quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Notas de Silêncio

Calou-se.
Não se ouvira mais os sons...
Os doces sons daquelas músicas
Que ela tocava às seis  da tarde.

Passava em frente à sua casa,
E, como quem para,
Admirava-me ouvi-la tocar.

Hoje, passei por lá.
Nada ouvi a tocar.
Pensei estar em semibreves,
Que de tempo, não eram nada breves!

Até que notei serem pausas.
Pausas dessas semibreves.
Comecei a contar.
Contei, contei.
E o compasso foi quase dobrado,
Então pensei "estão pontuadas".

Esses pontos de aumento
Só aumentaram minha tristeza
E agonia,
Por não ouvir nenhuma sinfonia!

Suas notas, que antes, faziam poesia,
Estavam quietas, como textos sem rima.
Afinal, isso era sua vida!

Coloque já um Ritornello,
Assim, volta à primeira composição,
Onde os sons
Eram de belas danças em vários tons.

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Valsa, você dança?

Todos sabiam da Valsa.
Sabiam os compassos que ela compunha
E julgavam entendê-la.
Afinal, parecia sem muito mistério
As notas composta em 3 por 4
Não surpreendiam ninguém.

Todavia, alguém pouco observado pela corte,
Aparência fina e trajes elegantes,
Começa a perceber o segredo atrás das partituras.
E em silêncio,observa os detalhes.

Estavam fora do ritmo.
Pés descompassados,
Errados.
Desafinados!

Então, chama a Valsa para sua primeira dança.
Estende-lhe a mão e sugere um novo refrão.
Afinal, ela não fizera questão de corrigir todos daquele salão,
Mas agradou-se daquele e retribuiu-lhe como canção.

E assim, em sua primeira dança
Compôs rima em seu coração.

Foi assim que surgiu a lenda do ritornello...
Onde nenhum deles queria parar de dançar,
Voltavam sempre ao começo
Sem nunca pararem de sonhar.


Loretta di Fiori.

A Espera

Esperar pela manhã após uma noite infinita;
Esperar pelo fim da música quando não se quer mais ouvi-la;
Esperar pela pergunta para responder;
Esperar o tempo que, descontente,
Gera angústia.

São de pesares esses tempos de espera.
Se esperares, o que então terás?
E se não o fizeres, não é certo que também o terás?

A mãe que espera nove meses para conhecer o rosto de seu filho,
Que espera conhecer o mundo.
A menina que espera seu príncipe encantado;
O rapaz que espera pela moça que está a lhe esperar.
Um espera pelo outro.

E o mundo espera por quem?

Esperar por ser o próximo em alguma situação;
Esperar o farol abrir;
Esperar por uma vaga naquela Empresa;
Esperar a chuva passar para sair de casa;
Esperar ele ligar para ir se arrumar.
Esperar o tempo que, descontente,
Gera dúvida.

São dias de inverno ansiando a primavera.
São ondas esperando para beijar a praia.
São notas mudas esperando ser tocadas.
São mãos solitárias esperando o convite para a primeira dança.
São feridas esperando a cura.
São cicatrizes esperando ser aceitas.

Como uma carta, que espera o tempo certo, para chegar
E tocar o coração daquele que a lerá.
Como o Sol, que espera a Lua concluir seu espetáculo.
Como o vento que espera o tempo certo para fazer a curva.
Como a tempestade que espera o tempo certo para ir-se...

Tudo passa, pois tudo acontece no tempo certo.
Basta saber esperar.


Loretta di Fiori.




quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ah, Vida!

O pior da vida é não saber vivê-la, apenas.
É não falar a verdade quando esta grita dentro da gente, atormentando-nos a consciência.
É buscar a felicidade nos outros, nas coisas do mundo, quando sabe-se que felicidade se instala primeiro dentro da gente e que, do contrário, tudo fica por um fio.
É complicar as situações quando sabemos que o tempo é precioso e curto demais para se deixar ir.
É sentar-se e esperar a vida passar, quando ainda não entendemos que somos nós mesmos que passamos por ela.
É não ajudar o mundo quando achamos que somos invencíveis e autossuficientes, esquecendo que somos tão frágeis, quanto muralhas de areia.
É não amar o outro quando tudo o que queremos é ser amados.
É valorizar quando não mais se tem.
É se irritar, julgar, machucar, não demonstrar, é preferir chorar a sorrir, ter pesadelos a sonhar, deixar de acreditar...

Por isso cante, dance, escute-se!
Escute o mundo; mude,e em alguns momentos fique mudo!
Perca às vezes, para quando ganhar, ser mais doce a vitória.
Sorria, abrace, mas antes de tudo se abrace.
Corra, se não alcançar, espere, ainda não é a hora.
Prepare-se para as oportunidades todas que a vida te dá das melhores formas:
Nas inesperadas surpresas das ações e reações,
Na simples certeza de que ela ficará melhor.

Mister Steiner

Uma prosa para deixar ir

Na verdade, nunca fui boa em despedidas. Aquele momento que o céu parece romper-se e fazer-se chão enquanto que o próprio chão desmorona sob os pés, desesperados.
Mas comecei a pensar: não são apenas aqueles momentos que todo mortal reluta em estar. Mas são também, pequenas coisas na vida cotidiana que levam- nos a nos despedir.
Nos despedimos da troca de olhares quando esbarramos com alguém, em algum lugar. Nos despedimos do sol quando olhamos para o céu laranjado, que anuncia sua partida. Ele anuncia! Mas tantas outras coisa não o fazem. E deveriam?
Se realmente tivéssemos as anunciações das coisas e pessoas que se vão, alguma coisa poderia mudar?
"Ah, desisto", é o que alguém exclama por simplesmente não ter conseguido o que queria.
"Não adianta, larga mão", é o que muitos lamuriam depois de murmurarem contra sua sina.
Deixamos ir o que deveríamos manter e insistimos no que deveríamos dar adeus.
Quando se despedes de alguém, não dá uma vontade de ficar mais? De suplicar "fique", mesmo que com os olhos?
Quando choras a saudade...e a escondes com um "estou feliz por você", na verdade, é você deixar ir o orgulho. Esquece-se de você mesmo quando deixas alguém ser feliz, mesmo que após uma despedida.
Mesmo na última cena, tocas as mãos frias de alguém ali, imóvel, e imaginas que também deve deixá-lo ir. Mesmo que doa!
Algumas despedidas nos fazem sofrer mais que outras. Nos arrancam parte nossa e levam junto! Isso é maravilhoso, mesmo que pareça sofrimento. Porque do mesmo modo que sentes, certamente alguém também sente, ali, do outro lado.
Olhe para o céu. Procure a estrela que sempre está ali, brilhando para você. Dê um nome a ela, e despeça-se quando amanhecer. Ela pode não aparecer no próximo luar.

Loretta di Fiori,

Já Mudaste o Mundo de Alguém?

