sábado, 15 de fevereiro de 2014

Inconstantes

Nuvens sem água,
Levadas por ventos...
Para onde irão?

Árvores secas,
Ninguém sabe quais frutos
Um dia, esta cedeu.

Taças vazias,
Manchadas pela bebida
Que um dia serviu.

Olhares distantes,
Ninguém perguntou
O porquê.

Trens sem rumo,
Vagões marcados pelo tempo.
Onde já estiveram?

Vidas solitárias,
Mãos desacompanhadas,
O que esperar?

Corações gelados,
Costurados pelas linhas da amargura.
O que aconteceu?

Pessoas distantes,
Muros construídos.
Cores cinzas.
Amores inconstantes,
Sentimentos perfeitos.
Memórias esquecidas,
Fotografias rasgadas e
Pinturas envelhecidas.

Palavras distraídas,
Atitudes incompreendidas.
Pensamentos sombrios,
Lágrimas caídas.

Passos largos,
Medo.
Rastros de paixão,
Desejo.
Desapego da emoção.

Risos amassados,
Olhares desperdiçados.
Gargalhadas falsificadas,
Lágrimas disfarçadas.

Fugas para o esquecimento.
Lutas para manter em segredo.
Discretos,
Sinceros.
Seus afetos.

Sóis azuis.
Céus larajandos.
Lua prateada,
Estrelas douradas.
Noite de lua cheia,
Solitário reflexo na sacada.
Janela entreaberta.
Cortina balançando.
Sirenes.
Gritos.
Gemidos.
Amores.
Faróis.
Luzes.
Fumaças.
Dores.
Noite, noite.

Alma pálida.
Corpo sem curvas.
Mãos manchadas.
Crime perfeito.
Um bom disfarce.
Ganhe essa carta.

Esqueça.
Não, vá...
Fique!
Siga os sons.
Não ouço.
Eu também não.

Efeitos inesperados.
Cartas marcadas.
Ruínas sinalizadas.
Cidade adormecida.

Príncipe Encantado.
Bela Adormecida.
Acorde!
Estão todos lá fora.
São dez para as seis.
Céu colorido.
Trilhas de arco-íris.
Onde estão todos?

Inconstantes.


Loretta di Fiori.

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