quinta-feira, 17 de julho de 2014

O pequeno parceiro emplumado



Andando pela rua, numa tarde bastante agradável, desfrutando da sombra fornecida pelas árvores, quando um passarinho senta perto de mim. Ele me encara, dá um piado e esnoba uma expressão que se a adaptássemos à anatomia humana, seria comparável a um sorriso.
Sendo tocado pela sua feição amigável e convidativa, decido que junto a ele irei refletir, compartilhar e buscar respostas a muitas coisas que ocorreram nesse semestre que se encerra, a minha pequena viagem pelas minhas memórias semestrais.


"Olá pequeno passarinho, que decidiu gentilmente fazer companhia para mim. Sei que não poderás tecer comentários sobre as coisas que irei proferir aqui, porém peço a ti que ao final de meu relato, leve-opara longe, não em cento e quarenta (140) caracteres, mas no máximo de detalhes, entregue-o a uma pessoa que espera por notícias minhas. Chegue a essa minha receptora e “tweet” o que compartilharei contigo."


E desta forma, em um possível monólogo começamos nosso diálogo.


“Bem, como começar, por onde dar princípio ao que tenho a dizer? Vamos lá... eu tive início do meu semestre renovador com notícias não tão animadoras assim, entes queridos meus não estavam bem de saúde, alguns deles não decidiam-se se permaneceriam conosco, e eu mesmo não estava em paz com meus princípios ideológicos. ”


O pequeno pássaro olhava-me com uma expressão confusa, ao mesmo tempo interessada na possível migalha que uma senhora ou uma criança que passavam naquele momento poderiam deixar cair. Não me intimidei pelo descompromisso de meu ouvinte, antes mesmo que sua falta de interesse me deprimisse, falava pra mim, relatava ao meu “ser interior” aquilo que talvez não quisesse encarar de frente ou mesmo maquiar para que não visse sua verdadeira faceta.


“Pequeno parceiro emplumado, não vou atormentá-lo com chatices, vamos ao momento de mudanças positivas. Mesmo sem repostas para as dúvidas anteriores, coloquei-me a resolver aquilo que somente eu posso tomar iniciativa ou mesmo que só sobre mim as consequências viriam. Decidi mudar hábitos, contornar expectativas e inovar. Sim, inovar, eis a palavra do semestre. A forma encontrada por mim para tanto fora uma revolução em aspectos sociais, intelectuais e trabalhistas."


Socialmente renovei e engrandeci vínculos antigos. Busquei mudanças na minha forma de me portar ao mundo e como o universo ao meu redor se relacionava comigo. Novas amizades foram implantadas, novos costumes foram conhecidos por mim, e muito aprendizado eu obtive e continuo tendo. Quanto aos contatos mais antigos, cada um à sua maneira, procurando respeitar os limites e limitações de cada realidade, fomos nos aproximando mais, seja acercando-nos virtualmente ou fisicamente, mas assim o fizemos.


Intelectualmente encarei velhos monstros que sempre me assustavam, medos esses hoje vistos por mim como assimiláveis, confrontáveis e domáveis. Sei que esse processo, dos três, será o mais laborioso, porém sei também que seus frutos serão os mais suculentos, frutos esses que para serem mais bem apreciados precisam ser compartilhados.


A questão trabalhista... ponto difícil. Dizem que o trabalho bonifica o homem, porém encontrar o trabalho certo e adaptá-lo a sua realidade tem sido algo tão difícil. São tantas variáveis e incógnitas para serem equacionadas que o deprimem o derrubam e o decepcionam...”


Creio eu, que se meu preceptor entendia o que falava, que meu relato fez com que o mesmo lembrasse também de alguma obrigação. Em um momento estava lá, olhando para mim, apreciando a sombra da árvore, um olho em mim, outro nas pessoas que nos rodeavam, quando de repente bateu asas e voou. Um sentimento de solidão e tristeza invadiu meu ser naquele momento. Quase me sentindo totalmente deixado de lado e esquecido, avistei ao longe em um local muito bem escondido e camuflado meu caro amigo cuidando de seus afazeres também, em seu ninho com seus filhotes. Senti naquele momento um sentimento de reciprocidade, como se ele relatasse a mim um pouco de sua rotina ornitóloga, tentando me fazer entender a minha função no meu círculo humano.
Poucos momentos depois ele retornou, olhou pra mim e senti um ar de despedida. Olhei pra ele, agradeci, mentalmente dessa vez, pelos momentos que ele me presenteara de seu dia e disse a ele:


“Pequeno amiguinho, sei que tens o que fazer, porém seja firme em seu compromisso de ouvinte e intermediário, voe vá a minha receptora e leve a ela minhas palavras”.

Ele olhou pra mim, e com um leve bater de asas se foi, não sei se entendeu o que disse a ele, mas sei que não foi em direção a seu ninho como fizera anteriormente. Sendo assim minha querida leitora, se um passarinho hoje parecer sorrir pra você, sorria de volta, pode ser que ele tenha notícias para contar-te.



- O Alquimista-

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Inspiração

Os dias foram agitados,
Repletos de idas e vindas e poucas pausas.
Decidi pontuar uma delas..
Estender o compasso mais um pouco:
Foi então, que reparei, sobre a mesa,
Um bloco de folhas brancas
Como se estivessem todas rabiscadas
Com dizeres sinalizando para usá-las
Com versos e prosas.

Me aproximei,
Como quem vai bem sutil e delicadamente.
Repousei minhas mãos
Como se fora um ensaio para uma Valsa
Ou uma Sonata.

Alguns trechos vinham dançando em minha mente.
Melodias não muito definidas.
Um perfume me vem à recordação.
Um abraço,
Uma saudade...
Comecei então, a escrever.
Os versos foram tristes.
As notas foram melancólicas.
Talvez dos olhos de quem as lessem
Descessem lágrimas.

Dobrei o papel em quatro partes
E coloquei em uma garrafa.
Fiz meu desejo
E em segredo,
Joguei ao alento.
Talvez você encontre...
Talvez você leia.

Em algum lugar do mundo
Saiba que foi minha inspiração!


Loretta di Fiori.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Maktub

Já estava escrito.
O destino...