Chegou a abrir a porta para alguma dama passar?
Já entendeu as limitações das pessoas que ama?
Já se pegou sorrindo de lado ao pensar em alguém?
Espalhou sorrisos quando chegou a algum lugar?
Já disse muitos elogios?
Já sacrificou algum compromisso teu para ir abraçar alguém?
Já se pegou fazendo preces pelas pessoas que viste naquele dia?
Chegou a ajudar alguma senhora, com suas compras?
Caminhou ao lado de alguém?
Já doou seu tempo de sono a alguém que precisava de você?
Chorou sozinho a dor de alguém?
Mandou flores no último aniversário?
Fez uma serenata naquela noite de Luar?
Já enviou uma música para alguém?
Já fez palhaçada para alguém triste sorrir?
Já deste o nome de alguém a uma estrela?
Inventou teorias para consolar um amigo?
Parou o carro para um adolescente atravessar a rua, mesmo ele estando errado?
Fez surpresas?
Escreveu bilhete e deixou debaixo da xícara de alguém?
Já jogou uma garrafa no mar com alguma coisa importante para você, dentro?
Já contou de histórias que leu em livros, de forma real?
Já ligou por saudade?
Já chegou atrasado na última festa de família, mas todos se alegraram?
Já visitou órfãos?
Já doou suas roupas de inverno a alguém?

Você mudou o mundo de alguém, nessa vida?

Loretta di Fiori.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Seus Dias

Suas palavras destilavam desespero.
Seus olhos exalavam angústia.
Não vivia mais aquela vida.
Culpava o mundo por ter-se
Abatido. Exaurido. Esquecido.

Em seu coração não havia esperança.
Em sua voz, não havia alegria.
Em seu rosto, só havia marcas
De seus dias.
De seus dias em lágrimas vividos.

Não caíra em si.
Não via mais.
Não ouvia também.

Sua vida era coberta de "nãos".
De portas fechadas.
Seus dias eram nublados,
Nunca vira o brilho do sol,
Nem sentira jamais seu calor.

Apenas o frio da sombra
Na qual estava
Ou pensava estar,
Lhe era por companhia.
Sua dor, eterna e inseparável.
Na verdade, não se imagina sem ela,
Não saberia como reagir.

Não eram as marcas
E cicatrizes em seu corpo,
Que lhe perturbavam.
Eram as manchas em seus dias
Passados e futuros
Que ocultavam a beleza de seu coração.

Não sabia o que era saudade.
Esquecera-se do amor.
Não reconhecia uma pequena maravilha
Em seus dias.

Seus dias eram tristes.
Tristes eram seus saudosos suspiros
Tentando encontrar-se
Ou fugir,
Nem sabia mais!

Desventuras!
Interrupção do pretérito perfeito,
Pelo destino que daria outro futuro a tal pretérito.

E nesse duelo de tempos,
Vive sem saber o que fazer
Em seu presente.
Sem saber o que fazer
Em seus dias.

Já tentou mudar os dias passados
E esquece-se que só pode mudar
Seus dias futuros.
Todavia, neles recusa-se estar.

Dos olhos do eu-lírico
Jorram lágrimas.
Escorre sangue
Da ferida que está aberta em seu coração.
De si, restam suas mãos trêmulas
Que compõem estes versos.

O que queres
Em teus dias?
O que buscas
Em teus breves dias?
Julgas a vida por não aceitá-la
Ou por amá-la demais
E sofrer ao pensar
Viver sem ela
Em teus dias?


Loretta di Fiori.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Depois da Chuva

Vivia sua vida
Pacata, sorridente
Longe dos sonhos
Que há muito deixara.

Compôs novas rimas,
Novas melodias.
Porém, vez ou outra
Recaía em suas lembranças.

Até que sua primavera
Abre uma nova flor...
Daquela árvore que esquecera
E deixara para trás.

A chuva lhe regara
Estação após estação,
Vivificando sua solidão.

E ela, que tanto se entristecia com a chuva
Mal sabia o bem que esta estava a lhe trazer.

"Oh doce sonho!
Você enfim de volta.
Como posso acreditar que és real
E não, fruto da minha fantasia?'
- Era a cantiga que ela entoava
Todos os dias ao esperar o desabrochar daquela flor,
Que ora nem se quer se abria.

Isto, em si, lhe consumia!
E passou a esperar todos os dias
O depois da chuva.

Gotas que despencavam de sua janela
Se misturavam àquelas que de seus olhos desciam.
Era tão difícil esperar
Pelo fim daquela sonatina.

Notas prateadas que desciam do céu
Escuro...
Que clamava em voz de trovão
À terra, sobre sua solidão.
Queria que todos lhe ouvissem
E sentissem o peso das suas lágrimas
Que para ela, não era maior do que a
Dor de sua espera.

Suspirava.
Cantava.
Escrevia...

Lançava seu olhar aos céus
E buscava uma resposta
Do Maestro
Sobre quem Ele escolheria
Para lhe ser um dueto
De modo que pudessem
Tocar sua próxima poesia.

A chuva se ia como um rallentando.
Se despedia da terra que encharcara.
E ela se partia para ver se sua flor
Havia-se sorrido a alguém mais.


E era o que ela fazia todos os dias
Depois da Chuva.


Loretta di Fiori

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Sob os olhos dela

Jamais eu vira olhos que brilhassem tanto
Ao ver alguém diante de si,
Como os olhos daquela moça.
Eles se perdiam na imensidão
De paixão e amor
Que recebia de outro lado.

Seu sorriso era como a resposta mais bela,
Como a música mais emocionante
De uma festa de gala.

Sua cabeça se virava levemente,
Seu sorriso não deixava de aparecer
Enquanto seu rosto se estampava
Com as marcas das lágrimas
Que de seus olhos, desciam.

Ela era jovem,
Sua pele, como uma folha
Banhada pelo orvalho,
Resplandecia como a luz da aurora.

Seus olhos emanavam luz
Quando ele tocava suas mãos.
Seu mundo parava de girar
Quando ele lhe presenteava
Com seu sorriso.

Ele era jovem,
Mas nunca conhecera uma moça
Que lhe tocasse tanto o coração.
Que lhe fosse como a gravidade,
Preenchendo de flores e poesia,
Seu mundo de concreto.

Ele a viu sorrindo
Para aquela senhora...
Ela era tão gentil e cuidadosa
Como seus olhos poderiam
Lhe deixar e perder para outros?

Assim, permaneciam fixos nela,
Embalados pela doçura que era contemplá-la
Mudando o mundo das pessoas que tocava.

Ela era delicada e discreta;
Não permitia que desvendassem
A direção de seus pensamentos
Que faziam pauta melódica
Em direção àquele jovem rapaz.

Assim, sutilmente compunha versos
E rimas melancólicas...
E de sua janela,
Ele todos os dias passava
E ouvia as rapsódias e valsas
Que julgava, a ele dedicadas.

Até que juntos decidem fazer música...
E em uma manhã de primavera,
Enquanto tocava Vivaldi,
Ele lhe toca.
Suas mãos estavam trêmulas
E de sua boca não saía som algum...
Apenas uma melodia de um choro
Que vinha da mais profunda alegria
E satisfação de tê-la diante de seus olhos.

As mãos dela a seguram firmemente,
Então, ele consegue continuar a construção
Que erguia para proteger o coração da moça:
A questiona se seria seu mundo colorido
Ao invés de seu mundo concreto.
Se seria sua música
Ao invés de seu silêncio.
Se seria a mais bela melodia pela manhã
Ao invés dos raios de sol lhe tocando pelas frestas da janela.
Se seria seu porto seguro
Ao invés do pôr do sol.
Se seria sua rima
Nas palavras que lhe faltassem.
Se seria seu amor
Quando a ela seu coração entregasse!

A moça então, aperta-lhe mais firme as mãos.
Gentilmente sorri
E sobre os olhos dela
Se vê um lindo
"Sim".


