Deitada.
São dez para as seis da tarde.
A cor do céu
E o cheiro da janela aberta
Recordam minha infância.
Saudosa e feliz infância!
Onde não havia partidas,
Nem de erros se sofria.
Onde não chorava as feridas
Nem as despedidas.
Olho para o teto,
Só há sombras
E um triste quase negro.
Meus olhos viram-se para o lado de fora,
Ainda há um pouco de luz.
Mas não o suficiente para
Iluminar meus olhos
E alegrar-me a alma!
Crepúsculo vespertino,
Que, tal qual, vai anoitecendo minha vida,
Roubando-lhe a alegria
Enquanto esqueço-me dos dias em que me ria.
Já não há vida,
Apenas suspiros
Que esperam o fim dos dias,
Na solidão,
Imbuídos de desconsolo
E massacrados pela dor.
Nesta noite,
Da lua me despediria,
Mas nem ela veio para a minha partida.
Resta-me o desgosto
De uma vida mal vivida
E de uma fé corrompida,
Esmagada pela desesperança.
Vou-me em breve, desta vida.
E o que me aconteceria
Se a esta,
Nem tivesse vindo?
Ah!
Alegria, certamente,
Pois minha vil existência, nem haveria.
Loretta di Fiori.
Nenhum comentário:
Postar um comentário