Olhos que se cruzam nas ruas,
Nos semáforos.
Mãos que se ajuntam, que se enlaçam
Nos mais variados momentos.

Sorrisos que se abrem,
Ideias que nascem.
Rancores que desaparecem
E amores que geram seus cantares.

Melodias antigas que tornam-se novas.
Acordes esquecidos enriquecem os novos horizontes.
Luz, câmera, ação: protagonista de sua própria história.
Mas  ainda não sabe o conto final.
Se é história de romance policial,
Ou de investigação criminal.
Suspense.
Romance.
Aventura.


Alguém passou por trás do arco-íris.
Alguém ali esteve.
E o destino?

Já estava escrito o presente
Que se recebe de presente!
Outrora era futuro.
O passado era presente.
Que o amanhã nunca passe.

Pausas pontuadas:
1-2-3-4.
O limite já foi ultrapassado.
Staccato!
Os segundos passam.
E o nosso destino junto deles.

Detalhes.
Sóis despencando,
Luas irradiando.
Estrelas sempre brilhando.
Percebe?

Hoje choveu.
Amanhã fará sol.
Já estava escrito.

Hoje te vi.
Amanhã, não mais...
Já estava escrito.
Rallentando.
Maktub!


Loretta di Fiori.

domingo, 6 de abril de 2014

Acordes do Silêncio


Permaneci em silêncio.
Não escrevi.
Não falei.
Deixei que os anos
Se permanecessem no silêncio.

As páginas continuaram em branco,
As penas, sem tintura.
As lágrimas secaram.
Mas suas marcas marcaram por onde estiveram.

O mundo ainda girava,
As estações me faziam
Lembrar que ainda
Permanecia em silêncio,
Enquanto bradava  o mundo
Ao meu redor.

O sol e a chuva intercalavam
Em apareceres e desapareceres.
A música não quis mais que fosse tocada.
As prosas e os versos
Não quiseram ser pronunciados.

Até que este silêncio foi interrompido
Pelo clamor de um olhar.
Não havia nada nem ninguém
Que deixassem de percebê-los.
Os mesmos ventos
Ao som das mesmas melodias,
Os mesmos quereres e dissabores
De repente começam a, lentamente,
Escrever naquelas páginas
Que há muito estavam em branco.

Os mesmos motivos,
As mesmas ânsias e alegrias,
Surgiram do abismo silenciosamente
Ao coração dos ossos secos.

Ainda reclamais do silêncio?
Ainda o preferis?

Nesse turbilhão de momentos
É agitado demais,
E sobremaneira perigoso.
A calmaria que vem cegar os olhos
E emudecer os gritos
Talvez faça bem!

Há tanto não ouço esse som...
Que saudade!
Dó, ré, sol, fá#
Ainda me lembro das notas dançando
No salão de festas.
Percorrendo as páginas com cinco linhas.
Acordes que choram,
Violino e guitarra.
Clássico e intenso.
Nuvens sem água
Navegam agora pelos céus deste coração!

Loretta di Fiori.

Letras que falam

Você escreveu o que queria.
Usou tons sombrios e sem cor,
Misturando palavras melancólicas
E sem riso;
Que dos olhos de quem as lê
Descem lágrimas,
Percorrendo longos e curtos caminhos.

Escreveu o que sentia.
Usou de suas ferramentas,
Descreveu traumas, sofrimentos,
Solidão, dores e angústias,
Que no fim, borraram as letras.
Retratou gargalhadas sem entoar nenhum som.
Pintou retratos de histórias antigas,
Lançou suas ânsias pelo futuro do presente.
Que no fim, gerou riso nos lábios de quem as viu,
Modificando o pretérito para que fosse mais-que-perfeito.

Escreveu o que não dizia.
Construiu ferramentas
E ergueu muralhas sem entoar
Um vocábulo, um tom.
Mas chamou suas letras
Para pô-las em verso, em rima.
Em canto, enquanto cantava,
De forma, que unidas,
Diziam das mais belas sinfonias,
Sincronia...
Melodias em perfeita companhia!

Oh, escritor!
Escreveu no silêncio,
Escreveu nos ruídos.
Das ruínas levantou pilares, cantares, falares.
Silenciou vozes,
Salientou clamores,
Ergueu prantos e gemidos!
Despertou a música,
Afinou as cordas do piano ali, outrora esquecido.
Coloriu neblinas,
Enegreceu paisagens,
Criou labirintos,
Desfez amores,
Refez cantares.
Causou prantos e risos.

Em tão pouco tempo...
Em tantas Eras!

Das letras fez composições
Como se fossem seus dós, rés e fás.
Colocou-as na partitura da vida,
Tirou sentimentos,
Trocou lágrimas em sorrisos.
Emprestou novos sentimentos,
Expressou sentidos,
Afinando ao compasso, quem os entendesse
E desafinando os ausentes.

Dormiu. Sonhou.
Acordou. Escreveu.
Sonhou: Escreveu.
Sonha aquele que escreve
Ou escreve quem sonha?
E o escritor escreve sonhando,
Ou sonha enquanto escreve?

As letras, a música.
A voz, as letras!
"O amor é a melhor música na partitura da vida", dizia o poeta. "Sem ele, você será um eterno desafinado".
O amor pela música. Pela rima. Pela bela poesia!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 18 de março de 2014

Lágrimas no travesseiro

Acordei com lágrimas no travesseiro,
Rosto vermelho e olhos pequenos.
Como se minha noite tivesse sido resumida 
A todo meu passado.

Vi sua imagem.
Senti saudade.
Te mandei uma mensagem...
Mas desta vez foi diferente.
Foi sem encanto,
Sem magia...

Sentei sozinha em um canto qualquer,
Comecei a ler desde o começo.
É, desta vez foi sem encanto,
Sem magia...
Me senti vazia!

Tornei meu passado, meu presente.
Às vezes, esqueço que coisas novas
Podem acontecer.
Me pego tão apegada
Àquele tempo,
Que acordo sempre com lágrimas no travesseiro.

Esse tempo foi para refletir,
Para eu sentir que é mais forte.
Mais intenso que no começo,
Mais sincero,
Mais tocante.
Por isso, que acordo 
Sempre com lágrimas no travesseiro.