Loretta di Fiori



terça-feira, 26 de maio de 2015

Sob o Pôr-do-Sol

Seu dia fora passado como os demais.
Não vira nada que lhe fosse peculiar...
Olhava o movimento das curvas,
Nada a declarar.
Percebia cada som que
Não entoava nova música,
Apenas velha...
Se andasse mais um pouco,
Notaria que nada estava diferente.
Não que houvesse falta de cor
Ou de cantos,
Mas que estava tudo ali,
Não havia nada a mudar!

Então, como a Terra
Rotaciona,
Seus pensamentos
Lhe foram tal direção...
Um misto de vontades e emoções.
Medos e decepções,
Preencheram o coração
Daquele ser.

E com o fim de seu dia,
Seu Sol se despedia...
Era belo e saudoso seu espetáculo!
Roubou então, sua atenção
E os seus olhos se apaixonaram
Por aquelas cores
Que desenhavam o fundo deles, enquanto cintilavam!

Sim, ficou ali por um breve tempo,
Parado. Estagnado.
Nada lhe distraía...
Pois dali, obteve inspiração
Para voltar ao seu dia
E fazer dele,
A sua tela
Enquanto vestia-se de artista!


Loretta di Fiori.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Por um momento...

https://www.youtube.com/watch?v=tR-qQcNT_fY


E a vida não passa de momento após momento!

Rapsódia sob um tema famoso

Hoje parei por alguns instantes
Meu olhar e o fixei em algumas pessoas.
Pessoas tais que não conhecia,
Jamais vira.
Porém, faziam tudo sem mistério
Nem medo ou vergonha.
Cingiam seus olhares de
Amor e destilavam sorrisos
Umas às outras.

Sem medo do que poderia vir depois,
Se entregavam à magia do momento.
Caminhavam contra o vento
E dançavam em seu compasso
Sem tropeçar.

Em instantes roubaram minha atenção.
E dava para notar naquela canção
Que pareciam tão felizes...
Sem se importar.
Mas deveriam?

O que é a vida?
São compassos de segundas
Terças e quintas.
Ora com rallentandos ora com pausas.
Mas não deixam nunca de fazer música!

São palavras que movem as pessoas.
Elogios, críticas, desprezos e mentiras
Que podem arruinar ou alimentar uma vida.
Porque tudo isso pode preencher o vazio de um momento
E ao mesmo tempo,
Abrir um buraco que permanecerá até o fim da eternidade.

Olhares, gestos, carinhos, palavras...
Tudo pode passar.
Mas o que eles fazem
E trazem
No máximo,
Ficam na memória.
E de lá,
Ninguém os pode tirar.

Porque as pessoas sentirem,
Amarem, odiarem
Faz parte do ser o que nascemos para ser.
E por que então, não colorir os momentos
E enfeitar os sentimentos?


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Amanhã de manhã

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Pintarei o céu mais azul
E o sol mais brilhante
Para que contemple da janela
E alegre o teu dia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Comporei a mais bela melodia
Em Ode à beleza e gentileza
Que cobrem de certeza
Este que a rodeia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Despertarei-te do profundo sono
E, com um sorriso,
Direi que dentre todas as rimas,
A do teu sorriso é mais perfeita.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Haverá sol, flores,calor
E a nossa música!
E assim farei por todas as manhãs que acordar.

Mas amanhã de manhã, quando você acordar
E eu não estiver mais aqui,
Continue olhando para o céu.
A música ainda tocará...
E ela lhe arrancará a perfeita rima
Que já disse de onde vem!

E se amanhã de manhã quando você acordar,
Ninguém te disser "bom dia",
Saiba que de onde eu estiver,
Olharei para o Sol
E pedirei um brilho especial dele
Para que lhe aqueça como essas palavras me aqueciam.

E se a Lua, quando o dia começar a se findar,
Resolver só aparecer pela metade,
A veja como seu sorriso - meu sorriso.
Não importando quem o veja também,
É para você que ela o abre.

Amanhã de manhã quando você acordar,
O canto mais belo de um pássaro
Será teu despertar.
E junto dele,
Se perceber,
Haverá notas melancólicas,
Como as histórias que escrevemos.

Amanhã de manhã
Será um lindo dia!
E com a mais sincera sinfonia
Quero escrever no céu
Para mostrar ao mundo inteiro
O que todas as manhãs farei
Até a eternidade passar.

E cada dia que se passar
Será um mais perto
De poder despertar
O amanhã de manhã
Ao teu lado.



Loretta di Fiori.

Nostalgia

Ao acordar, percebi o céu um pouco triste.
O Sol, desanimado, brilhava com timidez à minha janela.
Acordei com saudosas lembranças em forma de melodia.
Meu coração insistiu em bater em seu ritmo...

Seria fácil fechar os olhos, balançar a cabeça
E tentar seguir o dia.
Mas não funciona assim!

Meus olhos vertiam lágrimas
E meu suspirar era com ponto de aumento!
A distância do melancólico olhar
Penetrava a vazia vista.
Não havia nada que a preenchesse!

Comecei o dia!
E no caminho dele,
Notei a falta que me faz.
Percebi, naquelas notas,
Como que os bemóis num compasso dois por dois
Fazem falta, para melancolizar ainda mais, a sutil harmonia
Dos sons.

E em eco, minhas lembranças respondiam ao compasso!
Nada mudava!
O sorriso também se perdeu no meio do caminho,
Tentando achar seu destino!

Ao parar, as mãos tocavam a melodia.
E dos olhos, a imagem ainda ficava,
Todos a compunham!
Ninguém escapava...

Pintei um retrato.
Daquele que ainda guardo!
Que prelúdio!
A valsa começou,
Não há ninguém para dançar...

Sigo assim,
A Lua apareceu em sorriso para mim!
Sim, era só para mim.
Não importa em qual lado do universo
Eu esteja,
Ela é a mesma
E sorri apenas de uma forma!
E sei que é para mim.
Sei muito bem!

Foi desta forma,
Que em relapso,
Me senti ausente daqui
Como que, por um instante,
Estivesse ali.
E pude dançar a valsa.
Me despedir
Com minha última sonata...
Aquela com a qual minhas mãos,
Incansavelmente,
Destilavam nostalgia!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 17 de março de 2015

Ponto Morto

Em análise,
Todos os corpos tendem à sua condição de equilíbrio.
E logicamente, todos buscam o ponto morto. 
A inércia.

Mais do que estagnados pelo Sistema,
Tornam-se padrão
Sem sequer, 
Saberem do que está em questão.

Interrompidos pelos sons,
Pelos tropeções
E quedas
Por gastarem energia
Em nada.

Sob pressão,
Engatam o ponto morto.
Levam a vida como a julgam 
Que esta deve ser levada.

Caminham na vantagem,
Sem gasto de energia.
Provocando apenas,
Entropia!

Audácia!

São cegados pelos Neons,
LEDs e Touch Screens...
Apenas para baixo
Desviam os olhares,
E mesmo assim,
Tropeçam pelos ermos sem fim.

Distraídos!

Conexões sem saírem do conforto.
Deitados, fingem sentirem-se cansados.
Irados, fingem-se contentes.
E a imagem é passada
A cada máscara usada!

Inertes!

Imbuídos em aflições,
Transparecem perfeições;
Fingem importar-se
Com o mundo.
Quando na verdade,
Querem apenas, uma ou duas curtidas.

