quinta-feira, 30 de maio de 2013

Quatro Estações

Quando as flores nascem,
Tão lindas, que perfumam qualquer lugar.
Quando suas cores alegram meu dia,
Quando a brisa toca e o sol me ilumina,
Sinto o frescor,
Sinto o amor,
Sinto a primavera renascer em meu ser.

Quando o sol aparece,
Quando o brilho é mais intenso.
Quando quero voar,
Quando quero sorrir,
Me vejo, me sinto.
Me perco, me encontro.
As noites são quentes,
São intensas e coloridas.
É o meu verão,
Minha estação.

Mas há um momento em meu ser,
Que as cores começam a desaparecer.
Que as flores, lindas flores,
Começam a cair.
Se despedem de mim,
Me dão adeus,
Partem para bem distante.
O colorido de repente,
É marcado por cinza.
Cimento. Calçada. Ruas da vida.
Becos sem saída,
Fim da estrada.
É o outono dizendo que meu inverno
Está se aproximando.

Enfim, minha tão temida estação ressurge.
Aqui, só há frio.
Aqui, só há solidão.
Não há cores, não há carinho.
Não há sentido, não há brilho.
A lua mostra suas marcas,
Me dizendo do que ainda terei de passar.
As árvores estão secas,
Sem esperança parecem estar.
Os ventos cortam meu rosto,
Marcado pelo tempo,
Carregando cicatrizes do inverno passado.
Curando dores da estação passada.

Oh inverno!
Tão seco, tão sombrio.
Tão frio, tão distante.
Todos parecem estar como você.
Todos parecem se sentir como eu.
Mas não. Estão todos bem.
Ficarão todos bem.
Afinal, vai passar.
Logo, minha primavera vai chegar.
A estação das cores,
Dos sentidos e emoções.

Eu quero que vá?
Não, fique.
Está bom assim...
Já me acostumei.
Fique.


Loretta di Fiori.

Valsa do Adeus

Girando, girando, girando.
Hora de parar.
Tudo continua girando.
As estrelas estão em movimento,
A lua está se exibindo tão de perto.
As ondas estão agitadas,
As areias da praia, tão inquietas.

De repente, o silêncio.
A brisa tocando o rosto,
Me fazendo lembrar.
Mas quero continuar girando,
Assim, as coisas não têm sentido mesmo.
Quando estão inertes, me preocupam.

Vejo o brilho tão ofuscado.
Vejo os sons tão silenciosos.
Vejo os sorrisos tão fechados.
As saudades apareceram,
As cores cederam seu encanto
Aos frios preto e branco.

A minha tela está vazia.
Meus pincéis estão limpos.
O meu piano está aberto,
Mas não consigo tocar nenhum acorde.
Os meus olhos estão fechados,
Mas não consigo deixar de te ver.
Os meus escritos estão sem rima,
Mas não sei parar de escrever.
A minha valsa está desafinada,
Mas não me importo.
A minha vida está sem você,
Mas não é o fim.

Girando, girando, girando...
Talvez isso passe.
Silêncio!
Não! Não vai passar.

Terei de parar de girar.
Terei de ver o céu parado.
Terei de ver as coisas sem brilho.
Terei de viver.

Só mais uma vez,
Só mais uma...
Até essa minha valsa, dar adeus!
Se foi?
Adeus!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Poesia da Primavera

Cai, lentamente ela cai.
Tão frágil e cheia de vida...
Mas, tão inesperada e surpreendentemente,
Ela cai.
Branca. Rosa. Vermelha.

Mas volto o olhar,
Logo ali.
Sim, logo ali vejo outra
A nascer.
A aparecer neste mundo,
Naquele mundo.
Trazendo sua cor,
Sua beleza,
Sua particularidade.
Seu remédio,
Seu fascínio.

Primavera.
Primavera da minha alma,
Que há tempos secava no árido inverno.
Que jazia no frio da solidão,
Hibernando saudade...
Hoje, marca o início de sua estação.

Cores, perfumes e sabores.
Brilhos, formas e saúde.
Brisa dos ventos de mudança,
Das nuvens estranhas...
Leve meus alentos, meus lamúrios em versos.

Ergue-se!


Versos em prosa.
Versos em rima.
Primavera em poesia.

Loretta di Fiori.

Meu passado, Meu presente, Meu passado

Sentimentos não são assim, tão fáceis de serem mudados.
Mudam-se os tempos, mudam-se as formas.
As cores desbotam.
As forças se esgotam.
O passado, em seu presente, é futuro.
E o futuro hoje, é presente,
Mesmo quando fora passado.

Mas o que importa?
Trago as dores,
As lembranças,
As sensações,
Os pensamentos,
As saudades.
Passado.
Presente.

O que passou, ficou ainda hoje.
Não muda-se assim, tão facilmente.
O que foi escrito ontem,
Não mudou,
Se transformou,
Acrescentando-se novas vivências,
Novas perspectivas.
Mas ainda não mudou.
Presente.
Passado.

