quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mudanças

Um estilo novo. Uma novidade.
Uma nova influência, novas perspectivas.
Outrém importante, considerável...
Sentimentos antigos sob novos olhares.
Uma luz que se acende, preenchendo escuridões inexplicáveis.
Onde era campo vazio, flores.
O que ficou para trás torna-se esperança de futuro.

Paz...
Novo gosto, nova literatura, nova.
Manias adquiridas, linguajares inovadores.
Novos idiomas...
É tempo de mudanças, decisões.
Rupturas com o passado, tornando-o presente... Quiçá? Futuro.
É preciso novidades, decisões.
Identidades reveladas, verdades serem ditas.

Amor...
Novos carinhos, novos afagos.
Um novo jeito de se mostrar.
E se deixar ver.
Fazer-se notar...
Escrevo com objetivos, sobretudo agradar.
Aos olhos daquela menina, a nova mulher.
Novas intenções, novos métodos...
Uma nova companhia.
Um nobre motivo para uma explosão de alegria.
E este é o meu momento.


Assim, eu estou.

Lorenzo di Bianco.

Somos um

Quando te conheci, vi seus olhos brilharem.
Naquele dia, não entendi o que estava sentindo.
Sabia que seria diferente, haveria algo a mais.
Aproximamo-nos, conversas aleatórias.
Diversos motivos para sorrir.
Várias gargalhadas numa mesma frase.
Os olhos brilham cada vez mais.
O sorriso é franco, espontâneo.
Não há mal-entendidos, nem tampouco confusões.
Apenas sorrisos e brilho nos olhos.
Entendemo-nos, completamo-nos.
Eu digo que assusta, que é intrigante. Você me encoraja.
Predomina a curiosidade.
Perguntas são feitas a mil por hora,
E as respostas vêm ao encontro do questionante.
Solenes. Perenes.

Músicas, livros e filmes compartilhados...
Frases e pensamentos expostos.
A busca por novos horizontes recebe incentivo. De ambos.
A cada conversa, um aumento na responsabilidade:
É preciso manter os olhos brilhantes...
Antíteses:
Uma mulher e um homem.
Uma poesia e uma prosa.
Espanhol e italiano.
Português e inglês.
Encontros e desencontros.
Nunca despedida.
Somos mais do que dois, somos um.

Quereres e poderes diversos, alcançáveis e inalcançáveis.
Pensamentos esparsos, fundidos.
Ideias que se encontram e se complementam.
Genialidades.
Personalidade curiosa, verdadeira, autêntica.
Ela, sou eu.
Transforma-se num segredo por ser demasiadamente transparente.
Um poço de fragilidade em meio a tanta fortaleza.
Encantos e suspiros, rouquidões e tons menores.
Olhos brilhantes... Nunca menos.
Não entendemos ao certo o que tudo isso significa,
Mas aproveitamos cada momento.
Eu o faço. Ela, sou eu. Ela o faz.
Sou duplamente convicto.

Completudes e sensações...
Plenitudes e autenticidades.
Companheiros, confiáveis e confiantes.

Somos um.


Lorenzo di Bianco

Lá na curva o que é que vem?

Remando, nota-se o convergir do curso das águas.
Caminhando, vê-se a frente, o convergir de paralelos e transversais.
Nas estradas, surgem curvas perigosas, depois de uma pista com duas vias.
Sorrindo, fica estampado a curvinha no rosto e o fechar dos olhos.
Chorando, as lágrimas caem curva ou retilineamente, contornado a face.
Gargalhando, as cordas vocais vibram e podem formam curvas.
Observando, o olhar penetra fundo um ponto finito, neste espaço curvo.

Na vida, as curvas interrompem o linear dos objetivos; do concreto.
A luz não faz curvas. Quando ela encontra um corpo, sobre refração,
Mudando de plano e de meio.
Temos a capacidade de sermos mais que a luz.
Podemos contornar as circunstâncias.

Mas, sabemos o que vem após a curva?
Ou, nós mesmos, criamos uma?

Tentando, corre-se o risco de fracassar.
Falando, corre-se o risco de ser mal interpretado.
Chorando, corre-se o risco de parecer frágil demais.
Rindo, parecemos bobos.

Não dá para pegar um lápis e uma folha branca,
Traçar um risco linear até o final.
Ele sofrerá leves ou fortes intervenções curvas.
Não dá para segurarmos o volante e seguirmos numa estrada reta, até o final.
As estradas, nós não construímos. As adaptamos.

Viajando no trem azul,
Sob o céu férrico,
Às margens do oceano,
Tentando contar os grãos de areia acima
E as estrelas abaixo,
Não somos capazes de saber,
De compreender.

Deixar de tentar?
Despedir do dia sem que ele termine?
Dar adeus ao luar,
Sem sentir na pele o seu brilho tocar?

Despir dos trajes, sem usá-los?
Sorrir sem motivo?
Tentar sem ter um porquê?

Mistérios.
Metades.
Curvas.

Vale o quê?
Um sorriso para te convencer
Da luz do luar.
Um sorriso para te fazer esquecer
Dos cinquenta tons de cinza.
Um sorriso para a endorfina surgir.
Um sorriso para abrir as estradas
Deste trem azul.
Um sorriso.
Um sorriso para te fazer lembrar
Que não sabemos
O que vem lá na curva.

Tente mais uma vez.
Volte amanhã.
Não vá assim.
Não despeça do luar.
Espere o sol voltar.
As estrelas voltarão para cima.
E as areias, para baixo dos nossos pés.
Voltaremos a nos abraçar envoltos pela brisa do mar.


Já havia me esquecido...
Lá na curva, o que é que vem mesmo?
Ah, não me importo.
Deixarei me aproximar mais para saber.