E assim, caminham todos 
Perdendo a velocidade
Em um mundo acelerado,
Por simplesmente
Estarem em ponto morto.


Loretta di Fiori.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Pródigos


Pessoas que esbanjam o que não possuem.
Proclamam do que não sabem.
Mas arrastam perdidos,
Indecisos.
Como ídolos importados,
Se apoderam do trono
Ao tomarem posse como czares.

Insistem na
Sua geração marcada pela cobiça.
Veneram luxo,
E exalam orgulho!

Caminham pelas ruas
E destilam aromas
Repletos de ganância,
Cujo rastro atrai invejas.

Não se cansam.
Arduamente persistem
Na luta pelo poder,
Pela fortuna.

Enganam e são enganados
Sem saber.
Compram e são vendidos
Sem darem conta.

Condenados,
Vivem como pródigos,
Usufruindo de seus palácios.
Afogando olhares que se adulteram
Ao lhes desejarem.

Até que se atinam
Com o Trem-da-Solidão,
Cujo destino lhes aguarda.
Os bilhetes já foram marcados,
Não tem volta.

De onde procedem altivez e valentia?

Loretta di Fiori.

Próximos Distantes

O trem chegou à estação.
Viera de longe...
O que antes era distante,
Agora tornou-se mais próximo!

Dele descem centenas de pessoas
Que circulam pelas ruas
Da cidade.
Elas vêm e vão.
Caminham apressadamente.
Pouco se viram,
Mas, muito se preocupam.

Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Olham para a direita
E para a esquerda
Não com visão panorâmica.
Querem apenas saber se podem atravessar
Em segurança;
Se há mais alguém logo ali?
"Não vi"!

Faróis sinalizam a passagem
Enquanto os olhares se perdem
No que não devem.

Soou meio-dia!
Muito devem retornar à estação.
O trem partirá.
E tudo se repetirá.

Inconformados,
Alterados,
Rodeados de miragens,
Alguém só deseja meros olhares.
Dispensa falares,
Apenas uma percepção.

Um ali, outro aqui.
Muitos a frente
Milhares atrás.
Cercado por todos os lados,
E eles se mantêm distantes.

Os dispositivos que carregam
São a única fonte.
De onde emanam distrações por todos os lados.
Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Esse é o mundo
Onde os próximos estão cada vez
Mais distantes.
E os distantes, permanecem assim!


Loretta di Fiori.


terça-feira, 3 de março de 2015

O piano e o Violino

O piano começou a tocar...
Suas notas eram sombrias e
Melódicas.
Pouco compassadas,
Pareciam solitárias.

O violino aparece,
E enriquece
As notas com um pouco
Da suavidade que só ele tem,
Sem perder
O drama.

Chora os compassos.
Proclama todas as dores
E sentimentos do piano
Que estava ali, a responder
Com sutileza
Aos finos acordes.

As oitavas do piano
 Escorrem para baixo,
Enquanto o compasso
Se torna harmônico
Ao tocarem juntos a mesma nota!

O piano então, aparece com um rallentando
E o violino responde com o ritornello...
Eles não querem parar.
Assim, a música continua a tocar.

Até que um desliza no tom...
O outro parte a preencher o som.
E, repleto de suavidade e melodia,
O violino encanta a todos com sua rima.

E o piano então, retorna à canção.
Em Ode, chama o violino para a primeira valsa.
E juntos, compõem miríades de danças.
Enquanto que em dueto, travam o duelo.

Que som é esse?
Nunca ouviram tal composição!


Loretta di Fiori.

domingo, 1 de março de 2015

Os dois caminhos

Ela chegou correndo
E, ao fim do caminho,
Parou.
Olhou à sua direita,
Olhou à sua esquerda.

Encontrou um caminho
Para cada lado.
E se viu sem saber
Qual dos caminhos seguir.

Um, sabia que era para o seu bem.
Caminharia nele
Sem muitas dores, nem preocupações.
Afinal, julgava saber o nome de cada travessa
E para onde cada uma levaria.

O outro, era tão belo quanto,
Mas só o conhecia de ouvir falar.
Tinha anotado em seu guia
Alguns nomes de referências
Que poderia encontrar por lá;
Mas não sabia o que viria
Logo após da primeira curva.

Voltou atrás.
Começou a correr
De volta ao lugar onde sabia
Exatamente onde ficava.
Afinal, era lá de onde viera
E onde passara sua vida pretérita.

Ainda não estava pronta.
Não sabia o que decidir
Nem em qual caminho trilhar.
Os dois eram belos!
Ouvira falar de ambos.

O que julgava saber?
O esperado?
Ou o novo?
O inusitado?

Fechou os olhos,
Começou a gritar.
Um viajante caminhando em seu jumento
A ouviu desde quando partiu.
Foi ao seu encontro.
Ela estava sozinha,
Parada exatamente entre os dois caminhos.
Ele se aproxima,
E a toca.
Ela perdida,
Só chora.

Até que ele vai à frente e parte ao primeiro raio de sol,
Para o da direita.
Ela, inerte ainda, só observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela só o observa.

No próximo raiar de dia,
Ele segue o da esquerda.
Ela, inerte ainda, só o observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela se levanta.
E se despede.

Qual caminho ela seguiu?
O do seu coração.


Loretta di Fiori.


Só sei que nada sei

E pra falar a verdade,
Muito pensei saber.
Talvez não de uma plenitude
De começo, meio e fim,
Talvez só um nada de todos eles.

Desprezar o começo por não
Saber para onde me levará;
Esquecer-me do caminho
Quando já estiver no meio da estrada.
E julgar-me ao final da história
Apenas por encontrar o primeiro ponto final.

E durante uma vida,
Acreditar que de tudo eu sabia.
Embora outrora, em tempos bem remotos,
Ninguém sabia do que eu viria a saber
Quando chegasse meu fim.

Mas esse "fim" ainda não chegou.
Caminho no meio do caminho
E jogo migalhas de pão
Para não esquecer-me de onde eu vim.

Talvez, não saiba mais nem para onde vou.

E nessa jornada, cada nuvem de existência
Trouxe-me uma história de vida.
De experiência.
Enchi minha mochila,
E minha bagagem só aumentava.

Ah! Tudo eu sabia!

Até que começou a pesar.
Não sabia o que fazer com tanta soma.
Dividir?
Multiplicar?
Talvez, diminuir, afinal, cansaria menos
Ao continuar a jornada.

Mas a cada passo,
Era algo que me somava.
Não percebia.
E lá atrás, já julgava pesado demais!
E agora, onde colocar?
Desprezar?
Ah! São tantas boas histórias.
Tantas ricas experiências!

Tropecei no meu orgulho.
Caí e me deparei com uma poça
A poça da vergonha!
Tentei enxergar
O que através dela se refletia.
Nada pessoal!
Nenhuma das coisas que trazia se espatifou.
Pelo contrário,
Só me ajudou.

Levantei,
Cambaleando ainda.
Mas notei que não caí por causa do peso
Que julgava carregar,
Mas por não conseguir distribui-lo.

Até que vi utilidade.
E passei a caminhar novamente,
E agora, crente de que
Logo ali, veria nova história
E aprenderia novas experiências.
Afinal, agora, eu já comecei a escrever
Um pouco do que já sei.

E continuo sem nada a saber.

