sábado, 6 de agosto de 2016

Sobre o Fim

Deitada.
São dez para as seis da tarde.
A cor do céu
E o cheiro da janela aberta
Recordam minha infância.
Saudosa e feliz infância!

Onde não havia partidas,
Nem de erros  se sofria.
Onde não chorava as feridas
Nem as despedidas.

Olho para o teto,
Só há sombras
E um triste quase negro.
Meus olhos viram-se para o lado de fora,
Ainda há um pouco de luz.
Mas não o suficiente para
Iluminar meus olhos
E alegrar-me a alma!

Crepúsculo vespertino,
Que, tal qual, vai anoitecendo minha vida,
Roubando-lhe a alegria
Enquanto esqueço-me dos dias em que me ria.

Já não há vida,
Apenas suspiros
Que esperam o fim dos dias,
Na solidão,
Imbuídos de desconsolo
E massacrados pela dor.

Nesta noite,
Da lua me despediria,
Mas nem ela veio para a minha partida.

Resta-me o desgosto
De uma vida mal vivida
E de uma fé corrompida,
Esmagada pela desesperança.

Vou-me em breve, desta vida.
E o que me aconteceria
Se a esta,
Nem tivesse vindo?
Ah!
Alegria, certamente,
Pois minha vil existência, nem haveria.

Loretta di Fiori.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sim sim, não não!

Não.
Mas por que não?
Porque não!
Compreende?
Ainda não!

Mas, quando é não,
É não!
Não questione.

Sim!
Sim?
Como assim, se eu disse não?

Sim, você disse não, mas...
Mas nada! Não e ponto.
Então, sim, claro. Mas é que...
Sem sim. É não. Não sim!
Sim!
Não!
Sim, sim. Eu sei que é não.

Não parece que entendeu.
O não não é sim. E sim, não.
Agora falou sim?
Não!
Sim, sim!
Não, eu disse sim, porque....
Nada disso! Foi sim, sim!
Não!

(...)
Loretta.

O que não se vê

A árvore está ali,
Frondosa em pleno inverno.
Enquanto tantas outras secaram-se,
Mantém suas flores a encantar
Os olhos de quem passa.

Não vêem que há vida em seu interior.
Não enxergam as seivas que fluem
Dos pontos mais remotos...de uma extremidade a outra para alimentá-la.
Vida invisível?
De lá que vêm as cores.
De baixo que mantém-se em pé.

O que todos vêem é resultado
De seus invernos passados.
Sem eles, não viveria.
Sem eles, jamais floresceria.
Mas, como muitas, morreria seca sua raiz
E no chão, ali ficaria até ser esquecida.
Vivaria tronco,
Serviria de apoio.
Mas beleza ali, não mais haveria.
Apenas histórias...
De pretéritos perfeitos e de outros,
De nada perfeitos, que vieram a tornar-se imperfeitos.
Mas apenas história.

Talvez seja esse o destino dessas...
Servir para ser regada pelas crianças
Que esperam crescer e junto delas,
A árvore que plantaram.
Muitas sobrevivem mesmo quando
Quem delas cuidou e regou se vão.
Outras, não aguentam pensar na solidão
E vão-se antes do tempo!

Ah!
Viram história.
Sorrisos de um sertão.

Outras, são apenas para admiração.
Não sabe-se quem as regou,
Mas distantes, contemplam-na.
Virarão história, claro que sim!
Mas não pretéritas e sim, futuras.
Quandi voltarem para suas casas, delas falarão,
Ou ainda, as terão em fotografias!

Ah!
Que bela recordação!

E ninguém viu a vida que havia ali,
Dentro delas.
Mas todos reconheciam que era aquilo
Que as tornariam histórias!
Belas e frondosas histórias.


Loretta di Fiori

domingo, 10 de julho de 2016

Vasto Espaço

Era uma saudade,
Um vazio transcendente!
Um espaço que não podia ser preenchido.
Vasto espaço...
Cosmos interior,
Constelação de Memórias,
Recordação!
Vasto espaço.