Aos vinte e poucos anos,
O que esperar?
Do passado, lições.
Do passado, o meu presente.
Que é um presente.
Um inesperado.
Pois no meu passado,
Nunca sonhei com este presente,
Recebido de presente.

Meu passado.
Meu presente.
Quem sabe, meu futuro!


Loretta di Fiori.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Uma conversa com Loretta


Recentemente tive a oportunidade de ter uma ótima e amistosa conversa com uma pessoa incrível, Loretta di Fiori. Descomunal (e só poderia ser assim), houve filosofia, pensamentos retrógrados (que são sua marca) e tons de melancolia, mas não eram 50. Não confundam.
Talvez a própria Loretta não esperasse o tanto de perguntas que lhe fiz a fim de conhecer um pouco esse mundo encantador onde vive. A minha sede de ouvi-la, tal qual a de lê-la, era tanta, que eu nem mesmo falava. Apenas dizia uma palavra e deixava-a definir, resenhar, exemplificar e explanar. Uma dádiva.
Percebi naquele instante que o mundo de Loretta é um mundo mágico e inexistente. E isso a faz ser quem é: encantadora, misteriosa e frágil. Chego a essa conclusão porque não pode ser deste mundo, deste nosso mundo, desde mundo de vocês uma pessoa que se inspira facilmente com cansaço. Ou quando não dorme. Sinceramente, antes eu não imaginava alguém que escrevesse belas poesias ao som da chuva. Agora torço para que chova.
Em determinado momento, falamos sobre sua melancolia e qual foi a minha surpresa? É algo que a inspira mais do que um momento feliz. Em suas palavras, “pouco escrevi quando estive realmente alegre”. Inspirações são particulares, melancolias são particulares. Mas como classificar alguém que se inspira e faz belíssimas obras a partir de uma tristeza? Ser testemunha de um momento triste, para ela, é tão inspirador quanto ler Caio, Vinicius, Carlos, Quintana.
Loretta valoriza no relacionamento o cuidado, os valores. Acredita no ser humano como um ser relacional e por isso o exalta. A capacidade de relacionamento do ser, para ela, é algo fascinante. Uma escritora, uma pensadora, talvez filósofa, apostando no relacionamento e o citando-o com as palavras “lindo e necessário” é realmente maravilhoso. Acrescente, agora, nestas palavras, melancolia. E pronto, temos Sempre-em-mente, Discretamente, Outra história, e outros tantos achados maravilhosos deste ser relacional que é a própria Loretta.
Como toda magia tem um fim, toda conversa, por mais maravilhosa que seja, também tem. E não menos mágico do que todo o restante da conversa, nos despedimos falando sobre nossas filosofias de vida. Loretta mostrou toda sua grandeza ao me dizer que acredita que a essência do homem é feita de amor e de dor. Segundo ela, é o que nos dá vazão. É o que nos intriga, nos aflige, mas nos conforta.
Realmente, depois de tanto ler Loretta e dessa conversa maravilhosa, chego a uma séria e complicada conclusão: ela nasceu, claramente, na época errada. Não obstante, a sociedade, o mundo de hoje precisa de Loretta. É necessário que ela esteja aqui, entre nós, nos presenteando com maravilhas e melancolias. É necessário que haja Loretta para equilibrar o racional e intenso emocional.
Necessário é que todas as pessoas possam conhecer e contemplar sua arte. Só assim poderão ser pessoas melhores. Não pode haver nada melhor e mais proveitoso para o equilíbrio social do que uma bela leitura, uma boa reflexão e um pouco de melancolia para o crescimento e amadurecimento das pessoas (assim como aconteceu comigo, confesso). É preciso mesmo, que todos tenham uma conversa com Loretta.

Lorenzo di Bianco

domingo, 3 de março de 2013

O Não-Lugar.

Existe um lugar,
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar -
O não -lugar.

Onde não sinto dor.
Onde meu coração não pulsa.
Onde meu ar é outro.
Onde minhas músicas,
Aquelas que são só minhas,
Encantam.

Existe um lugar.
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar -
O não-lugar.

Onde não há saudade,
Essa palavra tão pequena,
De longa duração.
Onde não caem lágrimas,
Sim, aquelas de solidão.

Existe um lugar.
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar-
O não-lugar.

Onde escrevo.
E só escrevo.
Mas não são lamúrios,
Nem versos corridos
E escorridos de sofrimento.
São versos em preto e branco.
Em sustenidos e bemóis.
E quem os ouve, os interpreta
Como quiser.

Nas palavras di Bianco,
É quase complicado acreditar nisso.
É quase estranho perceber isso.
É quase triste escrever sobre.

E ouso dizer que é nesse lugar,
Onde há o não-amor.
Sim, aquele deveras perdido.
Deveras aceitável, ou não.
Depende.


Existe um lugar.
Porém, só existe.
Assim como eu:
Só, existo.
E existe em um outro lugar-
Assim, como eu.

Esse lugar existe?
E eu, existo?

Sim, no não-lugar!


Loretta di Fiori.