Loretta di Fiori.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Ao vento

Ao vento sentei.
Deixei o sol me tocar.
Deixei a brisa, música entoar.
Mas não deixei
Meu olhar,
Da tua imagem se desviar.
Bem ao fundo desse olhar,
Solto ao vento,
Guardei teu sorriso,
Guardei teu querer -
Meu bem-querer!

Fechei os olhos,
No silêncio ao redor,
Ouvi a música soar...
Ao ritmo do teu peito,
Do teu coração a palpitar,
Senti teu cheiro,
Suspirei fundo.
Senti teus lábios,
Lentamente no meu rosto.
Voei para outro instante.
Naquele, que só estamos eu e você.

Tuas mãos,
Grandes mãos que me seguram,
Que me acalmam,
Que me acariciam.
Teu olhar,
Que penetra o mais fundo âmago de meu ser,
Que me faz sentir única,
Que me consome inteira.

Quero te ver.
Te sentir.
E jamais te perder!
Você é meu.
E tua eu sou.

Ao vento estou.
Fique aqui comigo!


Loretta di Fiori.

Volte Amanhã

No teu silêncio,
Quero pensar que vai voltar amanhã.
Que vou ser teu sorriso amanhã.
Que me quer amanhã.

Com a tua ausência,
Não sei me acostumar.
Não sei se quer, pensar.
Só quero que volte amanhã.

Que volte a me querer,
Que volte a se apaixonar.
Que volte a suspirar.

Na noite sem luar,
Só quero te abraçar.
Sentir me tocar,
Me beijar.

Mas preciso olhar teus olhos.
Preciso te sentir!
Volte amanhã.
Não vai assim...

Quero ouvir tua voz,
Sentir teus carinhos,
Viver teus amores!
Volte amanhã.

Estou com saudade.
Já é amanhã?


Loretta di Fiori


Meus Elementos

Há muito, escrevi sobre meus elementos.
O que compunha minha existência.
Meu cerne.

Há pouco, encontrei você.
O que agora, compõe minha existência.
Meu cerne.

Há muito, escrevia poemas sós.
Compunha música sem melodia.
Notas, sem sinfonia.

Há pouco, escrevo você.
Componho esse sorriso.
Esse balançar de cabeça.

Há muito, a tela estava branca.
Sem cor, em repouso.
Esperando o colorido teu.

Há pouco, você chegou.
De cinquenta tons a minha tela encheu.
De músicas, esse ser se fez.

Há muito, era só eu.
Com quatro elementos:
Ar, Música, Dor e Poesia.

Há pouco, você se tornou
Meu quinto elemento:
O quarteto mais um!


Loretta di Fiori.

Pra você

Ser sol?
Ser lua?
Brilhar como as estrelas?
Não conseguiria.
Não posso (bem que queria).

Ser amor,
Ser paixão?
Ser comum...
Mas por quê não,
Incomum?

Ser tua,
Ser plural.
Ser a cura...
Que audácia!

Ser eterno enquanto dure,
Ou ser finita e infinita?
Sermos nós.
À sós.
Ora música,
Ora poesia.
Ser seu bem-querer.
Ser seu olhar ao horizonte.
Ser teu sorriso.
Ser teu suspirar!
Teu amar.
Eu serei...
Tudo pra você.


Loretta di Fiori.

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma homenagem ao Poeta

Para quem das dores, cria versos.
Para quem das cinzas, pinta cores.
Para quem dos sorrisos, tira rima.
O poeta.

Ele, que através da escrita
Faz o derramar das lágrimas.
Faz o gargalhar,
O olhar.
O poeta.

Para quem da natureza, cria viagens.
Para quem do universo, pinta mundos.
Para quem dos desertos, levanta oásis.
O poeta.

Ele, que interage mundos,
Que une indivíduos.
Que inspira,
Que colore.
O poeta.

Para quem da vida, cria crônicas.
Para quem dos fatos, cria fábulas.
Para quem escreve e encanta.
O poeta.

Ele toca, canta e,
Nos seus silêncios,
Grita letras.
Letras que choram.
Letras que riem.
Ele se inspira para inspirar.
Ele se alegra para alegrar.
Ele sorri, para sorrirem.
O poeta.
Ele, com suas sílabas.
Mono, Di ou Poli (sílabas)
Escreve seu coração,
Escreve seus olhares.

O poeta - o encantador de sonhos!


Loretta di Fiori.

sábado, 19 de outubro de 2013

A Você

A você, que inspira meus versos.
A você, que pelo olhar, já compreendo as palavras -
Palavras estas, que são silenciadas com um beijo.
A você, que desperta meu sorriso,
Mesmo quando não imagino sorrir.
A você, que cria minhas rimas,
Que colore meus dias mais cinzas.
A você, que dá melodia
Aos meus passos,
Mesmo quando distante dos meus olhos.
A você, que ilumina meus dias nublados,
Que aquece meus dias frios
E me envolve no calor dos teus braços.

A você, que encontra nos teus dias,
Momentos de me fazer sorrir,
De me fazer arrepiar e até suspirar.
A você, que do inesperado,
Provoca meus sentidos.
A você, que faz minhas noites
Serem mais cintilantes
Ao encontrar-te em meus sonhos.
A você, que faz das minhas manhãs
Um motivo para olhar para o céu
E contemplar teu sorriso.

A você, que enche meus olhos,
Que abre meu sorriso,
Que arrepia meu corpo.
A você, que me faz ser mais otimista,
Que me faz encarar o mundo de uma outra maneira.
A você, que me faz ser melhor a cada dia,
A me preocupar com você- unicamente você!

A você, que se tornou essencial em minhas poesias.
A você, que poetisa meus dias com seu jeito único de me ver!
A você, todos os meus versos.
E só a você, todos os meus carinhos!