Não fora rompido,
Pois nunca houvera como.
Não fora desfeito,
Pois nunca existira.
Mas mesmo assim,
Doía...

A efêmera sensação
Já o pusera na vastidão
Deste espaço tempo
Que, de tão vago,
Deixa lapso de luz
Como se houvesse o que projetar!

E não há!
Não houve,
Jamais haverá!
Eclipse lunar
Lá de cima,
Tão aqui dentro,
Vazio neste espaço,
Ausente neste tempo.

Fora desfeito
Sem nunca se haver feito
Nem sequer ter sido suspeito
De sua sutil existência.


Loretta di Fiori.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Fim de tarde no Outono

Pela rua escura, com aquelas
Poucas luzes amarelas,
Caminhava.
Havia ali, um carro ou outro Estacionados, distantes por um quarteirão.

O  céu pintava o fim do espetáculo
Do Majestoso sol...
Ele, já em seu último Soneto,
Cintilava aquele olhar vazio
E solitário.
Marcando o compasso de saída
E relembrando as despedidas daquela vida.

Enquanto ia-se o dia,
Partia-se em suas lembranças.
Num misto de prazer e agonia,
Despindo a alma,
Cobrindo-a de saudade.

Era fim de tarde.
A vida lhe ensinara sobre perdas.
Idas sem  voltas,
Almas perdidas,
Corações em pedaços.
Não havia saída
A não ser,
Conformar-se
E aceitar que uns nascem para amar
Outros, para mudar!

Loretta di Fiori.

domingo, 5 de junho de 2016

Instantes Infinitos

Cada hora que se passa em nosso dia
É o momento certo para algo acontecer.
Tendemos a olhar com mais atenção
Para o que nos sobrevém de ruim.
Então, reclamamos e, por vezes,
Até o tempo culpamos.

Mas não vemos importância
Nos segundos...
Naquele piscar de olhos
Que se nos dá;
Nos acidentes que evitamos;
No nascer do sol;
No ir e vir das pessoas;
Na troca rápida de olhares;
Nos apertos de mãos;
Nas despedidas...
Poderiam ser elas o último adeus.
Os abraços podem nunca mais serem sentidos.

O tempo não volta.
Mas tudo o que aconteceu
No seu devido tempo,
Fica. E às vezes, até para sempre!

Somos instantes infinitos.
Lembrados por tudo que já se foi
E ansiosos por tudo o que virá.
Queremos remir o tempo
Ao vê-lo ir-se sem despedir-se...
Até que ve-mo-lo voltar
Com novos instantes...

Somos todos este pequeno instante.
Esta recordação.
Este infinito de saudade!

Loretta di Fiori.

sábado, 4 de junho de 2016

Minhas Palavras

Talvez sejam as últimas,
Nunca se sabe...

Decisões. Saudades. Ilusões. Sonhos. Coragem. Lembranças. Dores. Lágrimas. Sentimentos. Nostalgia. Memórias. Vontades. Dúvidas. Desamores. Partidas. Cobranças. Incertezas. Pensamentos. Mudanças. Doenças. Esperanças. Desprendimentos.
Deixar ir...

Podem ser palavras.
E por serem exatamente isso,
Têm seu significado!


Loretta di Fiori.

domingo, 15 de maio de 2016

Um minuto: uma história!

Um minuto,
Vou te contar uma história.
Talvez você chore,
Talvez sorria.
Talvez os dois
Ou talvez nenhum!

Um minuto,
Parece pouco tempo para quem vai.
Mas muito para quem fica.
Parece nada para quem fala,
Muito para quem espera.

De idas parecia.
Sempre disposta,
Amores incondicionais
Por quem nunca vira.
De sorrisos espalhados
Para todo lado,
Coração arrebentado
E aos pedaços.