Caminho, prossigo
Rumo a cada dia um novo saber!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Rosa de Vidro



Estava ali, parecia tão forte, 
No contentamento de sua solidão.
Refletia qualquer luz
Sem conseguir emitir tom algum.
Todos podiam ver-se através dela...

Era isso que a tornava tão misteriosa!

Com todos os detalhes que, impecavelmente,
Mantinham sua estrutura intacta há anos!
Não se deixava manchar pelos anos,
Ao contrário, mantinha seu terno olhar.

Sim, parecia olhar a todos,
E quando a viam,
Pouco descobriam de sua essência.

Permanecera com o mesmo bom aroma 
E elegância por anos!
E o exalava sem esforço.

Ficava ali no alto,
Não podia ser tocada...
Apenas contemplada.
Mas algo parecia incomodá-la - 
Ninguém sabia.

Até que alguém um dia,
Atreveu-se a tomá-la em suas mãos.
E por um instante,
Olhou profundamento aos detalhes daquela rosa
Que por ser vidro, agora parecia-lhe mais frágil.
Perdera a soberania do absoluto silêncio.
Tomou-a em suas mãos e a observou por minutos.
Tentou entender o porquê de parecer ser tão forte,
Mesmo tão sensível, que ao mínimo descuido, 
Poderia quebra-se e perder-se para sempre.

Até que algo entra na sala,
Onde a rosa reinava absoluta
Nas mãos daquele ser.
Um ruído,
Uma sombra...
Um vulto

E ao chão a rosa foi-se
Depressa.
E em um piscar de olhos,
Estava ali, despedaçada.
Com seus detalhes e curvas perfeitamente entalhados,
Desfeitos pela queda.

Assim, a luz apaga-se.
E todos se vão...
Ao fim da música, só restaram pedaços,
Pedaços da rosa que afinal, era de vidro,
E que um dia encantou os olhos de quem a via
Em sua glória!


Loretta di Fiori.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quebra e Refaz

Há alguém ali,
Seu rosto parece vazio
E seus olhos, opacos demais.

Anda com pesar,
Afinal, a vida lhe impusera muitos fardos.
No seu corpo,
Há marcas dos lugares por onde passou.
É o que restou!

Se ouve uma voz:
"Como cheguei até aqui?
Não sou quem eu pensava que era,
Nem o que um dia eu fui".

As chagas em seu rosto
Mostram que de dores,
Sofreu pelos amores.

Nada parece alegrar
Aquela alma.
A sua harpa
Está pendurada
No salgueiro.
Seu violão perdeu o som,
E seu piano, fechado pelo tempo, ficou.

Não se ouve riso,
Nem júbilo de seu coração.
Apenas, lamentos de indecisão.

Do seu passado não quer se recordar,
E se acusa a acreditar que seu futuro vai
Raiar,
Sim, como sol, ele vai surgir no horizonte.

Seus pés, para o deserto partem.
Estão marcados pelo tempo,
Desespero!
Mas, prosseguem,
Afinal, chegaram até aqui.
A boca seca,
As pernas mancas clamam!

Mas o oásis está logo além da montanha.

Olha para o lado e não vê...
Não há ninguém ali!
Já desistiu de tudo,
Já deixou para trás...

Seu coração insiste:
"A minha carreira completarei,
Nunca, jamais serei o mesmo".

Sua alma retruca:
"Esse ser parece
Fraco demais,
Cego demais!"

"Nada disso,
É muito maior que todos os erros que cometeu no passado,
Que todos os problemas, e que todas as lutas".

Então, chega seu Oásis...
O que há do outro lado da montanha?



Loretta di Fiori.






quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

História da Minha Vida (Traduzida)

http://www.youtube.com/watch?v=W-TE_Ys4iwM

"Escrito nessas paredes estão as histórias
Que eu não consigo explicar...
Deixo o meu coração aberto,
Mas ele fica bem aqui, vazio por dias.

Ela me disse de manhã
Ela não sente a mesma coisa em relação à nós.
Parece que quando eu morrer
Essas palavras estarão escritas na minha lápide!

E eu vou embora hoje à noite.
O chão  debaixo dos meus pés está aberto...
O jeito que aguentei firme,
Como se não houvesse nada entre nós.

A história da minha vida levo para casa.
Dirijo a noite toda para mantê-la aquecida,
Embora o tempo esteja congelado lá fora.
A história da minha vida, dou esperança a ela.
Gastei o seu amor
Até que ela estivesse despedaçada por dentro.
A história da minha vida.

Escrito nessas paredes
Estão as cores que não eu consigo mudar.
Deixo o meu coração aberto,
Mas ele permanece na sua gaiola.

Eu sei que está de manhã agora.
Nos vejo na luz sobre a colina,
Apesar de eu estar destruído,
Meu coração ainda é intocado.

E eu estive esperando por esse momento chegar
Mas querida, correr atrás de você
É como perseguir as nuvens".

Story of my life - tradução - One Direction

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Aperte o botão

Vidas confortáveis,
Movimentos instantâneos -
Não se pode perder o tempo!

Até aqueles que nada fazem
Não encontram tempo
Para continuarem no nada.

Pessoas fluidas,
Líquidas demais.
Tensão superficial
À flor da idade.

Vidas dirigidas por controles remotos.
Basta um click e outra dimensão é acionada.
Viajam.
Conhecem mundos, culturas...
Sem saírem de suas casas.

Afinal, o sofá é confortável demais!

Não se pode ser passado para trás.
Mundo cercado de elevadores,
Escadas que poupam as pessoas de suarem.
Do fast food...
Onde os pés caminham rapidamente
E a mente, cada vez mais, lentamente.

Uma batida de mãos,
A luz acende.
Uma captação das ondas sonoras,
Ele disca.

Aperte o botão!
"Não há tempo nesta estação".
"Não se pode deixar para o próximo verão".

Tempo!
Ausente tempo!
Escassa liberdade.
Hiperbólicas vontades.

Todos necessitam,
Todos precisam.
"Se ele tem,
Como não tenho também?"
Nisto, cresce a altivez e a valentia.

Soberba da vida!
Esta não parece passar com o tempo.
Mas a ficar em cada momento.

Pessoas vêm e vão.
Muitas apenas vêm.
E todas as outras se vão.

Afinal, não há tempo a perder.
Aos sinais vermelhos parecem sempre ceder,
Para o tempo nunca se perder.

Aperte o botão.

Loretta di Fiori.

Fé do Coração (Traduzida)

"Tem sido uma estrada longa
Chegando de lá para cá;
Isso foi há muito tempo!
Mas meu tempo está finalmente aqui.

Mas eu posso sentir que o vento está mudando agora
Nada há em meu caminho.
E não conseguirão me deixar para baixo! Ah, não mais!
E nada vai me deixar para baixo, nada!

Porque eu tenho a fé do coração
Eu estou indo aonde meu coração me levará.
Eu tenho a fé para acreditar
Que eu posso fazer qualquer coisa.
Eu tenho a força da alma
E nada nem ninguém irão dobrar-me ou quebrar-me
Eu posso alcançar qualquer estrela!
Eu tenho a fé,
Fé do coração.

Tem sido uma noite longa
Tentando encontrar meu caminho
Na escuridão
Agora eu tenho finalmente meu dia.

Mas eu verei meu sonho se realizar no fim
E eu tocarei no céu...
E não conseguirão me deixar para baixo.
Ninguém irá mudar minha mente!