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Meu Recôndito

Tempestade a caminho.
Ouço trovões.
Dos clarões no negro céu,
Eu desvio meu olhar.

Pingos de chuva a cair:
Lentamente um, dois...
Até meus cabelos molharem,
E minhas roupas grudarem no meu corpo.

Corro para meu recôndito.
De olhos abertos,
Tento enxergar o que está à minha volta.
Vejo vultos,
Ouço ruídos.
Não está muito claro,
Mas sei para onde quero ir,
E onde devo chegar.

Meu caminho até lá,
Não é fácil.
Nem um pouco simples.
Mas há pouco, foi colorido.
Pintado de lindas cores!

Um, dois...
Eles retornam.
Os pingos tornam-se leves-
Não me machucam!
Apenas escorrem pelo meu corpo.
Contornam meu rosto,
Parecendo um choro.

Mas não choro.
Não preciso disso!
Você está aqui para me proteger.
É a cor do meu caminho,
É o sol a raiar após a tempestade.
É o arco-íris...

Quando penso que tudo chegou ao fim,
Você é meu recôndito!


Loretta di Fiori.

Simplesmente

Simplesmente e displicentemente
Pus tudo a perder?
Como um jogo?
Não sei jogar.
Não quero jogar!
Afinal, isso não é um jogo
Simplesmente.

Mas as cores são belas.
As figuras me encantam.
As músicas me fascinam!
Onde estou agora,
Simplesmente isso?

Não pode ser!
Acorde!
Levante-se!
Isso é mais do que bela paisagem.
É mais do que agradáveis melodias.
Não é simples assim.
Afinal, não é um jogo.
Eu disse que não quero jogar!

Volto a fechar os olhos,
Num instante,
Repouso minha sina
Nesse olhar.
Nesse querer.
Nesse arder!

Poderia torná-lo mais simples,
Mas insisto em complicar...
Por quê?
Por que ainda não aprendi?
Simplesmente porque nunca vivi.
E não é um jogo - nunca foi!
Mas me sinto tão vulnerável
Quanto uma peça
Na mão de um estrategista.
E eu deixo simplesmente.

Mudar?
Está confortável.
Acorde!
Seu tempo acabou.
O trem chegou.
Próxima parada:
Não sei!

Simplesmente, não sei!


Loretta di Fiori.



Não foram palavras sós

Sobre a grama,
Contemplando as montanhas altas,
Os verdes campos.
Sob o azul do céu,
A brisa a tocar o rosto
E desarrumar os cabelos,
Estou a pensar.

No desenho das nuvens,
Faço teu sorriso.
Com o tocar do vento,
Posso te sentir.

Você estava ali,
Tão distante de mim.
E eu aqui,
Nos detalhes,
Tentando deixá-lo presente.
Mesmo que ausente.

Ao som do vento,
Me recordo das palavras.
Dos sons e melodias.
Dos versos e poesias.
Risos e sorrisos.
Eu sei, não foram  jogados.
Não foram simplesmente.
Aconteceram por um motivo.
Por você! Por mim!
Por nós!

Agora, com palavras sós,
Com olhares a sós,
Com sorrisos em dós,
Me encontro só.

Onde está você agora?


Loretta di Fiori.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Você, Você! (Parte II)

Encontro você.
A música soa ao fundo,
Vejo me olhar,
Sinto me tocar
E me levar
Para perto.

Fecho meus olhos,
Sinto seu beijo.
Abro meus olhos,
E te vejo.
Contemplo teus olhos
E me vejo neles.

No compasso,
Levo minhas mãos.
Sinto seu calor,
Todo seu amor!

Sua vontade,
Seu prazer,
Seu querer.

Eu, em teus braços,
Me perco -
Me encontro ao te sentir.
Seu coração pulsando
Em ritmo acelerado.

Me despeço,
Te deixo...
Calma, ainda te vejo.
"Te quero, como você me quer".


Loretta di Fiori.

Você, Você!

Meu pensamento ao longo do meu dia.
Meu sonho quando cai as noites.
Minha canção, minha melodia.
Meu peito a palpitar,
Meu celular a vibrar.
Meu sorriso quando te vejo.
Meu suspirar quando me toca.
Meu repousar quando me abraça.

Meu sorriso, meu luar.
Minha manhã, meu tocar.
Meu olhar, meu acordar.
Minha prosa, minha poesia.
Meus versos, meus acordes.
Minha música, nossa música!

Minhas letras,
Minhas cores.
Meu prazer - teus sabores!
Minha paixão - teus amores!
Meu paraíso- teu beijo!


Loretta di Fiori.

Meu acorde, minha poesia

Sentei-me diante
Das minhas teclas brancas e pretas.
Fechei meus olhos,
Senti seu respirar,
Senti me beijar,
Ao ouvir nossa música tocar.

Repousei minhas mãos
Diante das linhas brancas,
Segurei meu lápis
E compus minha poesia.

Sob as teclas,
Faço meu acorde.
Em rima, toco seu nome.

Deslisando pelas linhas,
Escrevo você.
O que me faz,
O que me atrai.
Tiro versos,
Troco verbos.

Vou para outro mundo,
Onde faço dos meus versos
Minha sinfonia
E dos meus acordes,
Poesia.


Loretta di Fiori.

Eu, Tu - Ele: Nós

Eu estava inerte,
Sob o preto e branco
Do céu.
No meu mundo, no meu eu.
Na ausência,
Minha presença.
Na presença,
Sua ausência.

Tu estavas por aí.
Sob as cores do céu,
Vivendo seu paraíso,
No seu mundo -
Salvando o meu mundo,
Que era meu,
Sem ao menos,
Saber.

Ele-
Apareceu!
Me viu, me encontrou.
Com o brilho no olhar,
Lábios úmidos,
Então, se aproximou.

