sexta-feira, 15 de julho de 2016

O que não se vê

A árvore está ali,
Frondosa em pleno inverno.
Enquanto tantas outras secaram-se,
Mantém suas flores a encantar
Os olhos de quem passa.

Não vêem que há vida em seu interior.
Não enxergam as seivas que fluem
Dos pontos mais remotos...de uma extremidade a outra para alimentá-la.
Vida invisível?
De lá que vêm as cores.
De baixo que mantém-se em pé.

O que todos vêem é resultado
De seus invernos passados.
Sem eles, não viveria.
Sem eles, jamais floresceria.
Mas, como muitas, morreria seca sua raiz
E no chão, ali ficaria até ser esquecida.
Vivaria tronco,
Serviria de apoio.
Mas beleza ali, não mais haveria.
Apenas histórias...
De pretéritos perfeitos e de outros,
De nada perfeitos, que vieram a tornar-se imperfeitos.
Mas apenas história.

Talvez seja esse o destino dessas...
Servir para ser regada pelas crianças
Que esperam crescer e junto delas,
A árvore que plantaram.
Muitas sobrevivem mesmo quando
Quem delas cuidou e regou se vão.
Outras, não aguentam pensar na solidão
E vão-se antes do tempo!

Ah!
Viram história.
Sorrisos de um sertão.

Outras, são apenas para admiração.
Não sabe-se quem as regou,
Mas distantes, contemplam-na.
Virarão história, claro que sim!
Mas não pretéritas e sim, futuras.
Quandi voltarem para suas casas, delas falarão,
Ou ainda, as terão em fotografias!

Ah!
Que bela recordação!

E ninguém viu a vida que havia ali,
Dentro delas.
Mas todos reconheciam que era aquilo
Que as tornariam histórias!
Belas e frondosas histórias.


Loretta di Fiori

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