Remando, nota-se o convergir do curso das águas.
Caminhando, vê-se a frente, o convergir de paralelos e transversais.
Nas estradas, surgem curvas perigosas, depois de uma pista com duas vias.
Sorrindo, fica estampado a curvinha no rosto e o fechar dos olhos.
Chorando, as lágrimas caem curva ou retilineamente, contornado a face.
Gargalhando, as cordas vocais vibram e podem formam curvas.
Observando, o olhar penetra fundo um ponto finito, neste espaço curvo.
Na vida, as curvas interrompem o linear dos objetivos; do concreto.
A luz não faz curvas. Quando ela encontra um corpo, sobre refração,
Mudando de plano e de meio.
Temos a capacidade de sermos mais que a luz.
Podemos contornar as circunstâncias.
Mas, sabemos o que vem após a curva?
Ou, nós mesmos, criamos uma?
Tentando, corre-se o risco de fracassar.
Falando, corre-se o risco de ser mal interpretado.
Chorando, corre-se o risco de parecer frágil demais.
Rindo, parecemos bobos.
Não dá para pegar um lápis e uma folha branca,
Traçar um risco linear até o final.
Ele sofrerá leves ou fortes intervenções curvas.
Não dá para segurarmos o volante e seguirmos numa estrada reta, até o final.
As estradas, nós não construímos. As adaptamos.
Viajando no trem azul,
Sob o céu férrico,
Às margens do oceano,
Tentando contar os grãos de areia acima
E as estrelas abaixo,
Não somos capazes de saber,
De compreender.
Deixar de tentar?
Despedir do dia sem que ele termine?
Dar adeus ao luar,
Sem sentir na pele o seu brilho tocar?
Despir dos trajes, sem usá-los?
Sorrir sem motivo?
Tentar sem ter um porquê?
Mistérios.
Metades.
Curvas.
Vale o quê?
Um sorriso para te convencer
Da luz do luar.
Um sorriso para te fazer esquecer
Dos cinquenta tons de cinza.
Um sorriso para a endorfina surgir.
Um sorriso para abrir as estradas
Deste trem azul.
Um sorriso.
Um sorriso para te fazer lembrar
Que não sabemos
O que vem lá na curva.
Tente mais uma vez.
Volte amanhã.
Não vá assim.
Não despeça do luar.
Espere o sol voltar.
As estrelas voltarão para cima.
E as areias, para baixo dos nossos pés.
Voltaremos a nos abraçar envoltos pela brisa do mar.
Já havia me esquecido...
Lá na curva, o que é que vem mesmo?
Ah, não me importo.
Deixarei me aproximar mais para saber.
Loretta di Fiori.