quinta-feira, 14 de maio de 2015

Rapsódia sob um tema famoso

Hoje parei por alguns instantes
Meu olhar e o fixei em algumas pessoas.
Pessoas tais que não conhecia,
Jamais vira.
Porém, faziam tudo sem mistério
Nem medo ou vergonha.
Cingiam seus olhares de
Amor e destilavam sorrisos
Umas às outras.

Sem medo do que poderia vir depois,
Se entregavam à magia do momento.
Caminhavam contra o vento
E dançavam em seu compasso
Sem tropeçar.

Em instantes roubaram minha atenção.
E dava para notar naquela canção
Que pareciam tão felizes...
Sem se importar.
Mas deveriam?

O que é a vida?
São compassos de segundas
Terças e quintas.
Ora com rallentandos ora com pausas.
Mas não deixam nunca de fazer música!

São palavras que movem as pessoas.
Elogios, críticas, desprezos e mentiras
Que podem arruinar ou alimentar uma vida.
Porque tudo isso pode preencher o vazio de um momento
E ao mesmo tempo,
Abrir um buraco que permanecerá até o fim da eternidade.

Olhares, gestos, carinhos, palavras...
Tudo pode passar.
Mas o que eles fazem
E trazem
No máximo,
Ficam na memória.
E de lá,
Ninguém os pode tirar.

Porque as pessoas sentirem,
Amarem, odiarem
Faz parte do ser o que nascemos para ser.
E por que então, não colorir os momentos
E enfeitar os sentimentos?


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Amanhã de manhã

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Pintarei o céu mais azul
E o sol mais brilhante
Para que contemple da janela
E alegre o teu dia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Comporei a mais bela melodia
Em Ode à beleza e gentileza
Que cobrem de certeza
Este que a rodeia.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Despertarei-te do profundo sono
E, com um sorriso,
Direi que dentre todas as rimas,
A do teu sorriso é mais perfeita.

Amanhã de manhã quando eu acordar,
Haverá sol, flores,calor
E a nossa música!
E assim farei por todas as manhãs que acordar.

Mas amanhã de manhã, quando você acordar
E eu não estiver mais aqui,
Continue olhando para o céu.
A música ainda tocará...
E ela lhe arrancará a perfeita rima
Que já disse de onde vem!

E se amanhã de manhã quando você acordar,
Ninguém te disser "bom dia",
Saiba que de onde eu estiver,
Olharei para o Sol
E pedirei um brilho especial dele
Para que lhe aqueça como essas palavras me aqueciam.

E se a Lua, quando o dia começar a se findar,
Resolver só aparecer pela metade,
A veja como seu sorriso - meu sorriso.
Não importando quem o veja também,
É para você que ela o abre.

Amanhã de manhã quando você acordar,
O canto mais belo de um pássaro
Será teu despertar.
E junto dele,
Se perceber,
Haverá notas melancólicas,
Como as histórias que escrevemos.

Amanhã de manhã
Será um lindo dia!
E com a mais sincera sinfonia
Quero escrever no céu
Para mostrar ao mundo inteiro
O que todas as manhãs farei
Até a eternidade passar.

E cada dia que se passar
Será um mais perto
De poder despertar
O amanhã de manhã
Ao teu lado.



Loretta di Fiori.

Nostalgia

Ao acordar, percebi o céu um pouco triste.
O Sol, desanimado, brilhava com timidez à minha janela.
Acordei com saudosas lembranças em forma de melodia.
Meu coração insistiu em bater em seu ritmo...

Seria fácil fechar os olhos, balançar a cabeça
E tentar seguir o dia.
Mas não funciona assim!

Meus olhos vertiam lágrimas
E meu suspirar era com ponto de aumento!
A distância do melancólico olhar
Penetrava a vazia vista.
Não havia nada que a preenchesse!

Comecei o dia!
E no caminho dele,
Notei a falta que me faz.
Percebi, naquelas notas,
Como que os bemóis num compasso dois por dois
Fazem falta, para melancolizar ainda mais, a sutil harmonia
Dos sons.

E em eco, minhas lembranças respondiam ao compasso!
Nada mudava!
O sorriso também se perdeu no meio do caminho,
Tentando achar seu destino!

Ao parar, as mãos tocavam a melodia.
E dos olhos, a imagem ainda ficava,
Todos a compunham!
Ninguém escapava...

Pintei um retrato.
Daquele que ainda guardo!
Que prelúdio!
A valsa começou,
Não há ninguém para dançar...

Sigo assim,
A Lua apareceu em sorriso para mim!
Sim, era só para mim.
Não importa em qual lado do universo
Eu esteja,
Ela é a mesma
E sorri apenas de uma forma!
E sei que é para mim.
Sei muito bem!

Foi desta forma,
Que em relapso,
Me senti ausente daqui
Como que, por um instante,
Estivesse ali.
E pude dançar a valsa.
Me despedir
Com minha última sonata...
Aquela com a qual minhas mãos,
Incansavelmente,
Destilavam nostalgia!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 17 de março de 2015

Ponto Morto

Em análise,
Todos os corpos tendem à sua condição de equilíbrio.
E logicamente, todos buscam o ponto morto. 
A inércia.

Mais do que estagnados pelo Sistema,
Tornam-se padrão
Sem sequer, 
Saberem do que está em questão.

Interrompidos pelos sons,
Pelos tropeções
E quedas
Por gastarem energia
Em nada.

Sob pressão,
Engatam o ponto morto.
Levam a vida como a julgam 
Que esta deve ser levada.

Caminham na vantagem,
Sem gasto de energia.
Provocando apenas,
Entropia!

Audácia!