Não-amor

É quase complicado acreditar nisso.
É quase estranho perceber isso.
É quase triste escrever sobre (e não poder fazer nada).
É quase difícil entender como isso funciona.
O não-amor. É amor, mas não. Regulado, limitado.
O amor que não se joga, o amor que não ama.
O não-amor é racional, sem loucuras e extravagâncias. É ponderado. Insosso.
Não pode ser amor. Não há entrega, há empréstimo.
Não há trocas de ideias, apenas conversas. Tolas, à toa. Soa passatempo.
Não-amor é coleguismo, é companhia e sem dedicação.
O não-amor não é de todo ruim, mas é incômodo.
Acompanha o amor esta partícula ingrata tal qual uma pedra no sapato (no calcanhar).
O não pesa. Assusta. Confunde, trai.
Não é desejo de ninguém, mas pode ser escolha quando só se tem uma escolha.
Para uma mudança, por fim, total é necessário a negação deste advérbio.
O único não aceitável no amor é que ele se torne um não-amor.

Lorenzo di Bianco.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sempre-em-Mente

Não era isso o que acontecia.
Afinal, meus olhos não haviam se fitado
Na imagem mais perfeita ainda.

Não era isso o que eu sentia.
Pois ainda não estavas ao meu lado,
Dando ao meu coração um motivo a mais para pulsar.

Eu vi você.
Senti seu toque,
Contemplei, apaixonada,
Seu sorriso.
De olhos fechados,
Senti a profundidade de seu abraço.

Desse momento em diante,
Dei-te um novo nome:
Sempre-em-Mente.
Sim, era a forma de lembrar-me de você.

Mas o tempo não quis.
Como uma fotografia
Que fica na caixa das lembranças,
Sofrendo suja e sozinha,
Sua imagem foi-se.
Não era mais meu Sempre-em-Mente.
A fotografia estava clara, com o passar de tantos anos.

Hoje, abri a caixa das lembranças,
Deixei as lágrimas caírem...
Seu olhar permanecera no fundo de meus olhos,
Não havia ido embora!
Estava ali, escondido depois de todos esses anos.
Em silêncio, resolveu mostrar seu sorriso.
Chorei ainda mais.

Mas não esqueci.
Você foi e ainda é meu Sempre-em-Mente.
Não posso mudar isso.
Meu coração já havia se acostumado.
Meus olhos já não te viam,
Nem mais te sentia.
Mas continuavas sendo meu.
Continuas sendo meu.
E serás até que a eternidade passe.

Dessa forma, o terei SEMPRE em minha mente!


Loretta di Fiori.

Presente não. Ratificação

Comumente, quando conheço alguém, penso: “Puxa, o que essa pessoa tem de bom para me oferecer?”. E também penso no que eu tenho de bom para oferecê-la. Aliás, antes de continuar, um apêndice deve ser feito: eu não vivo neste tempo de vocês, jovens. Até vivo, mesmo não querendo nem concordando.

Enfim, presente neste século, não obstante ausente do presente momento; deixando-o apenas na íris de meus olhos, como todo bom observador faria. E é esta minha discordância de vocês, jovens, que me torna quem eu sou. São minhas experiências, meus dias vividos sob sol ou lua (prefiro-lha) que me permitem esses pensamentos e me dão direito a essas indagações.

Dando continuidade à ideia primeira, quando conheço uma pessoa, realmente tenho aquele pensamento. Mas nós nunca temos, (o que, por acaso, é ótimo), a resposta logo de início. Passam os dias, situações diversas acontecem, os dias viram meses e só depois é que começam aparecer as primeiras respostas. Boas ou não, mas depois nos acostumamos.

Um convite inesperado, um telefonema à toa, uma passeada sem pretensão e algumas risadas trocadas sem espera de algo sólido como retorno. Afinal, o bom riso não tem preço e só acontece quando estamos à vontade com um amigo, um amor, um parente, um livro (por que não?).

Às vezes, algumas coisas acontecem e permitem que tenhamos algumas delineações acerca das respostas que podem emergir para a pergunta feita no primeiro parágrafo deste. Descobrimos que quem era amigo, na verdade, não passa de um aproveitador (isto é triste, mas acontece). Descobrimos que quem pouco víamos é um grande amigo e nos surpreende com várias visitas maravilhosas em meio a uma série de acontecimentos não tão felizes nas nossas vidas (acontece também, acreditem).E aprendo a lidar com cada uma delas.

Podemos até nos sentir traídos quando alguns mostram ser o que não queríamos que fossem. Mas, em contrapartida, recebemos um belíssimo e compensador presente de outros que provam e evidenciam fidelidade fraternal num simples gesto como, por exemplo, escrever mesmo sem ter tanta intimidade com isso. É belo, gratificante.

E, pertencente a intensa dialética da vida, recomeçamos nosso ciclo com novos filtros. Mas, admito que ainda é difícil pensar que, ao conhecer alguém, estou me expondo a um risco, seja lá qual for: moral, de integridade, financeiro, cultural. Tenho tendência a pensar que sempre tudo ocorrerá bem e sempre vai dar certo, mesmo pensando ser um presente quando acontece.

Mas, me ocorre que não é deveras um presente, é uma ratificação. Uma ratificação para a minha mania de acreditar.

