Vidas confortáveis,
Movimentos instantâneos -
Não se pode perder o tempo!
Até aqueles que nada fazem
Não encontram tempo
Para continuarem no nada.
Pessoas fluidas,
Líquidas demais.
Tensão superficial
À flor da idade.
Vidas dirigidas por controles remotos.
Basta um click e outra dimensão é acionada.
Viajam.
Conhecem mundos, culturas...
Sem saírem de suas casas.
Afinal, o sofá é confortável demais!
Não se pode ser passado para trás.
Mundo cercado de elevadores,
Escadas que poupam as pessoas de suarem.
Do fast food...
Onde os pés caminham rapidamente
E a mente, cada vez mais, lentamente.
Uma batida de mãos,
A luz acende.
Uma captação das ondas sonoras,
Ele disca.
Aperte o botão!
"Não há tempo nesta estação".
"Não se pode deixar para o próximo verão".
Tempo!
Ausente tempo!
Escassa liberdade.
Hiperbólicas vontades.
Todos necessitam,
Todos precisam.
"Se ele tem,
Como não tenho também?"
Nisto, cresce a altivez e a valentia.
Soberba da vida!
Esta não parece passar com o tempo.
Mas a ficar em cada momento.
Pessoas vêm e vão.
Muitas apenas vêm.
E todas as outras se vão.
Afinal, não há tempo a perder.
Aos sinais vermelhos parecem sempre ceder,
Para o tempo nunca se perder.
Aperte o botão.
Loretta di Fiori.
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