Você pediu para ficar distante,
Para não ser mais aquela que fui um dia.
Nada mais é como antes!
Vi isso, quando percebi que
Aquela mensagem era sem encanto,
Sem magia.
E hoje, estou completamente vazia!

Senti o impacto aquele dia,
Senti sua frieza.
Chorei enquanto lavava meus cabelos.
Enquanto lembrava das palavras
Que foram jogadas ao vento.

Mas é assim mesmo,
Já dizia o poeta:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Muda-se o ser, muda-se a confiança..."
Eu que preciso mudar,
Me readaptar a esse novo presente.

Mas ainda existem,
Existem essas lágrimas no travesseiro.
Por que? Tanto vazio...


Loretta di Fiori.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lágrimas de papel

Uma vez decidi que partiria
Para um lugar onde nada
Me trouxesse lembranças
Daquele tempo.
Decidi que ali seria meu refúgio,
O meu castelo, só que na areia.

Resolvi escrever tudo em um papel,
Sair correndo
E, no meio do nada,
Sob o pôr-do-sol,
Queimar  minhas lembranças
E jogá-las ao vento.

Me esqueci, porém,
Que as únicas coisas
Que me restavam de você,
Eram estas lembranças.
E percebi isto,
Quando as escrevi no papel.

Então, voltei correndo.
Destruí o castelo de areia.
Chovia.
E as gotas da chuva
Se misturavam às minhas lágrimas.
Lágrimas de dor,
Lágrimas de saudade,
Lágrimas de papel.

Hoje, não quero jamais
Perder nenhuma lembrança
Daquele tempo.
Todos os dias
Me sento,
Me perco nas memórias,
Memórias daquele tempo.
E escrevo minhas lágrimas de papel.

Todos os dias me deito,
Me lembro.
Sou recordação,
Você é a saudade.

Mas são apenas lágrimas,
Lágrimas de papel.


Loretta di Fiori.

Sessenta Luas

Naquele dia, a lua resolveu se esconder.
Parecia o fim,
Parecia...

O primeiro triste e
Solitário aparecer da Lua
Só marcou que seria
Um longo tempo de lá para cá.

E vieram as outras Luas,
Os outros choros,
As mesmas saudades...
O mesmo motivo!

Parecia o fim,
Parecia...

A cada luar,
Uma espera de algo.
Na verdade,
Todos vivemos a esperar;
Cada um com seus motivos,
E a espera parece não ter fim.

Hoje o luar me trará
Teu sorriso,
Teu olhar.
Me trará à memória
Teus beijos,
Teus olhares.
Quem sabe, até
Uma surpresa...

Afinal, ainda espero há sessenta luas!

"Patience, patience".

Loretta di Fiori.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Inconstantes

Nuvens sem água,
Levadas por ventos...
Para onde irão?

Árvores secas,
Ninguém sabe quais frutos
Um dia, esta cedeu.

Taças vazias,
Manchadas pela bebida
Que um dia serviu.

Olhares distantes,
Ninguém perguntou
O porquê.

Trens sem rumo,
Vagões marcados pelo tempo.
Onde já estiveram?

Vidas solitárias,
Mãos desacompanhadas,
O que esperar?

Corações gelados,
Costurados pelas linhas da amargura.
O que aconteceu?

Pessoas distantes,
Muros construídos.
Cores cinzas.
Amores inconstantes,
Sentimentos perfeitos.
Memórias esquecidas,
Fotografias rasgadas e
Pinturas envelhecidas.

Palavras distraídas,
Atitudes incompreendidas.
Pensamentos sombrios,
Lágrimas caídas.

Passos largos,
Medo.
Rastros de paixão,
Desejo.
Desapego da emoção.

Risos amassados,
Olhares desperdiçados.
Gargalhadas falsificadas,
Lágrimas disfarçadas.

Fugas para o esquecimento.
Lutas para manter em segredo.
Discretos,
Sinceros.
Seus afetos.

Sóis azuis.
Céus larajandos.
Lua prateada,
Estrelas douradas.
Noite de lua cheia,
Solitário reflexo na sacada.
Janela entreaberta.
Cortina balançando.
Sirenes.
Gritos.
Gemidos.
Amores.
Faróis.
Luzes.
Fumaças.
Dores.
Noite, noite.

Alma pálida.
Corpo sem curvas.
Mãos manchadas.
Crime perfeito.
Um bom disfarce.
Ganhe essa carta.

Esqueça.
Não, vá...
Fique!
Siga os sons.
Não ouço.
Eu também não.

Efeitos inesperados.
Cartas marcadas.
Ruínas sinalizadas.
Cidade adormecida.

Príncipe Encantado.
Bela Adormecida.
Acorde!
Estão todos lá fora.
São dez para as seis.
Céu colorido.
Trilhas de arco-íris.
Onde estão todos?

Inconstantes.


Loretta di Fiori.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pra te fazer lembrar - Lucas Lucco e Quando se lembra - Loretta di Fiori



"Os momentos poderiam ser eternos".
Passamos muitos dias repetindo essas palavras.
Mas, todas as vezes que se tem o momento e o alguém perfeitos,
A emoção é tão grande,
Que, por mais que queiramos que o sejam,
Existe uma coisa que sempre acontece:
Ele passa rápido demais.

Não aprendi a lidar com isso ainda.
Por mais que eu tente aproveitar cada segundo,
Me arrependo de não ter ficado mais,
De não ter tentado mais.

Quando se lembra...
Isso dói!
Corrói por dentro.
Esmaga os sorrisos,
Enaltece as lágrimas.

E quando o final não é o que se espera?
O fim dos momentos que tivemos...
Cada um sabe de suas dores,
De seus momentos!

Não consigo pensar nisso ainda.
Eu tento disfarçar,
Cativar minhas memórias
Para distante...
Mas, tudo o que vejo são o momento e o alguém perfeitos.

Quem nunca sentiu a dor da saudade?
A dor do não poder se despedir direito...
Mas, de se esperar todos os dias por um novo começo?

Ah, quando se lembra...
Tantos flashes e recordações.
Sons que vêm e vão.
Perfumes que ao redor sempre estão...
Voz que sempre fala ao coração!