Loretta di Fiori
Lorenzo di Bianco

Você me deu um Dostoievski

Momento exato: existe? Há quem diga que não. Talvez, não sei. Acredito, mas não. Penso ser mais verdadeiro quando você está disposto a seguir sua intuição, seu sexto sentido e assumir as consequências. Todas elas.

Você não precisava estar ali, mas estava. Você não precisava ser tão receptiva, mas foi. Você não precisava me tratar tão bem, mas tratou. Você não precisava sorrir, dizer tudo aquilo, mas o fez. Aconteceu.

Voltamos à pergunta: o momento exato existe? Você estava ali quando eu procurei. Isso significa que eu procurei no momento exato? Às vezes tenho dúvida, às vezes penso que é uma grande coincidência, um grande acaso. Mas será que o acaso me levaria até você se não fosse para eu chegar até você?

Eu não precisava ter te procurado, mas procurei. Eu não precisava de ninguém, mas te encontrei. Eu não tinha programado nem planejado, ou tinha. Eu precisava mesmo era ser feliz. E, num desses “momentos exatos”, eu te encontrei, e fui. E sou.

Você não precisava acreditar em mim, confiar em mim. Não precisava representar tudo que você representa na minha vida. Você não precisava ser tudo para mim, não precisava investir em mim, me incentivar... No entanto, você me deu um Dostoievski.

Lorenzo di Bianco.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um abaixo ao "quase"

Penso que esta palavra já foi o algoz de várias pessoas. Há que se fazer uma simples pergunta: o que é o quase?

Na minha modesta opinião, esta palavra deveria ser sinônimo de fracasso. Por exemplo, o Brasil quase ganhou da Rússia na decisão da Liga Mundial de Vôlei Masculino. Mas, não ganhou. Não somos decacampeões. O que atrapalhou neste exemplo, além do jogo que não foi do jeito que conhecemos? Justamente, meu caro, o quase. Agora, tire a palavra quase deste exemplo e pronto, fizeste o Brasil campeão mundial pela décima vez.

Para outras ocasiões também usamos o quase. Para dizer que você é o maior "pegador" da festa: "Já 'peguei' quase cinco" (mas, não pegou, fracassado). Eu atesto a minha provável burrice usando o quase: "Eu quase tirei 2,0 naquele teste".

Mas tem dois tipos de quase que me dão sensação de injustiça: o quase amor e a pessoa quase fiel. Ora, se você está com a pessoa é porque gosta, ama, sente-se bem ao seu lado, e é fiel. Qualquer coisa deste padrão que se modificar, inviabiliza esta conversa.

Se você quase a ama, meu amigo, pare de enganá-la e só volte à sua procura quando tiver certeza. O amor precisa, mas as mulheres mais do que precisam da nossa certeza, elas MERECEM (assim mesmo, tudo maiúsculo!) nossa certeza.

Visto que eu já tenha falado do amor, há a necessidade de se falar sobre quem é quase fiel? Talvez não. Essa eu passo para a consciência dos meus colegas, afinal, eu QUASE explicitei meu ponto de vista por completo.

Olhe, façamos  um trato: vamos pensar mais nas coisas, nas situações, e nos nossos amores para que não precisemos mais usar o quase, de modo que esta palavra seja aos poucos excluída de nosso atual incerto vocabulário. E, por conseguinte, sejamos pessoas mais completas, como menos "quases".


Lorenzo di Bianco.

A falta do seu abraço

Há algum tempo, eu fui roubado.Tiraram de mim algo mais do que valioso, mais do que raro. E o fizeram sem perguntar a minha opinião, sem eu ter uma chance sequer de me defender.Tiraram de mim, de modo semi-trágico, o seu esplendoroso abraço.

Agora, vejo-o sendo usado por outras pessoas, e eu já não tenho o mesmo vigor de antes. Ainda que, silenciosamente, as forças vão se esvaindo a cada vez que usam indiscretamente o que outrora era meu. Absoluta e infinitamente meu.

Hoje, quase que completando um ciclo desde o acontecimento deste maléfico fato, sinto-me fraco, e sem graça, desejando ter novamente o que me foi arrancado de modo específico, e injustamente, deram-no a pessoas que estão próximas a mim. Pois, agora, responda-me a fim de me auxiliar no entendimento da situação: com que intuito?

Acreditem, com nenhum intuito, além de deixar perto de mim o que está muito longe do meu alcance. Pensamentos e lembranças parecem ter vida própria quando o quesito é me pertubar em momentos aparentemente inócuos.

Devaneios. Este é o nome do que me restou desde quando me tomaram o seu abraço. Tudo isso decorre da falta do seu, exclusivamente seu, enlace fraternal. O abraço. Simples da mesma forma que eu o entreguei, tão facilmente e sem resistências.

Quero que me devolvam o mais rápido possível, mas é difícil. É.


Lorenzo di Bianco.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Discretamente

Discretamente quero passar,
Talvez até despercebida, por você.
Discretamente te olhar e te perceber.
Discretamente, parar o meu mundo.