Mas não se preocupava.
Guardava-se como um segredo.
Um mistério.
Como a rosa que amaldiçoou a Fera.
Se a última pétala caísse
Seria o fim do que nem começou
Ou do que já existiu sem findar-se.
Por isso, a protegia.
A guardava.
Mantinha-se em silêncio
E em segredo.

Risos espontâneos,
Sentimentos no aumentativo.
Paixão pela vida.
Pelas cores.
Pela música.
Pelos gestos e amores.
Sorrisos e dores
(Pois sabia que com elas crescia).

Mas um dia, não por descuido,
Mas por destino,
A última pétala da rosa caira.
Olhou, não calculou o que significava.
Mas seguiu e deixou acontecer.

Um minuto!
Não pode ser!
Foi o tempo...
Voltou o tempo no tempo
E lha fez reviver o que nunca tivera a chance de viver.
Mas esquecera-se do encantamento da rosa.
E já caída, fez-se a  promessa.

Em um minuto,
De voltas sua vida volta.
E se revolta com a reviravolta.
Elogios não são mais como antes:
Seu combustível.
E por saber disso,
Os espalha para que sejam
O de outras pessoas.


Amores, incondicionais,
Já não são mais como antes.
Mas fala de amor
Para não esquecer-se de quem já foi.
Mesmo sem recebê-lo,
Doa em sua mais pura expressão,
Mesmo sendo tudo o que lhe resta.
Palavras já não passam de palavras.
A chuva cai como seu desespero de solidão.
Esquecimento. Desprezo.
Mas doa-se para poder ver o sol
E dele recompor o seu sentido de vida.
Haveria?

E por saber disso,
Busca a cada minuto,
Ser para o mundo
O que o mundo jamais
O fora para ela:
Amor!

Loretta di Fiori.


sábado, 23 de abril de 2016

Depois Daquele Dia

Esperei tanto.
Uma espera quase infinita.
Quem eu era antes de você
Não importa:
Não importa a dor.
Não importa a falta que me fez.
Não importa o que só eu sabia.

Havia feito orações para que chegasse
Enfim, o dia.
Não sabia como seria.
Mas por isso eu queria!

Mas não veio.
E a espera só aumentou.
Num dia desses,
Num momento clichê,
Será?
Era mesmo possível?

Você. Ali. Aqui.
E foram dias assim,
Revivendo o futuro
Que nunca tive.
E construindo o passado
Onde nunca estive.

Não me acorde deste sonho,
Era o que rogava todas as manhãs.

Mas uma hora a noite finda-se
E a Lua despede-se
Daqueles olhos apaixonados
Na noite.

E meus dias depois daquele dia
Não foram mais os mesmos.
Afinal, sei que jamais voltarei
A ser a mesma mesmo!

Mas vivi intensamente
Cada segundo.
Cada respirar,
Cada pulsar mais acelerado de
Meu coração.
Cada gesto.
Cada toque.
Cada olhar.


Mudaram para sempre
Quem eu já fui antes de você
Para quem eu sou,
Após ter te reencontrado.

Aqui, meu adeus!
Deixo as borboletas
Darem seus beijos
E os bonecos de gelo
Aquecerem teu abraço!


Loretta di Fiori.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Minhas noites

Naquela noite não fecharam-se
Seus olhos.
Mantiveram-se à espera de sua dor 
Ir embora e deixá-la.
Mas isso não aconteceu...

E a noite pintou a Lua
Para lhe fazer companhia.
Abriu então, sua janela,
E ali, deitada, 
Contemplava sua gentil companhia.

Lançava aos céus suas preces.
E de seus olhos por vezes,
Vertiam lágrimas.
Como controlá-las?

A Lua iluminava seu coração em sombras.
O vento que uivava em sua janela
Toca seu rosto molhado.
Não piscava...

Tentava ouvir uma melodia em sua cabeça,
Mas nenhuma lhe agradava.
Levantou-se.
Sentou na cama.
Olhou para o chão,
Iluminado pela Lua,
Respirou fundo:

Hora de acordar,
O sol já vai raiar.
Mas lembrou que seu infinito de tempo
Era relativo
E só passaram-se algumas horas.