Hoje a noite está sem o luar,
Apenas com o brilho no coração,
Dos momentos...
Que ainda não tiveram um ponto final!


Pra te fazer lembrar de mim,
Eu primeiro, lembro de você!


Loretta di Fiori.

Verso e Melodia


Ela, sentada, frente a frente com suas teclas brancas e pretas,
Ao piano assenta suas mãos.
Fecha seus olhos,
E como notas em partituras,
Os versos aparecem
Em perfeito tom
E inspirada melodia.

Ele, de sua janela a ouve.
Não sabe quem é.
Apenas, fecha os olhos,
E, repousa sob a melodia
Soberana daqueles versos.

Ela, sem saber,
Declina-se ainda mais.
Percorre as oitavas
Em piano, pianíssimo
E forte, fortíssimo.

Ele, já inconformado
Por não saber de onde vem
Tal composição,
Segue seu coração.
Vai em busca da bela canção.

Sonatas,
Rapsódias,
Valsas.
Drama,
Suspense,
Expectativa.

A música os une então.
Ele chega à sala onde o piano reina absoluto
E governa sobre os que se rendem ao seu encanto.
Ela está virada, não consegue vê-lo.
Ele, apenas vê as lindas mãos percorrendo as teclas.

Que versos!
Que melodia.
A composição até parece rima!
Ela se vira,
Ele a contempla.
Como brilham os olhos.
Como cintilam os sorrisos.

Se aproximam.
Se tocam.
Sem dizerem nada,
Alguém percebe e se volta ao piano,
Tentando não deixar que se perca o momento.
Som da voz.
Suave.
Toque das mãos,
Suave.

Juram amor.
Sua vida
É um verso a cada dia,
E quem quiser,
Pode até conseguir ouvir a melodia!


Loretta di Fiori.

Versos ao vento, sem rima e sem alento!

Escrevendo,
Parei.
Qual a razão disso tudo?

Os dias passam devagar para alguns,
Rápido demais para outros.
As noites são tristes para uns,
Quentes de amores para outros.

A lua do outro lado talvez brilhe mais,
Aqui, às vezes ela se ofusca...
Tem mais estrelas em outros céus?

O que será que está além do horizonte?
E aqui, embaixo da terra?
E no fundo deste mar?

Por outro instante,
Parei.
Olhei para cima,
Sem palavras, meus olhos viram as estrelas
Pintando teu sorriso.

Fechei meus olhos
Por um longo tempo.
Apertei o mais forte que pude
Para evitar que as lágrimas caíssem.
Não consegui.
Foi mais forte do que eu!

As ondas levam meu alento.
Deixam estes versos, sem rima
Jogados ao vento.
Me lembro daquele tempo.
De nós, da voz.

Saudade.
Sinto tanto a sua falta.

Deste lado, o tom azul do céu é diferente.
A cor do mar, que cede seu espetáculo
À sua amante lua,
Que todas as noites toca sua pele,
Beija suas ondas...

Tempo, tempo, tempo.
Dias, noites.
Primavera,
Verão,
Outono,
Inverno.

Sorrisos,
Beijos,
Olhares.
Memórias.
Saudades.
Lembranças!

Volto - me para o mar.
Aquelas cartas, cartas de saudade,
Coloquei na velha garrafa.
Talvez um dia, deste lado,
Receba todas elas.
Leia,
Se emocione,
Chore.
Sinta...
Como o mar,
Que deixa a lua lhe tocar!

Versos.
Dispersos.


Loretta di Fiori.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O que acontece...

O que acontece quando se vê uma fotografia,
Quando se sente um perfume,
Quando contempla aquela flor, dada de presente?

Vamos, o que acontece?

E quando se ouve aquelas músicas,
Mas não se ouve a voz,
E  nem se tem o "nós" nas frases?

O que acontece?

À  medida que se passam os dias,
Que a terra completa mais um movimento de rotação,
Abrindo os céus das minhas, das nossas manhãs
Com a luz do sol.
E fechando meus dias, nossos dias, com o brilho da branca lua.
Sim, com isso, vou contar agora:

Talvez aconteça de eu estar morrendo lentamente,
Esperando por um simples "olá".
Sentada, passando meus dias, minhas noites
Sem nada a sobrar mais neste mundo.
Diga para o mundo parar de girar,
Para as flores pararem de nascer...
Para esta que escreve versos em manuscritos,
Não mais pegar no papel e na caneta.

Mas prometi não me render.
Não ceder lugar às lágrimas.
Eu prometi!

Então, o que acontece?

As noites são longas demais.
Os dias, frios demais.
Mas saiba que ainda espero.
Muitas vezes escrevi e não mandei.
Coloquei cartas numa velha garrafa...
Fiz um desejo e lancei para longe.
Talvez, tolice esperar por não saber o que.
Mas, prometi.

Assim, o que acontece?

Aqui, do outro lado,
Além do sol,
Escrevo.
Componho.
Rabisco.
Desenho.
Canto.

Perto demais.
Longe demais.
Aqui, ali.
O que saber?
O que acontece?
Não consigo enxergar.
Não dá! Já tentei inúmeras vezes...

Volto a sentar,
Escrever.
Compor.
Minhas notas brancas e pretas conhecem o tom desta melodia.
Aquela caneta, a flor, já descreve o que quero escrever todos os dias.

Mas para que?
Afinal, tudo isso para que?

Vamos, o que acontece?

Não sei!
Mas, sinto sua falta.


Loretta di Fiori.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mudanças

Um estilo novo. Uma novidade.
Uma nova influência, novas perspectivas.
Outrém importante, considerável...
Sentimentos antigos sob novos olhares.
Uma luz que se acende, preenchendo escuridões inexplicáveis.
Onde era campo vazio, flores.
O que ficou para trás torna-se esperança de futuro.

Paz...
Novo gosto, nova literatura, nova.
Manias adquiridas, linguajares inovadores.
Novos idiomas...
É tempo de mudanças, decisões.
Rupturas com o passado, tornando-o presente... Quiçá? Futuro.
É preciso novidades, decisões.
Identidades reveladas, verdades serem ditas.

