sábado, 6 de agosto de 2016

Sobre o Fim

Deitada.
São dez para as seis da tarde.
A cor do céu
E o cheiro da janela aberta
Recordam minha infância.
Saudosa e feliz infância!

Onde não havia partidas,
Nem de erros  se sofria.
Onde não chorava as feridas
Nem as despedidas.

Olho para o teto,
Só há sombras
E um triste quase negro.
Meus olhos viram-se para o lado de fora,
Ainda há um pouco de luz.
Mas não o suficiente para
Iluminar meus olhos
E alegrar-me a alma!

Crepúsculo vespertino,
Que, tal qual, vai anoitecendo minha vida,
Roubando-lhe a alegria
Enquanto esqueço-me dos dias em que me ria.

Já não há vida,
Apenas suspiros
Que esperam o fim dos dias,
Na solidão,
Imbuídos de desconsolo
E massacrados pela dor.

Nesta noite,
Da lua me despediria,
Mas nem ela veio para a minha partida.

Resta-me o desgosto
De uma vida mal vivida
E de uma fé corrompida,
Esmagada pela desesperança.

Vou-me em breve, desta vida.
E o que me aconteceria
Se a esta,
Nem tivesse vindo?
Ah!
Alegria, certamente,
Pois minha vil existência, nem haveria.

Loretta di Fiori.

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