O tempo passou.
Luas caíram,
Estrelas brilharam
E se cansaram,
Cedendo lugar ao
Reluzente solar.

Ele apareceu novamente.
Amor? Paixão?
Turbilhão...
Sensação de emoção
Ao ver e sentir seu coração.

Ele me abraçou,
Me envolveu no calor dos seus braços.
Me tocou com suas mãos fortes,
Me beijou.
Me levou àquele paraíso que vivia;
Num instante, meu céu se coloriu
Deixando de ser monocromático tom de cinza.

Da repente, viramos nós.
Falei do eu,
Falei de tu.
O "Ele" que moveu meu olhar,
Que exibiu meu sorriso,
Que cativou meu eu.
Agora, falo de nós -
Do que viramos,
Do que nos tornamos.

Sei do que sinto.
Sei do que vejo.
Somos mais do que dois corpos,
Somos mais que dois -
Somos um - no mesmo sentimento,
Na mesma sensação,
No mesmo momento!

Nos tornamos...
Sim, o nós.
Verbos conjugados no singular
Tornaram-se plural.
Eu, Tu - Ele: Nós.


Loretta di Fiori.

domingo, 2 de junho de 2013

O Mar e Eu

Ela caminha.
Deixa seus pés tocarem as areias úmidas.
Lentamente segue o caminho infinito,
Deixando suas pegadas no chão móvel.

Olha o horizonte.
Enxerga além do que seus olhos
Conseguem ver:
Contempla sua dor.

Se senta frente a frente com o mar.
Repousa ali suas lágrimas.
Deixa elas escorrerem e serem levadas pela brisa
E se seguirem com as ondas.

Escreve seus versos,
Deixa a areia conhecê-la.
Afinal, poucos a conhecem.
Mas o mar vem e leva seus escritos.

Preocupado que alguém os veja,
Que alguém a conheça,
Ele não dá trégua
E, com uma única onda, cessa seu pranto.

Ela pára.
Ela chora.
Ela se levanta.

Caminha em direção às ondas,
Onde elas se quebram,
Onde se rendem à grandeza do mar.
Ela vai.

Sem pensar,
Sozinha ela deixa seus pés molharem.
Um terço...
O arrepio das águas geladas lhe sobe pelo corpo.

Dois terços...
Sua calça dobrada se molha
Das lágrimas e das águas salgadas.
Seus olhos se levantam para o fim.

O fim que ela não vê.
O fim tão infinito.
Seu coração acelera,
Suas mãos esfriam.

Ela.
Pronome que dei à mim.
É mais fácil não pronunciar meu nome.
É mais fácil me enxergar assim, do lado da frente do espelho.
Atrás dele fica mais difícil.
Fica mais sombrio.
As ondas fazem barulho.
As águas borbulham.
Elas se chatearam com meu pranto,
Com meus versos que correram por suas ondas.
Quem sabe chegará do outro lado.
Chegará no fim do meu infinito.
Quem sabe elas levarão esses tristes versos
Para atrás do sol.
Para atrás da sombra.
Para atrás da tempestade.
Para atrás do mar.
Pois aqui, estou eu.
Só eu e o Mar.

Loretta.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tantas Letras

Tanta escrita.
Pouca fala.
Tanta poesia,
Pouco desprezo.
Tanta prosa,
Pouco devaneio.

Escreve e lê.
Pinta e colore.
Canta e sussurra.

Tantas letras,
Poucas palavras.
Tantas, tantas!

De gestos, cria rima.
De falares, pinta um quadro.
De alguém, cria prosa.
De mim, cria encantos.

Com tantas letras,
Não lhe falta inteligência.
Com tantos amores,
Não lhe falta flores.

Já viu,
Já partiu.
Já viveu,
Muito virá.
Pouco ficou.

Com risos,
Com lembranças,
Com saudade,
Pouco se alcança.

Mudou.
Ficou.
Criou e recriou.
Fez e tornou a fazer.
Está.
Fique.
Não vá.

De tanto escrever,
Pouco se vê.
Mas grande é o querer
Desta alma,
Desta história,
Desta rima,
Desta forma
Que fiz
Para você!


Loretta di Fiori.

Os dois lados

O lado escuro da lua,
O lado branco e brilhoso que vemos todos os dias.
O lado calmo do mar,
O lado furioso de suas ondas gigantes.
O lado das flores,
O lado do deserto.

O inverno,
A primavera.
O outono,
O verão.
Você,
Eu.

O lado feliz dos sorrisos inesperados,
O lado que só aparece para disfarçar uma lágrima.
O lado das lágrimas de felicidade,
O lado molhado da tristeza que elas expressam.

Que lado você quer?
Que lado você vê?
O que você prefere?

Sua vida, minha vida,
Nossa vida de repente se cruza,
E de repente se vai.
Passamos um de cada lado,
Sempre em paralelo.
Sabe qual a diferença?

Você estava no lado branco,
E eu, no lado negro.
Sim, pois nossas vidas
Jamais compartilharão do mesmo lado.

Loretta di Fiori.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Quatro Estações

Quando as flores nascem,
Tão lindas, que perfumam qualquer lugar.
Quando suas cores alegram meu dia,
Quando a brisa toca e o sol me ilumina,
Sinto o frescor,
Sinto o amor,
Sinto a primavera renascer em meu ser.

Quando o sol aparece,
Quando o brilho é mais intenso.
Quando quero voar,
Quando quero sorrir,
Me vejo, me sinto.
Me perco, me encontro.
As noites são quentes,
São intensas e coloridas.
É o meu verão,
Minha estação.

