O que acontece quando se vê uma fotografia,
Quando se sente um perfume,
Quando contempla aquela flor, dada de presente?
Vamos, o que acontece?
E quando se ouve aquelas músicas,
Mas não se ouve a voz,
E nem se tem o "nós" nas frases?
O que acontece?
À medida que se passam os dias,
Que a terra completa mais um movimento de rotação,
Abrindo os céus das minhas, das nossas manhãs
Com a luz do sol.
E fechando meus dias, nossos dias, com o brilho da branca lua.
Sim, com isso, vou contar agora:
Talvez aconteça de eu estar morrendo lentamente,
Esperando por um simples "olá".
Sentada, passando meus dias, minhas noites
Sem nada a sobrar mais neste mundo.
Diga para o mundo parar de girar,
Para as flores pararem de nascer...
Para esta que escreve versos em manuscritos,
Não mais pegar no papel e na caneta.
Mas prometi não me render.
Não ceder lugar às lágrimas.
Eu prometi!
Então, o que acontece?
As noites são longas demais.
Os dias, frios demais.
Mas saiba que ainda espero.
Muitas vezes escrevi e não mandei.
Coloquei cartas numa velha garrafa...
Fiz um desejo e lancei para longe.
Talvez, tolice esperar por não saber o que.
Mas, prometi.
Assim, o que acontece?
Aqui, do outro lado,
Além do sol,
Escrevo.
Componho.
Rabisco.
Desenho.
Canto.
Perto demais.
Longe demais.
Aqui, ali.
O que saber?
O que acontece?
Não consigo enxergar.
Não dá! Já tentei inúmeras vezes...
Volto a sentar,
Escrever.
Compor.
Minhas notas brancas e pretas conhecem o tom desta melodia.
Aquela caneta, a flor, já descreve o que quero escrever todos os dias.
Mas para que?
Afinal, tudo isso para que?
Vamos, o que acontece?
Não sei!
Mas, sinto sua falta.
Loretta di Fiori.
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