordar dos versos,
Enquanto sofria, ali, sozinha.
Compõe uma triste melodia...
Nada parecia com aquela
Que parecia já esquecida!
Até que em um instante,
Retorna à sua partitura.
Estava ali, molhada...
Manchada!
Quase rasgada.
Com cuidado a toma em suas mãos,
Também molhadas,
Afinal, só chovia.
E, então, ela se desfaz,
Se desmancha em suas mãos.
Fora a última canção!
Desde então, ela silenciou.
Emudeceu inclusive seu coração.
Enquanto a última visão se esvaía.
Oh! Lamenta...
Até que o arco-íris resolve
Compor um alegretto.
Depois de um longo período de negridão.
A janela permanece aberta.
E ela, ao acordar,
Decide voltar a tocar.
Havia guardado a partitura molhada
Que já secara e enrugara.
Nada via, além de suas marcas.
De suas lágrimas!
Decide, em Ode Tristesse
Compor-lhe uma homenagem.
Volta suas mãos às teclas
E retoma sua última canção.
E percebe então,
Que quem lhe guiara era o coração
Pois aquela música não havia se perdido
No tempo, nem no espaço.
Parecia até que sua partitura nunca molhara!
Memórias...
Eternas memórias!
Loretta di Fiori,
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