Secou as lágrimas,
Sorriu para a sua sombra atrás da cama.
Vestiu seu sorriso de novo:
Já era dia!

E assim, sua noite passara-se.
Era mais uma noite que se fora.
O jeito foi passar seu dia de olhos fechados
Para na próxima noite,
Esperar o mesmo acontecer:
Não fecharem-se os seus olhos...

Loretta di Fiori.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Um Dia...

Um dia,
Seus sonhos podem se realizar.
Um dia,
Caminhos se cruzarão novamente.
Um dia,
As lágrimas secarão.
Um dia...

Um dia,
A saudade baterá em retirada.
Um dia,
O amor dominará o mundo.
Um dia,
A felicidade será maior que a dor.
Um dia...

Um dia,
As noites em claro terão valido a pena.
Um dia,
As noites mal dormidas serão as melhores da tua vida.
Um dia,
A noite será tão alegre quanto o dia.
Um dia...

Um dia,
Poderemos ser o que quisermos!
Poderemos conquistar o mundo!
E até esse dia chegar,
Dia após dia,
Veremos pequenas maravilhas acontecerem!


Loretta di Fiori.

quarta-feira, 30 de março de 2016

A Pianista

Toda vez, antes de se deitar, ela pega seus sonhos e os coloca na pauta de Sol.
Parece fácil a leitura, mas os movimentos são difíceis, o posicionamento das mãos é dolorido.

Pegava seu fone de ouvido, perdia-se na Tribute e enchia-se de fermatas!
Esquecia-se de que a vida colocara em sua partitura, acidentes de nota...repletos de bemóis, sustenidos e seus dobrados em várias de suas notas pecualiares.

Ela tocava. Talvez fosse a coisa para qual nascera. O amor que era pra ser seu na vida. Afinal, todos têm um! E o dela era diferente, especial... melódico!

Sua vida era música. Era ele - o piano.
Era a única certeza que tinha.

E todas as noites, antes de dormir, ela tentava compor novas melodias. Sendo invisível atrás daquelas teclas brancas e pretas.


Loretta di Fiori.

Momentos

Momentos...
O que são eles?
Toda a dor um dia passa.
Toda felicidade que parecia nunca passar,
Um dia pode ser esmagada por uma lágrima.
Todo choro derramado em uma noite, se vai com o nascer do sol.
O dia cede espaço à negra noite,
Carregada de solidão e medo.
Uma hora a tempestade passa...
Vem o arco-íris.
Paisagens mudam-se com as estações.
Corações curam-se depois de um tempo.

Bem que a solidão poderia ser só um momento.
Pois sei que todos os momentos viram saudade.
Viram poesia...
Viram música!

Loretta di Fiori.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Tudo é Vaidade!

É vaidade comprar com o dinheiro que não se tem.
É vaidade olhar-se no espelho e ver-se perfeito.
É vaidade passear com um carro que é mais caro que sua própria casa.
É vaidade usar aplicativo que te maquia para postar fotos nas redes sociais.
É vaidade julgar alguém pela quantidade de "likes" e seguidores.
É vaidade julgar pela aparência.
É vaidade ficar feliz por uma notificação.
É vaidade discutir com quem não ouve.
É vaidade ter de tudo o que é de última geração.
É vaidade achar que a vida é só o que se vê.
É vaidade achar-se sem inimigos.
É vaidade tentar enganar sua idade.
É vaidade dar presentes caros para parecer amar.
É vaidade nunca perdoar.
É vaidade não amar alguém.
É vaidade não ajudar alguém.
É vaidade colocar status de felicidade quando se está morrendo de dor por dentro.
É vaidade mentir para conquistar amigos.
É vaidade falar mal para ser o bom.
É vaidade colocar tudo a perder por sua própria opinião.
É vaidade julgar-se o único certo.
É vaidade escrever indiretas para cutucar alguém.
É vaidade viver sob uma mentira.
É vaidade viver de aparências num mundo sem cara!