Mas há um momento em meu ser,
Que as cores começam a desaparecer.
Que as flores, lindas flores,
Começam a cair.
Se despedem de mim,
Me dão adeus,
Partem para bem distante.
O colorido de repente,
É marcado por cinza.
Cimento. Calçada. Ruas da vida.
Becos sem saída,
Fim da estrada.
É o outono dizendo que meu inverno
Está se aproximando.

Enfim, minha tão temida estação ressurge.
Aqui, só há frio.
Aqui, só há solidão.
Não há cores, não há carinho.
Não há sentido, não há brilho.
A lua mostra suas marcas,
Me dizendo do que ainda terei de passar.
As árvores estão secas,
Sem esperança parecem estar.
Os ventos cortam meu rosto,
Marcado pelo tempo,
Carregando cicatrizes do inverno passado.
Curando dores da estação passada.

Oh inverno!
Tão seco, tão sombrio.
Tão frio, tão distante.
Todos parecem estar como você.
Todos parecem se sentir como eu.
Mas não. Estão todos bem.
Ficarão todos bem.
Afinal, vai passar.
Logo, minha primavera vai chegar.
A estação das cores,
Dos sentidos e emoções.

Eu quero que vá?
Não, fique.
Está bom assim...
Já me acostumei.
Fique.


Loretta di Fiori.

Valsa do Adeus

Girando, girando, girando.
Hora de parar.
Tudo continua girando.
As estrelas estão em movimento,
A lua está se exibindo tão de perto.
As ondas estão agitadas,
As areias da praia, tão inquietas.

De repente, o silêncio.
A brisa tocando o rosto,
Me fazendo lembrar.
Mas quero continuar girando,
Assim, as coisas não têm sentido mesmo.
Quando estão inertes, me preocupam.

Vejo o brilho tão ofuscado.
Vejo os sons tão silenciosos.
Vejo os sorrisos tão fechados.
As saudades apareceram,
As cores cederam seu encanto
Aos frios preto e branco.

A minha tela está vazia.
Meus pincéis estão limpos.
O meu piano está aberto,
Mas não consigo tocar nenhum acorde.
Os meus olhos estão fechados,
Mas não consigo deixar de te ver.
Os meus escritos estão sem rima,
Mas não sei parar de escrever.
A minha valsa está desafinada,
Mas não me importo.
A minha vida está sem você,
Mas não é o fim.

Girando, girando, girando...
Talvez isso passe.
Silêncio!
Não! Não vai passar.

Terei de parar de girar.
Terei de ver o céu parado.
Terei de ver as coisas sem brilho.
Terei de viver.

Só mais uma vez,
Só mais uma...
Até essa minha valsa, dar adeus!
Se foi?
Adeus!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Poesia da Primavera

Cai, lentamente ela cai.
Tão frágil e cheia de vida...
Mas, tão inesperada e surpreendentemente,
Ela cai.
Branca. Rosa. Vermelha.

Mas volto o olhar,
Logo ali.
Sim, logo ali vejo outra
A nascer.
A aparecer neste mundo,
Naquele mundo.
Trazendo sua cor,
Sua beleza,
Sua particularidade.
Seu remédio,
Seu fascínio.

Primavera.
Primavera da minha alma,
Que há tempos secava no árido inverno.
Que jazia no frio da solidão,
Hibernando saudade...
Hoje, marca o início de sua estação.

Cores, perfumes e sabores.
Brilhos, formas e saúde.
Brisa dos ventos de mudança,
Das nuvens estranhas...
Leve meus alentos, meus lamúrios em versos.

Ergue-se!


Versos em prosa.
Versos em rima.
Primavera em poesia.

Loretta di Fiori.

Meu passado, Meu presente, Meu passado

Sentimentos não são assim, tão fáceis de serem mudados.
Mudam-se os tempos, mudam-se as formas.
As cores desbotam.
As forças se esgotam.
O passado, em seu presente, é futuro.
E o futuro hoje, é presente,
Mesmo quando fora passado.

Mas o que importa?
Trago as dores,
As lembranças,
As sensações,
Os pensamentos,
As saudades.
Passado.
Presente.

O que passou, ficou ainda hoje.
Não muda-se assim, tão facilmente.
O que foi escrito ontem,
Não mudou,
Se transformou,
Acrescentando-se novas vivências,
Novas perspectivas.
Mas ainda não mudou.
Presente.
Passado.

Aos vinte e poucos anos,
O que esperar?
Do passado, lições.
Do passado, o meu presente.
Que é um presente.
Um inesperado.
Pois no meu passado,
Nunca sonhei com este presente,
Recebido de presente.

Meu passado.
Meu presente.
Quem sabe, meu futuro!


Loretta di Fiori.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Uma conversa com Loretta