Eu sei do vento assim frio...
Eu vi os dias - os mais escuros deles.
Mas agora os ventos que eu sinto
São somente os ventos da mudança!
Eu fui através do fogo,
E eu fui através da chuva,
Mas eu ficarei bem.


É uma estrada longa".



(Faith of the heart - Russel Watson)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Partitura Molhada

Estava ela a tocar
Os mais finos e requintados acordes.
E o céu, com sons de trovão,
Respondia
Àquela canção.

Porém, esquecera de fechar sua partitura,
Quando saíra às pressas.
Até a janela aberta
Pareceu-lhe não incomodar.

Parte para um outro lugar.
Distante de todos onde já estivera.
E a sensação das gotas molharem
Seus cabelos
E parecer-lhe lágrimas dos olhos,
A fez recordar-se de sua música.

Até que atinou com aquela
Partitura outrora esquecida
E, em fermata,
Pranteou sua agonia.

Estava em um lugar
Que lhe parecia um vale.
Chovia,
Era a única coisa que sabia!

E em notas staccatas,
Tenta alcançar o fim da estrada.
Como poderia continuar tocando tal música
Se a partitura molhada estivesse?

Seu coração só marcava um compasso.
Até que a pausa de semibreve
Surgira
E ao solo, caíra.

Chovia!

Tenta recordar dos versos,
Enquanto sofria, ali, sozinha.
Compõe uma triste melodia...
Nada parecia com aquela
Que parecia já esquecida!

Até que em um instante,
Retorna à sua partitura.
Estava ali, molhada...
Manchada!
Quase rasgada.

Com cuidado a toma em suas mãos,
Também molhadas,
Afinal, só chovia.
E, então, ela se desfaz,
Se desmancha em suas mãos.

Fora a última canção!
Desde então, ela silenciou.
Emudeceu inclusive seu coração.
Enquanto a última visão se esvaía.

Oh! Lamenta...

Até que o arco-íris resolve
Compor um alegretto.
Depois de um longo período de negridão.
A janela permanece aberta.
E ela, ao acordar,
Decide voltar a tocar.

Havia guardado a partitura molhada
Que já secara e enrugara.
Nada via, além de suas marcas.
De suas lágrimas!

Decide, em Ode Tristesse
Compor-lhe uma homenagem.
Volta suas mãos às teclas
E retoma sua última canção.
E percebe então,
Que quem lhe guiara era o coração
Pois aquela música não havia se perdido
No tempo, nem no espaço.
Parecia até que sua partitura nunca molhara!

Memórias...
Eternas memórias!


Loretta di Fiori,

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Quando não há nota alguma

Saudosa vista, me fez suspirar.
Contemplei aquela partitura
Sem nota alguma...
Pareciam nuvens no céu,
Que fazem formas
De acordo com o que queremos enxergar.

Assim, me vi diante de minhas teclas brancas e pretas,
Com as mãos diante delas,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

Daquela valsa,
Só uma melodia brotava:
"Eu perguntava: 'Do you wanna dance?'"
E olhava para aquelas notas desformes
Lançando esse desafio.

Elas saltavam das pautas
Mas não dançavam.
Antes, pareciam desafinadas.

Em legatto, eternas esquecidas.
Em staccato, doce melodia.
Jamais fariam um alegretto,
Muito menos um dueto.

Assim, fechei a partitura.
Aquelas notas não faziam música.
E quando não há nota alguma,
Essa ópera não é digna.

Mas, aquele ritmo insistia:
"Do you wanna dance?"
Por que então, não levantar
E seguir o compasso das batidas deste coração?

Espere!
Posso cair.
Posso decepcionar o Maestro
Que me espera no mês de dezembro
Para o concerto.
O que devo fazer?
Enquanto insistia aquela sutil melodia...

Mas percebo, que não é de concerto
Que minhas mãos precisam...
Elas anseiam por aquela melodia
"Do you wanna dance?"
Que as desconsertam.
Mudando assim,
Até o ritmo do compasso
Para binário.
A intensidade, de andante expressivo para
Piano pianíssimo,
A misturar-se ao forte fortíssimo!

Quando percebo,
Estou ali, sentada
Com as mãos diante do preto e do branco,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

E olho para minha partitura,
Não há nota alguma.
Levanto.
De repente:
"Do you wanna dance?"
Dispara daquele dispositivo
Em cima da mesa.

Quando não há nota alguma,
Há sempre uma melodia
Que traz todas as memórias consigo!


Loretta di Fiori.

O Condado

Sempre um lugar tranquilo,
Com tudo belo,
Organizado e sem temor.

O Sol nunca se cansara de
Aparecer todos os dias
Àquele mágico lugar.
E, quando cedia à Lua
Seu espetáculo,
Ela o cumpria com excelência
E deixava o Condado
Ainda mais radiante.

Aquela pequena sombra de existência
Era um habitante qualquer,
Que vivia talvez, como qualquer outro.
Com uma vida confortável,
Repleta do toque de perfeição,
Sua vida parecia não ter emoção.

Até que lhe aparece uma missão,
De, mesmo sendo tão insignificante,
Exibir sua elegância
E o esmero.
Porém, teria de dizer adeus àquele mágico lugar.
Teria de dizer não ao seu passado tranquilo e saudoso.
Teria de partir à nona hora,
Sem se despedir
E ir em busca do que seu coração
Lhe revelara ser a verdadeira emoção.

Esta, viraria sua grande paixão.
Passou montanhas, desbravou feras.
Espere.
É a mesma criatura que era tida como uma sombra de existência?
Não pode ser.
Será?

Todos duvidavam
E dele, zombavam.
Mas a razão de sua vil existência
Surgira,
E a ela não podia negar seu coração.
A Aventura insistia
E a cada dia,
Lhe abria um sorriso.

Sua lealdade o tornou ainda mais digno,
Sua bondade encantava a Aventura!
Estava ali, bem ali:
Aquele pequeno
Distante de seu Condado.

A cada dia, era transformado.
Sentia-se menos preso,
Mais corajoso,
Mais audacioso.

Mudou mundos,
Enfrentou Exércitos,
E de tudo, pegou alguma recordação.

Até que, num dia desses,
Num desses desencontros casuais,
Se despede da Aventura
E chega à comodidade do Condado.

Não via a hora de seu chá às seis,
De suas perfeitas melodias
Entonadas ao soar de cada hora do relógio...

Durante todo o percurso, só pensava nisto.

Até que seus olhos contemplam
Seu doce e belo Condado.
Seus pés caminham rapidamente
E percebe algo ali, externamente:
Estava uma desordem!

Mas algo lhe incomodava por dentro:
Voltar à vida pacata
Sem os demais?

Algo nele está mudado.
Algo nele está repleto de desejo pela Aventura novamente.
Afinal, ele recebera do Destino,
Uma grande missão.
Ainda não a terminara.

Aquele lugar, que antes era seu refúgio,
Seu recôndito,
Se tornara sem brilho,
Sem razão.

Até que segura em suas mãos
Aquele presente -
Sua missão.
Fecha os olhos, vive tudo novamente.
Mas ainda lhe falta...
Ah, sim! Ainda lhe falta o que já não lhe faltara.
O que já sustentara a ausência.
O vazio ainda permanece...
Sobra tanta falta!