Tudo é vaidade  quando a intenção é errada!

Loretta di Fiori

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Os Dias Depois de Ontem

O ontem parece não ter acabado.
Em ilusões insiste em aparecer.
O passado daquelas palavras, ameaças 
E desprezo, permanecem no presente.
Todavia, como foram presente, decidi 
Que podem ficar com eles.

Os dias que se passaram de ontem 
Foram vários.
Mas é como se fosse hoje e amanhã...
Todos os dias! 

História dessa vida.
Miserável vida!
De que adianta ser conhecido?
De que adiantam as glórias?
Para que em um dia, 
Num ontem qualquer,
Eu me esqueça disso por uns instantes
E depois, relute 
Para lembrar onde os guardei.

Palavras!
Que ferem, que interferem.
Que queimam, que intermeiam
O que não se pode dizer.
O que não existe!

Não passam de vento.
Que como vem do norte,
Vai para os outros cantos da Terra.
Que seca a terra,
Levanta poeira,
Que pede  gotas de chuva.

Mas a sequidão de estio permaneceu
Nestes dias depois de ontem.

Loretta di Fiori.

domingo, 15 de novembro de 2015

A Menina que Escrevia Versos

Escrevia sobre como via o mundo em que vivia.
Escrevia as notas que eram por ela tocadas.
Fazia rimas com as melodias.

Em uma velha praça
Se assentara, para de sua bolsa
Puxar o caderno que carregava suas histórias.
Caderno enfeitado e perfumado,
Ninguém imaginava as coisas que ele trazia.

Eram poemas de uma vida,
Que como todas,
Era composta não só de rimas,
Mas de frases frias
E pouca sintonia!

Mas em cada página,
Uma cor.
Um novo mundo,
Que, embora fosse de uma mesma vida,
Não fazia-se apenas de retas linhas.
Eram curvas,
E até claves.

Escrevia então, todas as vidas.
As que conhecia e as que não sabia!
E delas, como trilha,
Iam-se e perdiam-se de sua mira.

Escrevia o que poucos viam.
Como o toque da Lua na pele fria desse Mar,
Que deixava suas ondas beijarem as areias da praia
Para não deixá-la seca.
Como o que faziam aquelas estrelas que caiam
A cada desejo que as pessoas lhes faziam.
Como as notas estão nas músicas que tocam nas ruas da vida
E em como perspectivas dão novo sentido a coisas já antigas.

E em cada página
Uma lágrima,
Um sorriso.
Uma música,
Uma saudade...
Que embora pertencesse a uma mesma vida,
Não deixavam que ela se passasse vazia.

E naquela praça então,
Novos versos compõem sua nova canção.
Seria aquele casal de velhinhos
Ou o moço ali, sozinho?

E com isso, com caneta na mão,
Escreveu versos do que mais lhe tocou o coração!

Loretta di Fiori.

O Conserto

Se um detalhe for esquecido,
Bastará uma imagem criada,
E nela, acreditada.

Será o suficiente para buscar sons
Que vêm e vão,
Rasgando a memória
Enquanto não há encanto em sua fala.

Duras Palavras!

Não há uma plateia saudosa
E sorridente
A contemplar.
Nem há afinação
Em qualquer um que a ele olhar.

São ásperos.
Ruídos!
Semblante pesado.
Destruídos!

De repente,
Juntam-se dois ou três,
Até tomar forma.
E logo, já se nota:
Estariam num teatro?

Como se fossem
A um espetáculo,
De repertório já conhecido,
Mas sem fazer-se referido,
Criam expectativas.

Cruéis!
Fazem disso um show.
Aplaudem com sarcasmo
O que é errado.

Imaginam notas
Onde há pausas.
E nas melodias,
Só o som das intrigas.

