sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quebra e Refaz

Há alguém ali,
Seu rosto parece vazio
E seus olhos, opacos demais.

Anda com pesar,
Afinal, a vida lhe impusera muitos fardos.
No seu corpo,
Há marcas dos lugares por onde passou.
É o que restou!

Se ouve uma voz:
"Como cheguei até aqui?
Não sou quem eu pensava que era,
Nem o que um dia eu fui".

As chagas em seu rosto
Mostram que de dores,
Sofreu pelos amores.

Nada parece alegrar
Aquela alma.
A sua harpa
Está pendurada
No salgueiro.
Seu violão perdeu o som,
E seu piano, fechado pelo tempo, ficou.

Não se ouve riso,
Nem júbilo de seu coração.
Apenas, lamentos de indecisão.

Do seu passado não quer se recordar,
E se acusa a acreditar que seu futuro vai
Raiar,
Sim, como sol, ele vai surgir no horizonte.

Seus pés, para o deserto partem.
Estão marcados pelo tempo,
Desespero!
Mas, prosseguem,
Afinal, chegaram até aqui.
A boca seca,
As pernas mancas clamam!

Mas o oásis está logo além da montanha.

Olha para o lado e não vê...
Não há ninguém ali!
Já desistiu de tudo,
Já deixou para trás...

Seu coração insiste:
"A minha carreira completarei,
Nunca, jamais serei o mesmo".

Sua alma retruca:
"Esse ser parece
Fraco demais,
Cego demais!"

"Nada disso,
É muito maior que todos os erros que cometeu no passado,
Que todos os problemas, e que todas as lutas".

Então, chega seu Oásis...
O que há do outro lado da montanha?



Loretta di Fiori.






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