Escrevia sobre como via o mundo em que vivia.
Escrevia as notas que eram por ela tocadas.
Fazia rimas com as melodias.
Em uma velha praça
Se assentara, para de sua bolsa
Puxar o caderno que carregava suas histórias.
Caderno enfeitado e perfumado,
Ninguém imaginava as coisas que ele trazia.
Eram poemas de uma vida,
Que como todas,
Era composta não só de rimas,
Mas de frases frias
E pouca sintonia!
Mas em cada página,
Uma cor.
Um novo mundo,
Que, embora fosse de uma mesma vida,
Não fazia-se apenas de retas linhas.
Eram curvas,
E até claves.
Escrevia então, todas as vidas.
As que conhecia e as que não sabia!
E delas, como trilha,
Iam-se e perdiam-se de sua mira.
Escrevia o que poucos viam.
Como o toque da Lua na pele fria desse Mar,
Que deixava suas ondas beijarem as areias da praia
Para não deixá-la seca.
Como o que faziam aquelas estrelas que caiam
A cada desejo que as pessoas lhes faziam.
Como as notas estão nas músicas que tocam nas ruas da vida
E em como perspectivas dão novo sentido a coisas já antigas.
E em cada página
Uma lágrima,
Um sorriso.
Uma música,
Uma saudade...
Que embora pertencesse a uma mesma vida,
Não deixavam que ela se passasse vazia.
E naquela praça então,
Novos versos compõem sua nova canção.
Seria aquele casal de velhinhos
Ou o moço ali, sozinho?
E com isso, com caneta na mão,
Escreveu versos do que mais lhe tocou o coração!
Loretta di Fiori.
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