Acompanhar teus movimentos de idas e vindas,
Mas tão distantes de mim.
Discretamente ter você para mim,
Sem ser notada.

Discretamente contemplar, a suspirar, seu sorriso.
Bem discretamente...
Você nem vai reparar.
Mas minhas constelações cairão,
Minhas noites e meus dias.
Mas será discretamente.

Notou?
É assim, tão discreta, que continuo a vagar.

Loretta.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Você

Você, dos meus dias, foi o mais inesquecível.
Você, das minhas manhãs, foi a mais gostosa.
Você, das minhas noites, foi a que teve a lua mais reluzente.
Você foi meu sol.
Você, dos meus sorrisos, foi o mais verdadeiro.
Você, das mensagens, foi a mais especial.
Você, das minhas lágrimas, foi a mais dolorida.
Você, dos meus acordes, foi o mais afinado.
Você, das saudades, foi a mais sentida.
Você, dos meus pensamentos, foi o mais intenso.
Você,
Das minhas músicas, a que não consigo esquecer.
Dos meus detalhes, o que está presente em tudo.
Das minhas letras, a que não tem melodia.
Dos meus escritos, o mais sincero.
Você,
Minha recordação, minha saudade.


Loretta,

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Manuscrito

Estava escrevendo...
Como todos os dias o faço.
Mas dessa vez foi diferente.
Peguei no lápis,
E, diante da folha branca,
Me coloquei.
Pensando, e olhando aquele papel.
Fechei meus olhos e comecei a pensar.
Você!
Foi meu primeiro pensamento.
Uma lágrima lentamente caiu...
Faz tanto tempo.
E por que justo agora?
Comecei a escrever...
Creio que nunca escrevi  algo semelhante antes.
Você!
Minha inspiração.
E nem sabe disso!
Pois sim.
Eis-me agora, com meu manuscrito em mãos.
Pertence a Você!
Leve-o.
Pode amassar e jogar fora se quiser.
Mas que foi você, foi
Minha razão de escrever meu manuscrito.

Loretta.

Outra história

Sinceramente, não sei o que escrever.
Parece-me que todas as minhas inspirações
Que se fundiam em palavras,
Se foram.
Preciso de uma história,
Mas que não siga o roteiro.
Amor?
Dizer que pessoas que não se conheciam,
De repente por acaso, se apaixonam e vivem felizes para sempre?
Não, não...
Isso não acontece!
Raiva?
Pessoas que se amavam, de repente, por banalidades,
Passam a sentir raiva e se separam?
Não, não...
É muito triste!
Finais infelizes?
Bom, talvez.
Qual o argumento?
Que depois de um começo perfeito,
Com rosas e perfumes,
E uma linda trilha sonora,
Juras de amor infinito...
Como a névoa, se foi.
Como o mouse muda um plano de fundo, em segundos,
E o que era belo,
Se vai num simples piscar de olhos.
Final infeliz! Separados para sempre.
Bom, eis aí uma história.
Não é nova, mas é a que escreve esses dias.
Então, o que mais?
Por que ainda acreditam que não se pode mudar uma história de
Final incerto, por um "felizes para sempre"?
Claro que podem.
É amar.
Não o amor que as pessoas compram e vendem por aí...
Mas é algo que vem do fundo,
Que controla seus gestos e palavras.
No qual domina seus sentidos e não permite que veja outra coisa.
É um olhar, um sorriso, um toque...
Pensamentos dia e noite.
Cuidado. Carinho.
Vês como que histórias comuns são escritas todo dia?
Mas e essa outra história?

Loretta.





domingo, 14 de outubro de 2012

Segredos

 

"Preciso de outra história,
Algo que saia do meu peito.
Minha vida está entediante;
Preciso de algo que eu não posso confessar.


Até todas as minhas mangas estão manchadas de vermelho.
De todas as verdades que eu disse...
Venha, honestamente eu juro
Pensei que você tinha me visto por um instante,
Não, eu tenho andado à beira de um precipício, então
 
Diga-me o que quer ouvir,
Algo que agradará os seus ouvidos.
Estou cansado de toda esta insinceridade...
Então abrirei mão de todos os meus segredos
Dessa vez.
Não preciso de outra mentira perfeita,
Não me preocupo se as críticas nunca aparecem de uma só vez...
Eu estou me desfazendo de todos os meus segredos.
 
Meu Deus, é incrível como chegamos a esse ponto.
Parece que estávamos perseguindo todas aquelas estrelas,
Cujo condutor eram grandes carros pretos e brilhantes.

E todos os dias eu vejo as notícias,
Todos os problemas que poderíamos resolver...
E quando uma situação aparece
Basta escrevê-la em um álbum,
Sentado em linha reta, muito baixo,
E eu realmente não gosto da minha fluidez.
 
Não há razão,
Não há vergonha,
Não há família,
A quem eu possa culpar...
Não me deixe desaparecer.
Eu vou lhe contar tudo.
 