Recentemente tive a oportunidade de ter uma ótima e amistosa conversa com uma pessoa incrível, Loretta di Fiori. Descomunal (e só poderia ser assim), houve filosofia, pensamentos retrógrados (que são sua marca) e tons de melancolia, mas não eram 50. Não confundam.
Talvez a própria Loretta não esperasse o tanto de perguntas que lhe fiz a fim de conhecer um pouco esse mundo encantador onde vive. A minha sede de ouvi-la, tal qual a de lê-la, era tanta, que eu nem mesmo falava. Apenas dizia uma palavra e deixava-a definir, resenhar, exemplificar e explanar. Uma dádiva.
Percebi naquele instante que o mundo de Loretta é um mundo mágico e inexistente. E isso a faz ser quem é: encantadora, misteriosa e frágil. Chego a essa conclusão porque não pode ser deste mundo, deste nosso mundo, desde mundo de vocês uma pessoa que se inspira facilmente com cansaço. Ou quando não dorme. Sinceramente, antes eu não imaginava alguém que escrevesse belas poesias ao som da chuva. Agora torço para que chova.
Em determinado momento, falamos sobre sua melancolia e qual foi a minha surpresa? É algo que a inspira mais do que um momento feliz. Em suas palavras, “pouco escrevi quando estive realmente alegre”. Inspirações são particulares, melancolias são particulares. Mas como classificar alguém que se inspira e faz belíssimas obras a partir de uma tristeza? Ser testemunha de um momento triste, para ela, é tão inspirador quanto ler Caio, Vinicius, Carlos, Quintana.
Loretta valoriza no relacionamento o cuidado, os valores. Acredita no ser humano como um ser relacional e por isso o exalta. A capacidade de relacionamento do ser, para ela, é algo fascinante. Uma escritora, uma pensadora, talvez filósofa, apostando no relacionamento e o citando-o com as palavras “lindo e necessário” é realmente maravilhoso. Acrescente, agora, nestas palavras, melancolia. E pronto, temos Sempre-em-mente, Discretamente, Outra história, e outros tantos achados maravilhosos deste ser relacional que é a própria Loretta.
Como toda magia tem um fim, toda conversa, por mais maravilhosa que seja, também tem. E não menos mágico do que todo o restante da conversa, nos despedimos falando sobre nossas filosofias de vida. Loretta mostrou toda sua grandeza ao me dizer que acredita que a essência do homem é feita de amor e de dor. Segundo ela, é o que nos dá vazão. É o que nos intriga, nos aflige, mas nos conforta.
Realmente, depois de tanto ler Loretta e dessa conversa maravilhosa, chego a uma séria e complicada conclusão: ela nasceu, claramente, na época errada. Não obstante, a sociedade, o mundo de hoje precisa de Loretta. É necessário que ela esteja aqui, entre nós, nos presenteando com maravilhas e melancolias. É necessário que haja Loretta para equilibrar o racional e intenso emocional.
Necessário é que todas as pessoas possam conhecer e contemplar sua arte. Só assim poderão ser pessoas melhores. Não pode haver nada melhor e mais proveitoso para o equilíbrio social do que uma bela leitura, uma boa reflexão e um pouco de melancolia para o crescimento e amadurecimento das pessoas (assim como aconteceu comigo, confesso). É preciso mesmo, que todos tenham uma conversa com Loretta.

Lorenzo di Bianco

domingo, 3 de março de 2013

O Não-Lugar.

Existe um lugar,
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar -
O não -lugar.

Onde não sinto dor.
Onde meu coração não pulsa.
Onde meu ar é outro.
Onde minhas músicas,
Aquelas que são só minhas,
Encantam.

Existe um lugar.
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar -
O não-lugar.

Onde não há saudade,
Essa palavra tão pequena,
De longa duração.
Onde não caem lágrimas,
Sim, aquelas de solidão.

Existe um lugar.
Porém, só existe.
E só existe em um outro lugar-
O não-lugar.

Onde escrevo.
E só escrevo.
Mas não são lamúrios,
Nem versos corridos
E escorridos de sofrimento.
São versos em preto e branco.
Em sustenidos e bemóis.
E quem os ouve, os interpreta
Como quiser.

Nas palavras di Bianco,
É quase complicado acreditar nisso.
É quase estranho perceber isso.
É quase triste escrever sobre.

E ouso dizer que é nesse lugar,
Onde há o não-amor.
Sim, aquele deveras perdido.
Deveras aceitável, ou não.
Depende.


Existe um lugar.
Porém, só existe.
Assim como eu:
Só, existo.
E existe em um outro lugar-
Assim, como eu.

Esse lugar existe?
E eu, existo?

Sim, no não-lugar!


Loretta di Fiori.


Não-amor

É quase complicado acreditar nisso.
É quase estranho perceber isso.
É quase triste escrever sobre (e não poder fazer nada).
É quase difícil entender como isso funciona.
O não-amor. É amor, mas não. Regulado, limitado.
O amor que não se joga, o amor que não ama.
O não-amor é racional, sem loucuras e extravagâncias. É ponderado. Insosso.
Não pode ser amor. Não há entrega, há empréstimo.
Não há trocas de ideias, apenas conversas. Tolas, à toa. Soa passatempo.
Não-amor é coleguismo, é companhia e sem dedicação.
O não-amor não é de todo ruim, mas é incômodo.
Acompanha o amor esta partícula ingrata tal qual uma pedra no sapato (no calcanhar).
O não pesa. Assusta. Confunde, trai.
Não é desejo de ninguém, mas pode ser escolha quando só se tem uma escolha.
Para uma mudança, por fim, total é necessário a negação deste advérbio.
O único não aceitável no amor é que ele se torne um não-amor.

Lorenzo di Bianco.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sempre-em-Mente

Não era isso o que acontecia.
Afinal, meus olhos não haviam se fitado
Na imagem mais perfeita ainda.

Não era isso o que eu sentia.
Pois ainda não estavas ao meu lado,
Dando ao meu coração um motivo a mais para pulsar.

Eu vi você.
Senti seu toque,
Contemplei, apaixonada,
Seu sorriso.
De olhos fechados,
Senti a profundidade de seu abraço.

Desse momento em diante,
Dei-te um novo nome:
Sempre-em-Mente.
Sim, era a forma de lembrar-me de você.

Mas o tempo não quis.
Como uma fotografia
Que fica na caixa das lembranças,
Sofrendo suja e sozinha,
Sua imagem foi-se.
Não era mais meu Sempre-em-Mente.
A fotografia estava clara, com o passar de tantos anos.

Hoje, abri a caixa das lembranças,
Deixei as lágrimas caírem...
Seu olhar permanecera no fundo de meus olhos,
Não havia ido embora!
Estava ali, escondido depois de todos esses anos.
Em silêncio, resolveu mostrar seu sorriso.
Chorei ainda mais.