Amor...
Novos carinhos, novos afagos.
Um novo jeito de se mostrar.
E se deixar ver.
Fazer-se notar...
Escrevo com objetivos, sobretudo agradar.
Aos olhos daquela menina, a nova mulher.
Novas intenções, novos métodos...
Uma nova companhia.
Um nobre motivo para uma explosão de alegria.
E este é o meu momento.


Assim, eu estou.

Lorenzo di Bianco.

Somos um

Quando te conheci, vi seus olhos brilharem.
Naquele dia, não entendi o que estava sentindo.
Sabia que seria diferente, haveria algo a mais.
Aproximamo-nos, conversas aleatórias.
Diversos motivos para sorrir.
Várias gargalhadas numa mesma frase.
Os olhos brilham cada vez mais.
O sorriso é franco, espontâneo.
Não há mal-entendidos, nem tampouco confusões.
Apenas sorrisos e brilho nos olhos.
Entendemo-nos, completamo-nos.
Eu digo que assusta, que é intrigante. Você me encoraja.
Predomina a curiosidade.
Perguntas são feitas a mil por hora,
E as respostas vêm ao encontro do questionante.
Solenes. Perenes.

Músicas, livros e filmes compartilhados...
Frases e pensamentos expostos.
A busca por novos horizontes recebe incentivo. De ambos.
A cada conversa, um aumento na responsabilidade:
É preciso manter os olhos brilhantes...
Antíteses:
Uma mulher e um homem.
Uma poesia e uma prosa.
Espanhol e italiano.
Português e inglês.
Encontros e desencontros.
Nunca despedida.
Somos mais do que dois, somos um.

Quereres e poderes diversos, alcançáveis e inalcançáveis.
Pensamentos esparsos, fundidos.
Ideias que se encontram e se complementam.
Genialidades.
Personalidade curiosa, verdadeira, autêntica.
Ela, sou eu.
Transforma-se num segredo por ser demasiadamente transparente.
Um poço de fragilidade em meio a tanta fortaleza.
Encantos e suspiros, rouquidões e tons menores.
Olhos brilhantes... Nunca menos.
Não entendemos ao certo o que tudo isso significa,
Mas aproveitamos cada momento.
Eu o faço. Ela, sou eu. Ela o faz.
Sou duplamente convicto.

Completudes e sensações...
Plenitudes e autenticidades.
Companheiros, confiáveis e confiantes.

Somos um.


Lorenzo di Bianco

Lá na curva o que é que vem?

Remando, nota-se o convergir do curso das águas.
Caminhando, vê-se a frente, o convergir de paralelos e transversais.
Nas estradas, surgem curvas perigosas, depois de uma pista com duas vias.
Sorrindo, fica estampado a curvinha no rosto e o fechar dos olhos.
Chorando, as lágrimas caem curva ou retilineamente, contornado a face.
Gargalhando, as cordas vocais vibram e podem formam curvas.
Observando, o olhar penetra fundo um ponto finito, neste espaço curvo.

Na vida, as curvas interrompem o linear dos objetivos; do concreto.
A luz não faz curvas. Quando ela encontra um corpo, sobre refração,
Mudando de plano e de meio.
Temos a capacidade de sermos mais que a luz.
Podemos contornar as circunstâncias.

Mas, sabemos o que vem após a curva?
Ou, nós mesmos, criamos uma?

Tentando, corre-se o risco de fracassar.
Falando, corre-se o risco de ser mal interpretado.
Chorando, corre-se o risco de parecer frágil demais.
Rindo, parecemos bobos.

Não dá para pegar um lápis e uma folha branca,
Traçar um risco linear até o final.
Ele sofrerá leves ou fortes intervenções curvas.
Não dá para segurarmos o volante e seguirmos numa estrada reta, até o final.
As estradas, nós não construímos. As adaptamos.

Viajando no trem azul,
Sob o céu férrico,
Às margens do oceano,
Tentando contar os grãos de areia acima
E as estrelas abaixo,
Não somos capazes de saber,
De compreender.

Deixar de tentar?
Despedir do dia sem que ele termine?
Dar adeus ao luar,
Sem sentir na pele o seu brilho tocar?

Despir dos trajes, sem usá-los?
Sorrir sem motivo?
Tentar sem ter um porquê?

Mistérios.
Metades.
Curvas.

Vale o quê?
Um sorriso para te convencer
Da luz do luar.
Um sorriso para te fazer esquecer
Dos cinquenta tons de cinza.
Um sorriso para a endorfina surgir.
Um sorriso para abrir as estradas
Deste trem azul.
Um sorriso.
Um sorriso para te fazer lembrar
Que não sabemos
O que vem lá na curva.

Tente mais uma vez.
Volte amanhã.
Não vá assim.
Não despeça do luar.
Espere o sol voltar.
As estrelas voltarão para cima.
E as areias, para baixo dos nossos pés.
Voltaremos a nos abraçar envoltos pela brisa do mar.


Já havia me esquecido...
Lá na curva, o que é que vem mesmo?
Ah, não me importo.
Deixarei me aproximar mais para saber.


Loretta di Fiori.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Ao vento

Ao vento sentei.
Deixei o sol me tocar.
Deixei a brisa, música entoar.
Mas não deixei
Meu olhar,
Da tua imagem se desviar.
Bem ao fundo desse olhar,
Solto ao vento,
Guardei teu sorriso,
Guardei teu querer -
Meu bem-querer!

Fechei os olhos,
No silêncio ao redor,
Ouvi a música soar...
Ao ritmo do teu peito,
Do teu coração a palpitar,
Senti teu cheiro,
Suspirei fundo.
Senti teus lábios,
Lentamente no meu rosto.
Voei para outro instante.
Naquele, que só estamos eu e você.

Tuas mãos,
Grandes mãos que me seguram,
Que me acalmam,
Que me acariciam.
Teu olhar,
Que penetra o mais fundo âmago de meu ser,
Que me faz sentir única,
Que me consome inteira.

Quero te ver.
Te sentir.
E jamais te perder!
Você é meu.
E tua eu sou.

Ao vento estou.
Fique aqui comigo!


Loretta di Fiori.

Volte Amanhã

No teu silêncio,
Quero pensar que vai voltar amanhã.
Que vou ser teu sorriso amanhã.
Que me quer amanhã.

