terça-feira, 2 de junho de 2015

Depois da Chuva

Vivia sua vida
Pacata, sorridente
Longe dos sonhos
Que há muito deixara.

Compôs novas rimas,
Novas melodias.
Porém, vez ou outra
Recaía em suas lembranças.

Até que sua primavera
Abre uma nova flor...
Daquela árvore que esquecera
E deixara para trás.

A chuva lhe regara
Estação após estação,
Vivificando sua solidão.

E ela, que tanto se entristecia com a chuva
Mal sabia o bem que esta estava a lhe trazer.

"Oh doce sonho!
Você enfim de volta.
Como posso acreditar que és real
E não, fruto da minha fantasia?'
- Era a cantiga que ela entoava
Todos os dias ao esperar o desabrochar daquela flor,
Que ora nem se quer se abria.

Isto, em si, lhe consumia!
E passou a esperar todos os dias
O depois da chuva.

Gotas que despencavam de sua janela
Se misturavam àquelas que de seus olhos desciam.
Era tão difícil esperar
Pelo fim daquela sonatina.

Notas prateadas que desciam do céu
Escuro...
Que clamava em voz de trovão
À terra, sobre sua solidão.
Queria que todos lhe ouvissem
E sentissem o peso das suas lágrimas
Que para ela, não era maior do que a
Dor de sua espera.

Suspirava.
Cantava.
Escrevia...

Lançava seu olhar aos céus
E buscava uma resposta
Do Maestro
Sobre quem Ele escolheria
Para lhe ser um dueto
De modo que pudessem
Tocar sua próxima poesia.

A chuva se ia como um rallentando.
Se despedia da terra que encharcara.
E ela se partia para ver se sua flor
Havia-se sorrido a alguém mais.


E era o que ela fazia todos os dias
Depois da Chuva.


Loretta di Fiori

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