Caem do meu coração.
Aqueles momentos que passaram
Por um instante,
Mas que formaram memórias
Que ficarão para a eternidade.
Quanto valeu tudo isso?
Aquela pobre alma, perdida na rua
Carente de um olhar,
Suplicando redenção.
De repente, alguém passa.
"Seria esta minha salvação?",
Pensa ali, emudecido pelo tempo.
E outros, e outros, e outros alguéns.
Até um aparecer,
Se compadecer e dar-lhe o que queria.
Aquele abraço,
Aquele olhar e um sorriso.
Simples assim,
Sem cobrar nada!
Aquele deserto,
Com o seu chão, desnudo,
Sujo e rochoso.
Os pés que por ele passam,
Bem o sabem que dali não brota flor alguma.
Até, que com o cheiro das águas,
Produz aquele ramo verde...
Sem cobrar nada!
Aquele órfão,
Que teria todas as razões do mundo
Para odiar a todos,
E querer se esconder.
Seus olhos suplicam amor.
Suplicam compaixão.
Alguém, de distante se fez próximo,
E com ternura o envolve
Dando-lhe o amor que precisa,
Sem cobrar nada!
Sorrisos,
Olhares,
Carinho,
Preocupação!
Abraços de graça!
Sem cobrar nada.
Para que?
A vida não passa de uma neblina.
Todos, em operação comboio caminham
Para o mesmo fim.
Mas esse caminho para o matadouro
Traz tortura,
Angústia...
Solidão,
Derrota!
Desprezo,
Abandono.
Mas o caminho permace ali.
Imutável! Inabalável!
E ele não cobra a passagem!
Loretta di Fiori.
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