Mas não esqueci.
Você foi e ainda é meu Sempre-em-Mente.
Não posso mudar isso.
Meu coração já havia se acostumado.
Meus olhos já não te viam,
Nem mais te sentia.
Mas continuavas sendo meu.
Continuas sendo meu.
E serás até que a eternidade passe.

Dessa forma, o terei SEMPRE em minha mente!


Loretta di Fiori.

Presente não. Ratificação

Comumente, quando conheço alguém, penso: “Puxa, o que essa pessoa tem de bom para me oferecer?”. E também penso no que eu tenho de bom para oferecê-la. Aliás, antes de continuar, um apêndice deve ser feito: eu não vivo neste tempo de vocês, jovens. Até vivo, mesmo não querendo nem concordando.

Enfim, presente neste século, não obstante ausente do presente momento; deixando-o apenas na íris de meus olhos, como todo bom observador faria. E é esta minha discordância de vocês, jovens, que me torna quem eu sou. São minhas experiências, meus dias vividos sob sol ou lua (prefiro-lha) que me permitem esses pensamentos e me dão direito a essas indagações.

Dando continuidade à ideia primeira, quando conheço uma pessoa, realmente tenho aquele pensamento. Mas nós nunca temos, (o que, por acaso, é ótimo), a resposta logo de início. Passam os dias, situações diversas acontecem, os dias viram meses e só depois é que começam aparecer as primeiras respostas. Boas ou não, mas depois nos acostumamos.

Um convite inesperado, um telefonema à toa, uma passeada sem pretensão e algumas risadas trocadas sem espera de algo sólido como retorno. Afinal, o bom riso não tem preço e só acontece quando estamos à vontade com um amigo, um amor, um parente, um livro (por que não?).

Às vezes, algumas coisas acontecem e permitem que tenhamos algumas delineações acerca das respostas que podem emergir para a pergunta feita no primeiro parágrafo deste. Descobrimos que quem era amigo, na verdade, não passa de um aproveitador (isto é triste, mas acontece). Descobrimos que quem pouco víamos é um grande amigo e nos surpreende com várias visitas maravilhosas em meio a uma série de acontecimentos não tão felizes nas nossas vidas (acontece também, acreditem).E aprendo a lidar com cada uma delas.

Podemos até nos sentir traídos quando alguns mostram ser o que não queríamos que fossem. Mas, em contrapartida, recebemos um belíssimo e compensador presente de outros que provam e evidenciam fidelidade fraternal num simples gesto como, por exemplo, escrever mesmo sem ter tanta intimidade com isso. É belo, gratificante.

E, pertencente a intensa dialética da vida, recomeçamos nosso ciclo com novos filtros. Mas, admito que ainda é difícil pensar que, ao conhecer alguém, estou me expondo a um risco, seja lá qual for: moral, de integridade, financeiro, cultural. Tenho tendência a pensar que sempre tudo ocorrerá bem e sempre vai dar certo, mesmo pensando ser um presente quando acontece.

Mas, me ocorre que não é deveras um presente, é uma ratificação. Uma ratificação para a minha mania de acreditar.

Loretta di Fiori
Lorenzo di Bianco

Você me deu um Dostoievski

Momento exato: existe? Há quem diga que não. Talvez, não sei. Acredito, mas não. Penso ser mais verdadeiro quando você está disposto a seguir sua intuição, seu sexto sentido e assumir as consequências. Todas elas.

Você não precisava estar ali, mas estava. Você não precisava ser tão receptiva, mas foi. Você não precisava me tratar tão bem, mas tratou. Você não precisava sorrir, dizer tudo aquilo, mas o fez. Aconteceu.

Voltamos à pergunta: o momento exato existe? Você estava ali quando eu procurei. Isso significa que eu procurei no momento exato? Às vezes tenho dúvida, às vezes penso que é uma grande coincidência, um grande acaso. Mas será que o acaso me levaria até você se não fosse para eu chegar até você?

Eu não precisava ter te procurado, mas procurei. Eu não precisava de ninguém, mas te encontrei. Eu não tinha programado nem planejado, ou tinha. Eu precisava mesmo era ser feliz. E, num desses “momentos exatos”, eu te encontrei, e fui. E sou.

Você não precisava acreditar em mim, confiar em mim. Não precisava representar tudo que você representa na minha vida. Você não precisava ser tudo para mim, não precisava investir em mim, me incentivar... No entanto, você me deu um Dostoievski.

Lorenzo di Bianco.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um abaixo ao "quase"

Penso que esta palavra já foi o algoz de várias pessoas. Há que se fazer uma simples pergunta: o que é o quase?

Na minha modesta opinião, esta palavra deveria ser sinônimo de fracasso. Por exemplo, o Brasil quase ganhou da Rússia na decisão da Liga Mundial de Vôlei Masculino. Mas, não ganhou. Não somos decacampeões. O que atrapalhou neste exemplo, além do jogo que não foi do jeito que conhecemos? Justamente, meu caro, o quase. Agora, tire a palavra quase deste exemplo e pronto, fizeste o Brasil campeão mundial pela décima vez.

Para outras ocasiões também usamos o quase. Para dizer que você é o maior "pegador" da festa: "Já 'peguei' quase cinco" (mas, não pegou, fracassado). Eu atesto a minha provável burrice usando o quase: "Eu quase tirei 2,0 naquele teste".

Mas tem dois tipos de quase que me dão sensação de injustiça: o quase amor e a pessoa quase fiel. Ora, se você está com a pessoa é porque gosta, ama, sente-se bem ao seu lado, e é fiel. Qualquer coisa deste padrão que se modificar, inviabiliza esta conversa.

Se você quase a ama, meu amigo, pare de enganá-la e só volte à sua procura quando tiver certeza. O amor precisa, mas as mulheres mais do que precisam da nossa certeza, elas MERECEM (assim mesmo, tudo maiúsculo!) nossa certeza.