Se levanta: a Aventura ainda não acabou.
Onde está você agora?
Afinal, o que uma criatura tão pequena
Pode fazer num mundo tão grande?

Seria ele tão pequeno assim?


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ritornello

Sem perceber, a música vai seguindo cada compasso.
Com staccatos e legattos, segue sem direção,
Como nuvem sem água, levada por ventos daqui e de lá.
O fim da ópera, apenas o Maestro sabe.
Ele vai guiando cada diminuta e cada Fermata.

O pianista observa suas notas em sua partitura,
Como quem observa seu comportamento na vida.
Uma Escala maior, outra menor.
Às vezes meio desafinada,
Ou descompassada.

Mas, quando ele pensa que é o fim,
Encontra o Ritornello
Que o faz voltar desde o início.
Parecia que havia sido sanado,
Que havia sido esquecido
Por seus ouvintes aquele começo.

Às vezes relutante, ele tenta seguir
A composição sem pausas.
Mas é mais forte.
Aquele que não sabia o fim que se daria
Se vê com as memórias ali,
Virando as páginas,
Tocando aquelas notas sombrias.

O Maestro sinaliza,
Ritornello em seguida.
O pianista respira fundo
E leva suas mãos à mais triste melodia:
O começo da sinfonia!
A música é em Andante, pianíssimo
Sem allegro nem alegretto.
Apenas com acordes sustenidos e bemóis
Que fazem do clamor daquelas notas
As lágrimas de quem as toca.

Ouvi-las e tocá-las? Ele reclama.
Mas segue.
E ao começo então,
Retoma sua canção.
Sendo triste e sombrio,
Encanta e gera emoção!

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enquanto isso...

Do lado de cá, contemplo a água tentando fazer graça.
Ela resiste ao vento que insiste a soprar,
E faz malabarismos na janela sem se importar.
Escorrega de um canto a outro.
Até deslizar e se espalhar.


São pingos de chuva,
Sinal de que o céu se entristeceu
E das nuvens, despencaram lágrimas.


Estou sentada, a vislumbrar
O que estes olhos cegos
Podem ver.


O tempo continua a correr,
O destino está distante ainda,
Tenho tempo para escrever!


De repente, dos olhos,
Emanam recordações
E memórias,
Que escorrem pelo rosto,
Deixando marcas.


São imagens, lembranças.
Frases, rostos, risos, perfumes e sabores.
Música...


E, num instante, sons vêm e vão.
Passado - presente
Tentando montar o futuro,
Que permanece ausente.


A viagem se segue para frente,
E meu coração,
Permanece lá atrás.


Mas a ópera não pode parar,
Não pode voltar!
No meio da pauta,
Uma pausa.
Que tal pontuá-la?
Dessa forma, a semibreve não será nada breve!


Um tempo para imprimir dos olhos
Essa composição
E deixar que o tempo, cicatrize meu coração.


Volto então, à minha triste canção.
O céu já secou suas lágrimas,
E minha janela voltou a refletir.


Tudo aquilo,
Ficou no vagão de trás.
Podemos seguir viagem
E chegar logo à Estação.


O trem azul ainda
Destila paixão.


Loretta di Fiori.

Dia Ensolarado

Pensei que o dia fosse amanhecer nublado,
Repleto de névoa e sem o cantar dos pássaros na janela.


Mas, ao abrir os olhos,
Sob o mesmo teto,
Aquele entusiasmo
Misturado a uma pitada de curiosidade,
Fizeram com que rapidamente
Abrisse a janela:
Que espetáculo!
Que dia ensolarado!


O céu, cintilando no azul,
Pintado de brancas nuvens
Que formam minhas formas prediletas!


O Fantasma da Ópera, na vitrola.
Aquele som cheio de vida e emoção,
Haja coração!
E, pelos corredores, o aroma doce,
Seco e apaixonante.
A combinação perfeita de amores!


Os pés, marcavam o compasso de Schumann,
Estavam longe de um "marcha soldado".
Mas, que encantador caminhar!
Que doce visão.


Mas não notou,
Pois a Sonata era em "Si"
E não recompôs a "Mi".
Contudo, não perdeu o compasso.
Meus ouvidos seguiam cada passo.
O aroma perdurara por alguns instantes,
E, rallentando, se despediram então.


Fecho os olhos,
Inspiro.
Sigo.
Afinal, o dia está ensolarado.


Uma voz:
"Levante! São dez para as seis".


Loretta di Fiori.

180 Graus

Aquele Mistério!


Aquela breve sensação de mudança...
Todos acostumados a seguir carregando suas capas,
Seus guarda-chuvas e a bússula.
Agora, por onde iniciar?


Uma vez equipados,
A rosa-dos-ventos os guia para onde quer.
Por tempos, tanto acúmulo,
Tanto sobrepeso!


O entusiasta perde o espetáculo.
O pianista, esbarra nos bemóis,
O maestro se esquece do compasso!
A bailarina desliza no Lago dos Cisnes,
O artista colore de outro tom o céu.


"O universo parece um tanto estranho..."
Indaga o menino na calçada,
Olhando aquela menina a passar.


Até que ele desvenda o Mistério!
Sua cabeça se ergue ao horizonte -
"Parece tudo normal".
O céu ainda não despencou,
Os pássaros ainda entoam melodias,
A menina ainda chama sua atenção,
Ali, do outro lado da rua.


Estão todos bem!
Mudança de perspectiva...
Isso ainda é Mistério!


Loretta di Fiori.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Vida e Música

Por escrito, parece-me com menos pesar
Que assim o faço.

O que é a vida?
Se não é nascer sem querer,
Ter de enfrentar um mundo
Completamente estranho
E depois, ir-se sem, muitas das vezes,
Se despedir?

Como toda criança,
Tive meus sonhos infantis.
Talvez os meus fossem mais estranhos:
Queria visitar a Lua,
Andar nas nuvens,
Viajar de foguete,
Circular nos anéis de Saturno,
Ter meu próprio Telescópio
E ser uma espécie de "super-herói".

Já na adolescência,
Me desencantei com esse mundo.
Queria fazer de tudo para ser diferente dos
Habitantes que aqui, me rodeavam.
Aprendi algumas falas dos vulcanos,
Enquanto me imaginava na Enterprise,
Queria um prêmio Nobel,
Procurava as estrelas e suas posições
Para saber seus nomes.
Buscava tocar as músicas mais difíceis ao piano,
Decorava alguns "chavões" em várias línguas
Para usá-los à vontade.
Queria saber como tudo funcionava
E ter as respostas para todos os questionamentos
De qualquer pessoa.

