Uma vez decidi que partiria
Para um lugar onde nada
Me trouxesse lembranças
Daquele tempo.
Decidi que ali seria meu refúgio,
O meu castelo, só que na areia.
Resolvi escrever tudo em um papel,
Sair correndo
E, no meio do nada,
Sob o pôr-do-sol,
Queimar minhas lembranças
E jogá-las ao vento.
Me esqueci, porém,
Que as únicas coisas
Que me restavam de você,
Eram estas lembranças.
E percebi isto,
Quando as escrevi no papel.
Então, voltei correndo.
Destruí o castelo de areia.
Chovia.
E as gotas da chuva
Se misturavam às minhas lágrimas.
Lágrimas de dor,
Lágrimas de saudade,
Lágrimas de papel.
Hoje, não quero jamais
Perder nenhuma lembrança
Daquele tempo.
Todos os dias
Me sento,
Me perco nas memórias,
Memórias daquele tempo.
E escrevo minhas lágrimas de papel.
Todos os dias me deito,
Me lembro.
Sou recordação,
Você é a saudade.
Mas são apenas lágrimas,
Lágrimas de papel.
Loretta di Fiori.
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