Diga-me o que quer ouvir,
Algo que agradará os seus ouvidos.
Estou cansado de toda esta insinceridade.
Então abrirei mão de todos os meus segredos,
Dessa vez.
Não preciso de outra mentira perfeita...
Não me preocupo se as críticas nunca aparecem de uma só vez
Eu estou me desfazendo de todos os meus segredos".
 
Secrets - OneRepublic

sábado, 13 de outubro de 2012

Bem ao seu lado


Você partiu para longe,
Para muito distante dos meus olhos.
Não mais te verei.
Não sei onde estarás.

Continuo escrevendo minhas cartas,
Continuo pensando em quando poderei te ver.
Continuo lembrando.

Enquanto você parte,
Estou aqui.
Enquanto você luta,
Eu choro.
Enquanto você muda o mundo,
Eu tento me mudar.

Mas vemos o mesmo luar.
Não importa em que lugar do mundo esteja.
A lua brilha para nós dois.
Basta olhar para ela para sentir que estás perto de mim.

Longe...
Tão longe.
Mas aqui,
Bem aqui dentro,
Você sabe que sempre estarei por perto.
Eu estarei lá.
Eu estarei aqui.
Onde você estiver,
Estarei bem ao seu lado.

Aqui.
Olhe.

Loretta.

Fiz e fui feita

Me perdi.
Fui perdida.
Me esqueci.
Fui esquecida.
Me iludi.
Fui iludida.

Adeus!

Loretta.

domingo, 7 de outubro de 2012

Vazio

Sem inspiração.
A noite caiu,
As estrelas despencaram no negro céu.
O vento rugiu,
A solidão assolou.

A alma perdida,
O coração vazio.
No peito a solidão.
Sem alegria no olhar.

Olhando longe,
Caminhando sem rumo,
Sem vontade.
Boca seca.
Pés cansados.

Vai-se ao longe,
Sem nada contemplar.
Está vazio.
Sem motivação.
Findou-se o dia.

Caiu ao chão.
Prostrou rosto perante a terra,
Não há mais nada a fazer.
Sem forças para continuar.
Só sente um vazio...
Uma solidão...
Uma saudade.

Será?
E o dia ressurge,
Mas nenhum alento
Ele traz.
Então, sai caminhando novamente,
Sob a luz do sol.

A única coisa que espera
É o cair da noite
E o despencar das estrelas...

Loretta.

sábado, 29 de setembro de 2012

Ela e o castelo

Achava que estava protegida
De gigantes e de feras,
Vivendo em seu castelo.

De longe via o mundo
Da forma como ele não é.
Do alto, contemplava
As belas paisagens
E quase podia tocar as nuvens.

Todos os dias
Mirava seus olhos ao horizonte
E via o sol se despedindo
E abrindo espaço à lua.
Que brilhava reluzente,
Não se importando.

Achava que nada lhe atingiria.
Das más notícias não sabia.
Até perceber que seu castelo
Não era uma fortaleza,
Não passava de areia...

Então, sentiu-se como os normais se sentem.
Caiu em si.
Viu-se despida de suas ilusões-
Ilusões que criara
Quando era ela e o castelo.

Loretta.

"Hoje a noite não tem luar"

Sim, hoje não vi a lua.
As estrelas se esconderam de mim.
O infinito partiu.
O finito estendeu-se.

Sou só eu.
No meu mundo
Que só eu criei.
Embalada pela negritude da noite.
Com o brilho da escuridão nos olhos.

Hoje a noite não tem luar.
Não tem um suspiro.
Não tem o elo perdido.

Estou só com meus pensamentos.
Com minhas emoções e sensações.
Minhas vontades e angústias.
Tentando me encontrar novamente.

Quando já havia me aquietado,
Me conformado,
Agitou-se minha cômoda inércia
E meu simples sentido.

Afinal, hoje a noite não tem luar.
Não tem ninguém.
Sou só eu
No mundo que eu criei.

Loretta.

As promessas não foram para sempre

Que dor!
Que desconsolo daquela pobre senhorita.
Não havia nada que a confortasse.
O choro,
Os gemidos de desespero,
A dor...
Imensuráveis,
Incompreendidos aos olhos dos que a viam.

Ela derramou oceanos de lágrimas,
Sua força se esgotou.
Sua voz se enfraquecera.
Seus olhos permaneciam molhados
E suas mãos, frias.

Não havia forças para levantar.
Só sabia lágrimas derramar
E chorar...
Não encontrava nada mais que
A fizesse se esquecer
De toda uma história
Que juntos, fizeram crescer.

Ele não mais a ama.
E ela, por isso pranteia.
Está em outro lugar,
Não mais voltará.
Jamais escreverão
A história que criaram
Quando juntos estavam.

As promessas não foram para sempre.

Loretta.

Acabou...

Hoje eu vi o sofrimento dela.
Vi suas lágrimas caírem desesperadamente.
Seu soluçar era incontrolável
Não querendo acreditar no que ouvira.

Diziam que se amavam.
Ele a atraiu para si
E depois foi embora.
Não disse o que faria
Nem para onde iria.

Ela soube...
Ele tem data de casamento marcada.
Irá, para sempre, estar ao lado de outro alguém
Que não é ela.