Nesse meio-tempo,
Já ri muito de até doer a barriga,
Já escrevi na areia.
Já andei de trem.
Já tirei foto no meio do Mar.
Já saí correndo e gritando para ver até onde conseguiria fôlego.
Já pulei de barriga na piscina para ver se doía mesmo.
Já comi marisco cru.
Já andei em pedras vulcânicas.
Já gritei "eu sou o rei do mundo e posso controlar a gravidade", enquanto subia um monte de pedras.
Já chorei por meninos.
Já coloquei uma carta em uma garrafa e enterrei.
Já fiz minhas listas do esquecimento e coloquei-as no bueiro.
Já  tomei banho de chuva.
Já andei descalço no asfalto.
Já tive uma casa na árvore (um tanto exótica, mas tive).
Já derrubei uma pilha de papel higiênico no supermercado.
Já imitei os pássaros, introduções e melôs, e os mais diversos sons (que só faziam sentido na minha cabeça).
Já inventei palavras em vários idiomas.
Já cantei "lá lá lá"para substituir a letra que eu não sabia.
Já fiz alguém que estava chorando, rir das minhas gracinhas.
Já guardei o chiclete na geladeira achando que o gosto doce permaneceria até o dia seguinte.
Já cantei alto, com os fones de ouvido e quando os tirei, todos estavam me olhando.
Já dancei fora do compasso.
Já caí da escada.
Já fingi estar doente para não sair de casa.
Já li e reli várias vezes a mesma mensagem.
Já me imaginei regendo uma orquestra.
Já inventei ritmos de diferentes instrumentos na minha cabeça.
Já escrevi poesias para alguém e nunca as enviei.
Já acordei de madrugada e fui ver se todos da  casa estavam respirando bem.
Já fiquei esperando a chuva acabar só para fotografar o arco-íris.
Já perdoei, já amei, já superei.
Mas também, já sorri e já me diverti!

Já fiz tantas outras coisas!
E para cada uma delas, tenho uma trilha sonora que ecoa todas as vezes que me recordo delas!
Afinal, o que é a vida, se não notas a serem tocadas formando, no final, a mais bela sinfonia?!

Loretta di Fiori.




Heróis Superlativos

Superlativos relativos.
Exatamente isso que a existência cobra.
Nesse mundo, não existem "talvez".
Assim, perde-se a vez por um tal.

Sempre ser Super.
Superar.
Suprir.
Surpreender.
E o que resta disso?
Um longo Suspirar.

Sempre ser
O perfeito.
O elegante.
O espetacular.
Jamais errar.
Sempre ser
Super
Em Superlativo
Não-relativo.

Não sentir.
Não admitir.
Não deixar ninguém saber.
Nunca! Jamais.
Sempre tudo bem.
Sempre feliz para sempre.
Nesse caso,
Superlativos relativos.

Mas, uma força precisa ser aplicada.
A área é pequena, logo a pressão será maior.
Incrível como o mundo mudou repentinamente.
As páginas do calendário se foram virando
Sem que notasse.
Mudou-se o mundo, ou a mudança foi interna?

Todos os dias, matar o ego.
Olhar no espelho, e nunca se ver.
A capa vermelha nunca pode bater em retirada.
Mas passar pelos trens,
Pelas pontes,
Pelos abismos
E pessoas em apuros...
E mesmo assim,
Voltar para a casa,
Sabendo que tudo não passou.
Na verdade, cada dia é um prelúdio
De outro que virá.

E quem está ali?
Não há ninguém.
Com grandes poderes,
O que pode fazer?
Isso lhe traz grandes responsabilidades.

Heróis.
Vivem sempre no Superlativo.
Sentem tudo no Superlativo.
Não porque não querem,
Mas a vida lhes cobra mais esforço.
Dois Mundos: nunca podem escolher entre um e outro.
Devem salvar os dois.
Duas vidas: sempre têm o mesmo valor.
Dois corações: abre mão do seu para salvá-los.

Onde estão?
Nas ruas, caminham como gente comum.
Não têm marca nem sinal aparente.
Mas, se olhar atentamente,
Verá...
Ainda existem heróis vivendo no superlativo.
Nunca chorarão, afinal, eles têm esse direito (ou essa obrigação)?
Nunca se ausentarão.
Não é deveras complicado,
É meramente relativo.


Loretta di Fiori.

domingo, 2 de novembro de 2014

Um Momento da Eternidade

A maldição da rosa foi lançada.
Por anos, viraria a vergonha,
Escondendo-se de si e de todos.
A menos que alguém a aceitasse,
A amasse.
Isso mudaria o conto final.

Sob a maldição,
Ela seguiu.
Já se acostumara ao seu passado,
Fazendo do seu presente
Um contar de dias para a eternidade
Não demorar.

Até que chega o convite para o Baile.
Todas as moças do reino irão.
O papel dourado, letras bonitas e o selo real...
Tudo compunha algo sobremodo elevado
À desfalecida moça.
Pois seu coração escondera,
Trancara e a rosa era a única esperança
Para a ele abrir.

Os preparativos começam,
Flores e perfumes por todos os lados.
Por que não ir?
Mas a voz daquela força
Que a amaldiçoara,
Soava dia após dia
Como o soar de um metal
Em seus ouvidos.

Foge para um lugar tão-tão distante.
Corre sem direção,
Seus cabelos se perdem ao vento,
Até que seus joelhos se rendem ao chão.
Sem perceber,
Dos seus olhos brotavam lágrimas,
De dor, de esperança.
Tantos anos sob a maldição da rosa!

Alguém de longe a vê
E a toca por trás.
"Quem é você?" - ela pergunta.
"Sou seu desejo realizado". - ele responde.
E a chama para dançar.
Ali, distante de todos no Baile.
Afinal, para que estar rodeado de muitos olhares,
Sentindo-se só?
E para que tantos sorrisos,
Sentindo-se em perpétua tristeza?

A música tocava para os dois.
Ela nem se importara com o vestido que usava,
Mas sabia que o perfume das rosas em si,
Era do que ele gostava.
E para aquela moça,
Outrora desamparada,
Sofrendo as dores de sua maldição,
Aquele momento a fez tirar os pés do chão.
Ele sussurrava em seus ouvidos,
Levava seu corpo no compasso.

Até que tocou meia -noite
E, com o soar do sino,
A rosa caiu no chão,
E sem notar, quebrou a esperança de sua salvação.
Ele parte,
Seu olhar é sombrio,
Vazio,
Sem brilho.
Suas mãos tocam pela última vez
As mãos que tremiam.
A vitrola parece quebrar,
E junto, o compasso da música a tocar,
É interrompido por um ruído.

Ela tenta enxergar e não vê.
"Tenho tanta coisa a te falar..."- ela grita!
"Falar, cantar..." - repete o eco.
Seus olhos, perdidos no horizonte,
Seus joelhos, trôpegos no solo da campina que se convertera em deserto,
Seus olhos, jorrando lágrimas,
Seus lábios a entoar enfurecidamente
"Não vá..."
Até que suas forças se esgotam.
Não cessam as lágrimas.
Se curvam os altares.

De repente, ela abre os olhos,
Enxuga bruscamente seu rosto
E leva seu olhar ao seu lado.
Sua rosa se quebrara!
Estava ali, desnuda, desprotegida e espatifada ao chão!
No castelo, risos e emoção de todos os que ali festejavam.
Ela podia ouvir,
Mas estava ali, sozinha.
O relógio parou.
Parou à meia-noite.
Ela desesperadamente corre em sua direção
E tenta voltar as horas.
Não dá.
Ele quebrou.

Seu coração tenta aceitar,
Embora, sem nada a entender,
Queria ter tido a chance de voltar,
De esquecer.
De não nascer!

Mas é tarde.
Daquele sonho
Não ouviu um "adeus".
Mas, o momento que a ele esteve,
Foi um momento de sua Eternidade.

Agora, sem rosa e sem tempo a correr,
Ela parte,
De volta a seu mundo
À sua realidade.
A de que fora amaldiçoada
A não ser amada
Por tanto amar.

Afinal, foi só um sonho
Que viveu por um momento
Na eternidade!

Loretta di Fiori.