Visto que eu já tenha falado do amor, há a necessidade de se falar sobre quem é quase fiel? Talvez não. Essa eu passo para a consciência dos meus colegas, afinal, eu QUASE explicitei meu ponto de vista por completo.

Olhe, façamos  um trato: vamos pensar mais nas coisas, nas situações, e nos nossos amores para que não precisemos mais usar o quase, de modo que esta palavra seja aos poucos excluída de nosso atual incerto vocabulário. E, por conseguinte, sejamos pessoas mais completas, como menos "quases".


Lorenzo di Bianco.

A falta do seu abraço

Há algum tempo, eu fui roubado.Tiraram de mim algo mais do que valioso, mais do que raro. E o fizeram sem perguntar a minha opinião, sem eu ter uma chance sequer de me defender.Tiraram de mim, de modo semi-trágico, o seu esplendoroso abraço.

Agora, vejo-o sendo usado por outras pessoas, e eu já não tenho o mesmo vigor de antes. Ainda que, silenciosamente, as forças vão se esvaindo a cada vez que usam indiscretamente o que outrora era meu. Absoluta e infinitamente meu.

Hoje, quase que completando um ciclo desde o acontecimento deste maléfico fato, sinto-me fraco, e sem graça, desejando ter novamente o que me foi arrancado de modo específico, e injustamente, deram-no a pessoas que estão próximas a mim. Pois, agora, responda-me a fim de me auxiliar no entendimento da situação: com que intuito?

Acreditem, com nenhum intuito, além de deixar perto de mim o que está muito longe do meu alcance. Pensamentos e lembranças parecem ter vida própria quando o quesito é me pertubar em momentos aparentemente inócuos.

Devaneios. Este é o nome do que me restou desde quando me tomaram o seu abraço. Tudo isso decorre da falta do seu, exclusivamente seu, enlace fraternal. O abraço. Simples da mesma forma que eu o entreguei, tão facilmente e sem resistências.

Quero que me devolvam o mais rápido possível, mas é difícil. É.


Lorenzo di Bianco.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Discretamente

Discretamente quero passar,
Talvez até despercebida, por você.
Discretamente te olhar e te perceber.
Discretamente, parar o meu mundo.

Acompanhar teus movimentos de idas e vindas,
Mas tão distantes de mim.
Discretamente ter você para mim,
Sem ser notada.

Discretamente contemplar, a suspirar, seu sorriso.
Bem discretamente...
Você nem vai reparar.
Mas minhas constelações cairão,
Minhas noites e meus dias.
Mas será discretamente.

Notou?
É assim, tão discreta, que continuo a vagar.

Loretta.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Você

Você, dos meus dias, foi o mais inesquecível.
Você, das minhas manhãs, foi a mais gostosa.
Você, das minhas noites, foi a que teve a lua mais reluzente.
Você foi meu sol.
Você, dos meus sorrisos, foi o mais verdadeiro.
Você, das mensagens, foi a mais especial.
Você, das minhas lágrimas, foi a mais dolorida.
Você, dos meus acordes, foi o mais afinado.
Você, das saudades, foi a mais sentida.
Você, dos meus pensamentos, foi o mais intenso.
Você,
Das minhas músicas, a que não consigo esquecer.
Dos meus detalhes, o que está presente em tudo.
Das minhas letras, a que não tem melodia.
Dos meus escritos, o mais sincero.
Você,
Minha recordação, minha saudade.


Loretta,

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Manuscrito

Estava escrevendo...
Como todos os dias o faço.
Mas dessa vez foi diferente.
Peguei no lápis,
E, diante da folha branca,
Me coloquei.
Pensando, e olhando aquele papel.
Fechei meus olhos e comecei a pensar.
Você!
Foi meu primeiro pensamento.
Uma lágrima lentamente caiu...
Faz tanto tempo.
E por que justo agora?
Comecei a escrever...
Creio que nunca escrevi  algo semelhante antes.
Você!
Minha inspiração.
E nem sabe disso!
Pois sim.
Eis-me agora, com meu manuscrito em mãos.
Pertence a Você!
Leve-o.
Pode amassar e jogar fora se quiser.
Mas que foi você, foi
Minha razão de escrever meu manuscrito.

Loretta.

Outra história

Sinceramente, não sei o que escrever.
Parece-me que todas as minhas inspirações
Que se fundiam em palavras,
Se foram.
Preciso de uma história,
Mas que não siga o roteiro.
Amor?
Dizer que pessoas que não se conheciam,
De repente por acaso, se apaixonam e vivem felizes para sempre?
Não, não...
Isso não acontece!
Raiva?
Pessoas que se amavam, de repente, por banalidades,
Passam a sentir raiva e se separam?
Não, não...
É muito triste!
Finais infelizes?
Bom, talvez.
Qual o argumento?
Que depois de um começo perfeito,
Com rosas e perfumes,
E uma linda trilha sonora,
Juras de amor infinito...
Como a névoa, se foi.
Como o mouse muda um plano de fundo, em segundos,
E o que era belo,
Se vai num simples piscar de olhos.
Final infeliz! Separados para sempre.
Bom, eis aí uma história.
Não é nova, mas é a que escreve esses dias.
Então, o que mais?
Por que ainda acreditam que não se pode mudar uma história de
Final incerto, por um "felizes para sempre"?
Claro que podem.
É amar.
Não o amor que as pessoas compram e vendem por aí...
Mas é algo que vem do fundo,
Que controla seus gestos e palavras.
No qual domina seus sentidos e não permite que veja outra coisa.
É um olhar, um sorriso, um toque...
Pensamentos dia e noite.
Cuidado. Carinho.
Vês como que histórias comuns são escritas todo dia?
Mas e essa outra história?

Loretta.