Um cedeu.
Entregou o instrumento.
Lançou fora o orgulho,
Rendendo-se para surpresa do show.

Era exatamente o que eles queriam.

Porém, mal sabiam que aquilo já estava escrito.
E não nas entrelinhas,
Mas sim, na peça que ali não terminaria...
Pois não era o fim da linha!

Afinal, isso não era um Concerto.
Embora parece InCerto
O porquê deste Conserto.


Loretta di Fiori

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Notas de Silêncio

Calou-se.
Não se ouvira mais os sons...
Os doces sons daquelas músicas
Que ela tocava às seis  da tarde.

Passava em frente à sua casa,
E, como quem para,
Admirava-me ouvi-la tocar.

Hoje, passei por lá.
Nada ouvi a tocar.
Pensei estar em semibreves,
Que de tempo, não eram nada breves!

Até que notei serem pausas.
Pausas dessas semibreves.
Comecei a contar.
Contei, contei.
E o compasso foi quase dobrado,
Então pensei "estão pontuadas".

Esses pontos de aumento
Só aumentaram minha tristeza
E agonia,
Por não ouvir nenhuma sinfonia!

Suas notas, que antes, faziam poesia,
Estavam quietas, como textos sem rima.
Afinal, isso era sua vida!

Coloque já um Ritornello,
Assim, volta à primeira composição,
Onde os sons
Eram de belas danças em vários tons.

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Valsa, você dança?

Todos sabiam da Valsa.
Sabiam os compassos que ela compunha
E julgavam entendê-la.
Afinal, parecia sem muito mistério
As notas composta em 3 por 4
Não surpreendiam ninguém.

Todavia, alguém pouco observado pela corte,
Aparência fina e trajes elegantes,
Começa a perceber o segredo atrás das partituras.
E em silêncio,observa os detalhes.

Estavam fora do ritmo.
Pés descompassados,
Errados.
Desafinados!

Então, chama a Valsa para sua primeira dança.
Estende-lhe a mão e sugere um novo refrão.
Afinal, ela não fizera questão de corrigir todos daquele salão,
Mas agradou-se daquele e retribuiu-lhe como canção.

E assim, em sua primeira dança
Compôs rima em seu coração.

Foi assim que surgiu a lenda do ritornello...
Onde nenhum deles queria parar de dançar,
Voltavam sempre ao começo
Sem nunca pararem de sonhar.


Loretta di Fiori.

A Espera

Esperar pela manhã após uma noite infinita;
Esperar pelo fim da música quando não se quer mais ouvi-la;
Esperar pela pergunta para responder;
Esperar o tempo que, descontente,
Gera angústia.

São de pesares esses tempos de espera.
Se esperares, o que então terás?
E se não o fizeres, não é certo que também o terás?

A mãe que espera nove meses para conhecer o rosto de seu filho,
Que espera conhecer o mundo.
A menina que espera seu príncipe encantado;
O rapaz que espera pela moça que está a lhe esperar.
Um espera pelo outro.

E o mundo espera por quem?

Esperar por ser o próximo em alguma situação;
Esperar o farol abrir;
Esperar por uma vaga naquela Empresa;
Esperar a chuva passar para sair de casa;
Esperar ele ligar para ir se arrumar.
Esperar o tempo que, descontente,
Gera dúvida.

São dias de inverno ansiando a primavera.
São ondas esperando para beijar a praia.
São notas mudas esperando ser tocadas.
São mãos solitárias esperando o convite para a primeira dança.
São feridas esperando a cura.
São cicatrizes esperando ser aceitas.

Como uma carta, que espera o tempo certo, para chegar
E tocar o coração daquele que a lerá.
Como o Sol, que espera a Lua concluir seu espetáculo.
Como o vento que espera o tempo certo para fazer a curva.
Como a tempestade que espera o tempo certo para ir-se...

Tudo passa, pois tudo acontece no tempo certo.
Basta saber esperar.


Loretta di Fiori.