Com a tua ausência,
Não sei me acostumar.
Não sei se quer, pensar.
Só quero que volte amanhã.

Que volte a me querer,
Que volte a se apaixonar.
Que volte a suspirar.

Na noite sem luar,
Só quero te abraçar.
Sentir me tocar,
Me beijar.

Mas preciso olhar teus olhos.
Preciso te sentir!
Volte amanhã.
Não vai assim...

Quero ouvir tua voz,
Sentir teus carinhos,
Viver teus amores!
Volte amanhã.

Estou com saudade.
Já é amanhã?


Loretta di Fiori


Meus Elementos

Há muito, escrevi sobre meus elementos.
O que compunha minha existência.
Meu cerne.

Há pouco, encontrei você.
O que agora, compõe minha existência.
Meu cerne.

Há muito, escrevia poemas sós.
Compunha música sem melodia.
Notas, sem sinfonia.

Há pouco, escrevo você.
Componho esse sorriso.
Esse balançar de cabeça.

Há muito, a tela estava branca.
Sem cor, em repouso.
Esperando o colorido teu.

Há pouco, você chegou.
De cinquenta tons a minha tela encheu.
De músicas, esse ser se fez.

Há muito, era só eu.
Com quatro elementos:
Ar, Música, Dor e Poesia.

Há pouco, você se tornou
Meu quinto elemento:
O quarteto mais um!


Loretta di Fiori.

Pra você

Ser sol?
Ser lua?
Brilhar como as estrelas?
Não conseguiria.
Não posso (bem que queria).

Ser amor,
Ser paixão?
Ser comum...
Mas por quê não,
Incomum?

Ser tua,
Ser plural.
Ser a cura...
Que audácia!

Ser eterno enquanto dure,
Ou ser finita e infinita?
Sermos nós.
À sós.
Ora música,
Ora poesia.
Ser seu bem-querer.
Ser seu olhar ao horizonte.
Ser teu sorriso.
Ser teu suspirar!
Teu amar.
Eu serei...
Tudo pra você.


Loretta di Fiori.

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma homenagem ao Poeta

Para quem das dores, cria versos.
Para quem das cinzas, pinta cores.
Para quem dos sorrisos, tira rima.
O poeta.

Ele, que através da escrita
Faz o derramar das lágrimas.
Faz o gargalhar,
O olhar.
O poeta.

Para quem da natureza, cria viagens.
Para quem do universo, pinta mundos.
Para quem dos desertos, levanta oásis.
O poeta.

Ele, que interage mundos,
Que une indivíduos.
Que inspira,
Que colore.
O poeta.

Para quem da vida, cria crônicas.
Para quem dos fatos, cria fábulas.
Para quem escreve e encanta.
O poeta.

Ele toca, canta e,
Nos seus silêncios,
Grita letras.
Letras que choram.
Letras que riem.
Ele se inspira para inspirar.
Ele se alegra para alegrar.
Ele sorri, para sorrirem.
O poeta.
Ele, com suas sílabas.
Mono, Di ou Poli (sílabas)
Escreve seu coração,
Escreve seus olhares.

O poeta - o encantador de sonhos!


Loretta di Fiori.

sábado, 19 de outubro de 2013

A Você

A você, que inspira meus versos.
A você, que pelo olhar, já compreendo as palavras -
Palavras estas, que são silenciadas com um beijo.
A você, que desperta meu sorriso,
Mesmo quando não imagino sorrir.
A você, que cria minhas rimas,
Que colore meus dias mais cinzas.
A você, que dá melodia
Aos meus passos,
Mesmo quando distante dos meus olhos.
A você, que ilumina meus dias nublados,
Que aquece meus dias frios
E me envolve no calor dos teus braços.

A você, que encontra nos teus dias,
Momentos de me fazer sorrir,
De me fazer arrepiar e até suspirar.
A você, que do inesperado,
Provoca meus sentidos.
A você, que faz minhas noites
Serem mais cintilantes
Ao encontrar-te em meus sonhos.
A você, que faz das minhas manhãs
Um motivo para olhar para o céu
E contemplar teu sorriso.

A você, que enche meus olhos,
Que abre meu sorriso,
Que arrepia meu corpo.
A você, que me faz ser mais otimista,
Que me faz encarar o mundo de uma outra maneira.
A você, que me faz ser melhor a cada dia,
A me preocupar com você- unicamente você!

A você, que se tornou essencial em minhas poesias.
A você, que poetisa meus dias com seu jeito único de me ver!
A você, todos os meus versos.
E só a você, todos os meus carinhos!


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Meu Recôndito

Tempestade a caminho.
Ouço trovões.
Dos clarões no negro céu,
Eu desvio meu olhar.

Pingos de chuva a cair:
Lentamente um, dois...
Até meus cabelos molharem,
E minhas roupas grudarem no meu corpo.

Corro para meu recôndito.
De olhos abertos,
Tento enxergar o que está à minha volta.
Vejo vultos,
Ouço ruídos.
Não está muito claro,
Mas sei para onde quero ir,
E onde devo chegar.

Meu caminho até lá,
Não é fácil.
Nem um pouco simples.
Mas há pouco, foi colorido.
Pintado de lindas cores!

Um, dois...
Eles retornam.
Os pingos tornam-se leves-
Não me machucam!
Apenas escorrem pelo meu corpo.
Contornam meu rosto,
Parecendo um choro.

Mas não choro.
Não preciso disso!
Você está aqui para me proteger.
É a cor do meu caminho,
É o sol a raiar após a tempestade.
É o arco-íris...

Quando penso que tudo chegou ao fim,
Você é meu recôndito!


Loretta di Fiori.

Simplesmente

Simplesmente e displicentemente
Pus tudo a perder?
Como um jogo?
Não sei jogar.
Não quero jogar!
Afinal, isso não é um jogo
Simplesmente.

Mas as cores são belas.
As figuras me encantam.
As músicas me fascinam!
Onde estou agora,
Simplesmente isso?

Não pode ser!
Acorde!
Levante-se!
Isso é mais do que bela paisagem.
É mais do que agradáveis melodias.
Não é simples assim.
Afinal, não é um jogo.
Eu disse que não quero jogar!