Ela chorou.
Não acreditou.
De profunda dor sua alma se envolveu.
E seu coração, em pedaços,
Não quer se recompor.

O tempo não poderá apagar essa dor.
Essa ferida é profunda demais.
E ele nem se despedira...
Nem lhe contara.

Que infelicidade!
Que sofrimento!
Não há alento,
Nem sorriso
No rosto dela.
Seus olhos estão fundos.
Seu semblante, desfigurado.
Suas mãos, tremem.
Seu cabelo está desordenado.

Perdera a única coisa que lhe restara.
Na verdade, nunca a tivera.
Ele se foi...
Acabou.
E ela, desconsolada,
Inconformada,
Chora...
Chora...
Chora.

Acabou!

Loretta.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Noites frias

Em noites frias,
Os pensamentos são mais intensos.
As lembranças resolvem não dar trégua.
Os sonhos são mais tristes.
As lágrimas, mais frequentes.

Em noites frias,
A saudade é maior.
A dor aumenta.
A solidão invade.
O suspiro...

Em noites frias,
As gotas de chuva batem na janela.
O vento sopra mais ferozmente.
A escuridão é mais assustadora.
A lua não brilha
E as estrelas não querem aparecer.

Em noite frias,
Me embrulho nas ondas do mar gelado
E me envolvo com a saudade.
Me cubro de alento.
Me perco, me encontro.

Em noites frias.

Loretta.

Passou...

Como neblina, passou.
Como o vento que arrepia, passou.
Como a escuridão se vai com a luz do dia, passou.
Passou...
Como em uma noite fria,
Sem luar, nem brilhantes no céu,
É receber inspiração em meio à negritude,
Apareceu.
Mas, num instante se foi.
Partiu. Passou.

Adeus!

Loretta.

Meu Adeus

São as últimas palavras.
É o meu último suspiro.
Partirei.

Não levarei nada comigo,
A não ser a saudade.
Não quero as lembranças -
São muito doloridas.

Não quero o que no princípio,
Era para sempre,
E hoje, não passa de
Um verbo conjugado no pretérito perfeito.
Sim, fora perfeito...
Talvez até mais-que-perfeito.
Mas não passa de pretérito.

Agora, pensando bem,
Até a saudade não quero mais comigo.
Pois, para tê-la, seria preciso lembrar,
E são das lembranças que quero me esquecer.

São estas minhas palavras.
Não deixo nem levo a saudade.
O que fora, não é mais.
E o que seria, não o é.

Partirei.
Irei para bem longe.
Esse é o meu adeus.

Não chore.
Não caiam lágrimas desses olhos vazios.
Talvez nem seja para sempre - nada o é -
Mas não voltarei.

Não quero levar nada.
Mas sei que não conseguirei...
Assim, meu pranto,
Meu coração saudoso,
Minhas mãos vazias
E meus olhos transbordantes de lágrimas,
Levarei comigo.
Sim, isso levarei.

Agora,
Esse é o meu último suspiro...
O meu último adeus!

Loretta.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vou chorar...

Ouvi uma música,
E com o ritmo,
Você apareceu...
Não pude evitar.
Vou chorar.

Andei pelas ruas,
Alguém me fez
Lembrar você.
Foi muito forte.
Vou chorar.

Li uma história,
Sem final feliz.
Recordei-me de você.
Meu coração agitou-se.
Vou chorar.

Ouvi uma risada,
E sem olhar,
Meus olhos te viram.
Minhas pernas estremeceram.
Vou chorar.

Senti um perfume,
Respirei fundo
Para deixá-lo guardado.
Fechei os olhos.
Vou chorar.

Abri meus olhos,
Olhei à minha frente...
Era você?
Estou aqui,
Consegue me ver?
Se foi...
Vou chorar.


Loretta.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Você no meu mundo


Vivia uma vida tranquila,
Mais do que pedi
Mas não exatamente como sonhei.
Não havia saudade nem aperto no coração
Até você aparecer.

Você me encontrou.
Como?
Invadiu meu mundo,
Fez-se parte dele
E atraiu este coração.

Com seu jeito singular,
Uma maneira ímpar de ser.
Sua fala e escrita,
Sua voz e risada.

Não te vejo,
Mas te conheço.
Sei dos detalhes...
Mesmo quando não há palavras.

Na ausência dos comentários,
É possível saber o que se passa
Por trás dessas letras.
Quem sabe até um sorriso!

Acostumei com isso.
Talvez...
Eu até posso entender o que significa.

E não tem como esconder meu sorriso.
Você não o vê...
Mas está diante dos seus olhos.
Você o causa sem saber,
Sim, é você...
Só você!

Loretta.

E o tempo vai passando...

Parecia que duraria uma vida inteira,
Quando o passado era o presente.
Palavras soltas ao vento,
Foram-se como bolhas de sabão.

Difícil aceitar que passou,
Que ficou para trás
Toda uma vida,
Toda uma história.

Com o passar dos dias,
Acostumo com a ausência,
Com a saudade
E a solidão.