Volto a fechar os olhos,
Num instante,
Repouso minha sina
Nesse olhar.
Nesse querer.
Nesse arder!

Poderia torná-lo mais simples,
Mas insisto em complicar...
Por quê?
Por que ainda não aprendi?
Simplesmente porque nunca vivi.
E não é um jogo - nunca foi!
Mas me sinto tão vulnerável
Quanto uma peça
Na mão de um estrategista.
E eu deixo simplesmente.

Mudar?
Está confortável.
Acorde!
Seu tempo acabou.
O trem chegou.
Próxima parada:
Não sei!

Simplesmente, não sei!


Loretta di Fiori.



Não foram palavras sós

Sobre a grama,
Contemplando as montanhas altas,
Os verdes campos.
Sob o azul do céu,
A brisa a tocar o rosto
E desarrumar os cabelos,
Estou a pensar.

No desenho das nuvens,
Faço teu sorriso.
Com o tocar do vento,
Posso te sentir.

Você estava ali,
Tão distante de mim.
E eu aqui,
Nos detalhes,
Tentando deixá-lo presente.
Mesmo que ausente.

Ao som do vento,
Me recordo das palavras.
Dos sons e melodias.
Dos versos e poesias.
Risos e sorrisos.
Eu sei, não foram  jogados.
Não foram simplesmente.
Aconteceram por um motivo.
Por você! Por mim!
Por nós!

Agora, com palavras sós,
Com olhares a sós,
Com sorrisos em dós,
Me encontro só.

Onde está você agora?


Loretta di Fiori.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Você, Você! (Parte II)

Encontro você.
A música soa ao fundo,
Vejo me olhar,
Sinto me tocar
E me levar
Para perto.

Fecho meus olhos,
Sinto seu beijo.
Abro meus olhos,
E te vejo.
Contemplo teus olhos
E me vejo neles.

No compasso,
Levo minhas mãos.
Sinto seu calor,
Todo seu amor!

Sua vontade,
Seu prazer,
Seu querer.

Eu, em teus braços,
Me perco -
Me encontro ao te sentir.
Seu coração pulsando
Em ritmo acelerado.

Me despeço,
Te deixo...
Calma, ainda te vejo.
"Te quero, como você me quer".


Loretta di Fiori.

Você, Você!

Meu pensamento ao longo do meu dia.
Meu sonho quando cai as noites.
Minha canção, minha melodia.
Meu peito a palpitar,
Meu celular a vibrar.
Meu sorriso quando te vejo.
Meu suspirar quando me toca.
Meu repousar quando me abraça.

Meu sorriso, meu luar.
Minha manhã, meu tocar.
Meu olhar, meu acordar.
Minha prosa, minha poesia.
Meus versos, meus acordes.
Minha música, nossa música!

Minhas letras,
Minhas cores.
Meu prazer - teus sabores!
Minha paixão - teus amores!
Meu paraíso- teu beijo!


Loretta di Fiori.

Meu acorde, minha poesia

Sentei-me diante
Das minhas teclas brancas e pretas.
Fechei meus olhos,
Senti seu respirar,
Senti me beijar,
Ao ouvir nossa música tocar.

Repousei minhas mãos
Diante das linhas brancas,
Segurei meu lápis
E compus minha poesia.

Sob as teclas,
Faço meu acorde.
Em rima, toco seu nome.

Deslisando pelas linhas,
Escrevo você.
O que me faz,
O que me atrai.
Tiro versos,
Troco verbos.

Vou para outro mundo,
Onde faço dos meus versos
Minha sinfonia
E dos meus acordes,
Poesia.


Loretta di Fiori.

Eu, Tu - Ele: Nós

Eu estava inerte,
Sob o preto e branco
Do céu.
No meu mundo, no meu eu.
Na ausência,
Minha presença.
Na presença,
Sua ausência.

Tu estavas por aí.
Sob as cores do céu,
Vivendo seu paraíso,
No seu mundo -
Salvando o meu mundo,
Que era meu,
Sem ao menos,
Saber.

Ele-
Apareceu!
Me viu, me encontrou.
Com o brilho no olhar,
Lábios úmidos,
Então, se aproximou.

O tempo passou.
Luas caíram,
Estrelas brilharam
E se cansaram,
Cedendo lugar ao
Reluzente solar.

Ele apareceu novamente.
Amor? Paixão?
Turbilhão...
Sensação de emoção
Ao ver e sentir seu coração.

Ele me abraçou,
Me envolveu no calor dos seus braços.
Me tocou com suas mãos fortes,
Me beijou.
Me levou àquele paraíso que vivia;
Num instante, meu céu se coloriu
Deixando de ser monocromático tom de cinza.

Da repente, viramos nós.
Falei do eu,
Falei de tu.
O "Ele" que moveu meu olhar,
Que exibiu meu sorriso,
Que cativou meu eu.
Agora, falo de nós -
Do que viramos,
Do que nos tornamos.

Sei do que sinto.
Sei do que vejo.
Somos mais do que dois corpos,
Somos mais que dois -
Somos um - no mesmo sentimento,
Na mesma sensação,
No mesmo momento!

Nos tornamos...
Sim, o nós.
Verbos conjugados no singular
Tornaram-se plural.
Eu, Tu - Ele: Nós.


Loretta di Fiori.

domingo, 2 de junho de 2013

O Mar e Eu

Ela caminha.
Deixa seus pés tocarem as areias úmidas.
Lentamente segue o caminho infinito,
Deixando suas pegadas no chão móvel.

Olha o horizonte.
Enxerga além do que seus olhos
Conseguem ver:
Contempla sua dor.

Se senta frente a frente com o mar.
Repousa ali suas lágrimas.
Deixa elas escorrerem e serem levadas pela brisa
E se seguirem com as ondas.

Escreve seus versos,
Deixa a areia conhecê-la.
Afinal, poucos a conhecem.
Mas o mar vem e leva seus escritos.

Preocupado que alguém os veja,
Que alguém a conheça,
Ele não dá trégua
E, com uma única onda, cessa seu pranto.

Ela pára.
Ela chora.
Ela se levanta.

Caminha em direção às ondas,
Onde elas se quebram,
Onde se rendem à grandeza do mar.
Ela vai.

Sem pensar,
Sozinha ela deixa seus pés molharem.
Um terço...
O arrepio das águas geladas lhe sobe pelo corpo.

Dois terços...
Sua calça dobrada se molha
Das lágrimas e das águas salgadas.
Seus olhos se levantam para o fim.

O fim que ela não vê.
O fim tão infinito.
Seu coração acelera,
Suas mãos esfriam.

Ela.
Pronome que dei à mim.
É mais fácil não pronunciar meu nome.
É mais fácil me enxergar assim, do lado da frente do espelho.
Atrás dele fica mais difícil.
Fica mais sombrio.
As ondas fazem barulho.
As águas borbulham.
Elas se chatearam com meu pranto,
Com meus versos que correram por suas ondas.
Quem sabe chegará do outro lado.
Chegará no fim do meu infinito.
Quem sabe elas levarão esses tristes versos
Para atrás do sol.
Para atrás da sombra.
Para atrás da tempestade.
Para atrás do mar.
Pois aqui, estou eu.
Só eu e o Mar.

Loretta.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tantas Letras

Tanta escrita.
Pouca fala.
Tanta poesia,
Pouco desprezo.
Tanta prosa,
Pouco devaneio.

Escreve e lê.
Pinta e colore.
Canta e sussurra.

Tantas letras,
Poucas palavras.
Tantas, tantas!

De gestos, cria rima.
De falares, pinta um quadro.
De alguém, cria prosa.
De mim, cria encantos.

Com tantas letras,
Não lhe falta inteligência.
Com tantos amores,
Não lhe falta flores.

Já viu,
Já partiu.
Já viveu,
Muito virá.
Pouco ficou.

Com risos,
Com lembranças,
Com saudade,
Pouco se alcança.

Mudou.
Ficou.
Criou e recriou.
Fez e tornou a fazer.
Está.
Fique.
Não vá.

De tanto escrever,
Pouco se vê.
Mas grande é o querer
Desta alma,
Desta história,
Desta rima,
Desta forma
Que fiz
Para você!


Loretta di Fiori.

Os dois lados

O lado escuro da lua,
O lado branco e brilhoso que vemos todos os dias.
O lado calmo do mar,
O lado furioso de suas ondas gigantes.
O lado das flores,
O lado do deserto.

O inverno,
A primavera.
O outono,
O verão.
Você,
Eu.

O lado feliz dos sorrisos inesperados,
O lado que só aparece para disfarçar uma lágrima.
O lado das lágrimas de felicidade,
O lado molhado da tristeza que elas expressam.

Que lado você quer?
Que lado você vê?
O que você prefere?

Sua vida, minha vida,
Nossa vida de repente se cruza,
E de repente se vai.
Passamos um de cada lado,
Sempre em paralelo.
Sabe qual a diferença?

Você estava no lado branco,
E eu, no lado negro.
Sim, pois nossas vidas
Jamais compartilharão do mesmo lado.

Loretta di Fiori.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Quatro Estações

Quando as flores nascem,
Tão lindas, que perfumam qualquer lugar.
Quando suas cores alegram meu dia,
Quando a brisa toca e o sol me ilumina,
Sinto o frescor,
Sinto o amor,
Sinto a primavera renascer em meu ser.

Quando o sol aparece,
Quando o brilho é mais intenso.
Quando quero voar,
Quando quero sorrir,
Me vejo, me sinto.
Me perco, me encontro.
As noites são quentes,
São intensas e coloridas.
É o meu verão,
Minha estação.

Mas há um momento em meu ser,
Que as cores começam a desaparecer.
Que as flores, lindas flores,
Começam a cair.
Se despedem de mim,
Me dão adeus,
Partem para bem distante.
O colorido de repente,
É marcado por cinza.
Cimento. Calçada. Ruas da vida.
Becos sem saída,
Fim da estrada.
É o outono dizendo que meu inverno
Está se aproximando.

Enfim, minha tão temida estação ressurge.
Aqui, só há frio.
Aqui, só há solidão.
Não há cores, não há carinho.
Não há sentido, não há brilho.
A lua mostra suas marcas,
Me dizendo do que ainda terei de passar.
As árvores estão secas,
Sem esperança parecem estar.
Os ventos cortam meu rosto,
Marcado pelo tempo,
Carregando cicatrizes do inverno passado.
Curando dores da estação passada.

Oh inverno!
Tão seco, tão sombrio.
Tão frio, tão distante.
Todos parecem estar como você.
Todos parecem se sentir como eu.
Mas não. Estão todos bem.
Ficarão todos bem.
Afinal, vai passar.
Logo, minha primavera vai chegar.
A estação das cores,
Dos sentidos e emoções.

Eu quero que vá?
Não, fique.
Está bom assim...
Já me acostumei.
Fique.


Loretta di Fiori.

Valsa do Adeus

Girando, girando, girando.
Hora de parar.
Tudo continua girando.
As estrelas estão em movimento,
A lua está se exibindo tão de perto.
As ondas estão agitadas,
As areias da praia, tão inquietas.

De repente, o silêncio.
A brisa tocando o rosto,
Me fazendo lembrar.
Mas quero continuar girando,
Assim, as coisas não têm sentido mesmo.
Quando estão inertes, me preocupam.

Vejo o brilho tão ofuscado.
Vejo os sons tão silenciosos.
Vejo os sorrisos tão fechados.
As saudades apareceram,
As cores cederam seu encanto
Aos frios preto e branco.

A minha tela está vazia.
Meus pincéis estão limpos.
O meu piano está aberto,
Mas não consigo tocar nenhum acorde.
Os meus olhos estão fechados,
Mas não consigo deixar de te ver.
Os meus escritos estão sem rima,
Mas não sei parar de escrever.
A minha valsa está desafinada,
Mas não me importo.
A minha vida está sem você,
Mas não é o fim.

Girando, girando, girando...
Talvez isso passe.
Silêncio!
Não! Não vai passar.

Terei de parar de girar.
Terei de ver o céu parado.
Terei de ver as coisas sem brilho.
Terei de viver.

Só mais uma vez,
Só mais uma...
Até essa minha valsa, dar adeus!
Se foi?
Adeus!


Loretta di Fiori.