Dizia que era para sempre...
Mas nunca foi.
E o tempo vai passando
E nada acontece.

Nada do que foi prometido,
Nem do dito em silêncio,
Nem o que fora proclamado
Ao mundo inteiro.

E com o passar de meus anos,
Ficaram as lembranças.
Doces e amargas lembranças,
De um tempo que se foi.

Meus dias...
Meus anos...
E o tempo vai passando!

Loretta.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meus Elementos

MEU AR,
Às vezes me esqueço que preciso dele,
Não o vejo, mas o sinto.
Minha fisiologia necessita de suas ligações
Com minhas hemoglobinas.
Ele me refreca, me arrepia.
Preciso dele para viver.
Meu coração depende dele para pulsar,
Meus músculos, para se contraírem e se distenderem,
Meu sangue, para irrigar.
Meu ar- meu respirar.

MINHA MÚSICA,
Meu coração bate em ritmo melódico,
Em sinfonia, a circulação sistêmica
Dança pelos vasos e capilares.
Também preciso dela para dormir e acordar.
As suas batidas estão na minha cabeça.
Meus dias, em compasso, se vão.
As palavras, em solfejo, se espalham.
Minha música - minha inspiração.

MINHA DOR,
Não me vejo mais sem ela,
Na verdade, nem sei se me acostumaria.
Ela me ajuda a crescer e a amadurecer.
Faz meu coração não disparar por qualquer coisa.
Me lembra de quem eu fui,
E de quem eu devo ser.
Faz meus lábios falarem menos,
Meu andar ser mais vagaroso.
Minha dor- meu destino.

MINHA POESIA,
São meus sentimentos, minhas observações.
Pensamentos em escritos, que compõem
A anatomia de meu ar, minha música e de minha dor.
Minha poesia - meu eu.

Loretta.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Te vejo

Lembra do que passou?

Te vejo sorrindo,
Ouço sua gargalhada,
Te vejo ao meu lado,
Sinto seu perfume.

Sinto suas mãos,
Marcadas pelo tempo,
Com cheiro doce e sempre macia.
Suas unhas pintadas...

Te vejo passando comigo
Os anos que estivemos juntas.
Ouço suas histórias,
Vivo escrevendo outras.

Te vejo passeando,
Elegante e sempre sorridente.
Vejo o carisma e simpatia
Que eram suas marcas.

Te vejo deitada ali,
De olhos fechados,
Sem saber do meu choro,
Sem me ouvir, nem me ver.

Te vejo em tudo,
Pois ainda lembro do que se passou.

Loretta.

Considerações

Considerando cada palavra que dediquei,
Cada gesto que lhe demonstrei,
Cada sorriso, pensando em você...
Não sei se posso continuar.

Considerando cada poema,
Cada olhar,
Cada pulsação...
Não sei se posso continuar.

Considerando cada sonho,
Cada lágrima derramada,
Cada aperto no coração...
Não sei se posso continuar.

Considero o que vivi,
O que passei,
O que sonhei...
Vejo que não sou capaz de suportar.

Jamais serei.
Nunca fui.
Apenas me acostumei com a rotina
De tê-lo em meus sonhos e pensamentos.

De vê-lo em cada detalhe,
Em cada rosto semelhante,
Em cada música,
Em cada poesia...

Considero que não mereço isso.

Loretta.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Se dói?

Já se perguntou se dói
Sentir isso?
Se arrepender,
Se esquecer do que não queria,
E insistir em trazer à memória
O que não lhe conforta?

Já notou se dói
A falta de um olhar,
A falta de um sorriso
Ou de um abraço?

Será que dói
Não te ter
Ou de saber que não me tens...
E te ver,
Sem ao menos ser vista?

Se dói?
Claro que dói.

Loretta.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Adeus...

Saudade...
Não sei se posso dizer isso,
Afinal, nunca foi algo vivido,
Apenas sonhado.

Mas vou-me embora.
Partirei para lugares distantes,
Me encontrarei para sempre,
Longe.

Longe de minhas vontades,
De meus sonhos,
De meus pensamentos durante a madrugada.
De nós.

Não posso esconder minhas lágrimas,
Não posso fingir que nada sinto.
Mas não posso continuar sofrendo,
Deixando meu coração ferido.

Não faço parte,
Nunca farei,
Dessa realidade,
Que só eu sonhei.

Me arrependo do que disse,
Do que deixei de dizer.
Das coisas que fiz,
E das que deixei da fazer.
Dos meus escritos,
E dos meus sonetos,
A você.

Fomos passado.
Nunca fiz parte de teu presente.
E jamais seremos futuro.
Meus verbos continuarão a ser conjugados no singular.

Em pretérito perfeito,
Ou mais que perfeito,
Que tal, o pretérito
Não passado?

Parto-me e despeço-me.
Amaria dar-te um abraço,
E dizer tudo o que senti, o que sinto e o que sentirei...
Porém, não o farei.

Você não entenderia.
Não corresponderia,
Não se emocionaria.

Apenas eu,
Com lágrimas rolando,
E coração acelerado,
E mãos trêmulas
Digo,
Adeus!

Loretta.