São cegados pelos Neons,
LEDs e Touch Screens...
Apenas para baixo
Desviam os olhares,
E mesmo assim,
Tropeçam pelos ermos sem fim.

Distraídos!

Conexões sem saírem do conforto.
Deitados, fingem sentirem-se cansados.
Irados, fingem-se contentes.
E a imagem é passada
A cada máscara usada!

Inertes!

Imbuídos em aflições,
Transparecem perfeições;
Fingem importar-se
Com o mundo.
Quando na verdade,
Querem apenas, uma ou duas curtidas.

E assim, caminham todos 
Perdendo a velocidade
Em um mundo acelerado,
Por simplesmente
Estarem em ponto morto.


Loretta di Fiori.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Pródigos


Pessoas que esbanjam o que não possuem.
Proclamam do que não sabem.
Mas arrastam perdidos,
Indecisos.
Como ídolos importados,
Se apoderam do trono
Ao tomarem posse como czares.

Insistem na
Sua geração marcada pela cobiça.
Veneram luxo,
E exalam orgulho!

Caminham pelas ruas
E destilam aromas
Repletos de ganância,
Cujo rastro atrai invejas.

Não se cansam.
Arduamente persistem
Na luta pelo poder,
Pela fortuna.

Enganam e são enganados
Sem saber.
Compram e são vendidos
Sem darem conta.

Condenados,
Vivem como pródigos,
Usufruindo de seus palácios.
Afogando olhares que se adulteram
Ao lhes desejarem.

Até que se atinam
Com o Trem-da-Solidão,
Cujo destino lhes aguarda.
Os bilhetes já foram marcados,
Não tem volta.

De onde procedem altivez e valentia?

Loretta di Fiori.

Próximos Distantes

O trem chegou à estação.
Viera de longe...
O que antes era distante,
Agora tornou-se mais próximo!

Dele descem centenas de pessoas
Que circulam pelas ruas
Da cidade.
Elas vêm e vão.
Caminham apressadamente.
Pouco se viram,
Mas, muito se preocupam.

Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Olham para a direita
E para a esquerda
Não com visão panorâmica.
Querem apenas saber se podem atravessar
Em segurança;
Se há mais alguém logo ali?
"Não vi"!

Faróis sinalizam a passagem
Enquanto os olhares se perdem
No que não devem.

Soou meio-dia!
Muito devem retornar à estação.
O trem partirá.
E tudo se repetirá.

Inconformados,
Alterados,
Rodeados de miragens,
Alguém só deseja meros olhares.
Dispensa falares,
Apenas uma percepção.

Um ali, outro aqui.
Muitos a frente
Milhares atrás.
Cercado por todos os lados,
E eles se mantêm distantes.

Os dispositivos que carregam
São a única fonte.
De onde emanam distrações por todos os lados.
Alguém tropeçou...
E daí, ninguém se importou!

Esse é o mundo
Onde os próximos estão cada vez
Mais distantes.
E os distantes, permanecem assim!


Loretta di Fiori.


terça-feira, 3 de março de 2015

O piano e o Violino

O piano começou a tocar...
Suas notas eram sombrias e
Melódicas.
Pouco compassadas,
Pareciam solitárias.

O violino aparece,
E enriquece
As notas com um pouco
Da suavidade que só ele tem,
Sem perder
O drama.

Chora os compassos.
Proclama todas as dores
E sentimentos do piano
Que estava ali, a responder
Com sutileza
Aos finos acordes.

As oitavas do piano
 Escorrem para baixo,
Enquanto o compasso
Se torna harmônico
Ao tocarem juntos a mesma nota!

O piano então, aparece com um rallentando
E o violino responde com o ritornello...
Eles não querem parar.
Assim, a música continua a tocar.

Até que um desliza no tom...
O outro parte a preencher o som.
E, repleto de suavidade e melodia,
O violino encanta a todos com sua rima.

E o piano então, retorna à canção.
Em Ode, chama o violino para a primeira valsa.
E juntos, compõem miríades de danças.
Enquanto que em dueto, travam o duelo.

Que som é esse?
Nunca ouviram tal composição!


Loretta di Fiori.

domingo, 1 de março de 2015

Os dois caminhos

Ela chegou correndo
E, ao fim do caminho,
Parou.
Olhou à sua direita,
Olhou à sua esquerda.

Encontrou um caminho
Para cada lado.
E se viu sem saber
Qual dos caminhos seguir.

Um, sabia que era para o seu bem.
Caminharia nele
Sem muitas dores, nem preocupações.
Afinal, julgava saber o nome de cada travessa
E para onde cada uma levaria.

O outro, era tão belo quanto,
Mas só o conhecia de ouvir falar.
Tinha anotado em seu guia
Alguns nomes de referências
Que poderia encontrar por lá;
Mas não sabia o que viria
Logo após da primeira curva.

Voltou atrás.
Começou a correr
De volta ao lugar onde sabia
Exatamente onde ficava.
Afinal, era lá de onde viera
E onde passara sua vida pretérita.

Ainda não estava pronta.
Não sabia o que decidir
Nem em qual caminho trilhar.
Os dois eram belos!
Ouvira falar de ambos.

O que julgava saber?
O esperado?
Ou o novo?
O inusitado?

Fechou os olhos,
Começou a gritar.
Um viajante caminhando em seu jumento
A ouviu desde quando partiu.
Foi ao seu encontro.
Ela estava sozinha,
Parada exatamente entre os dois caminhos.
Ele se aproxima,
E a toca.
Ela perdida,
Só chora.

Até que ele vai à frente e parte ao primeiro raio de sol,
Para o da direita.
Ela, inerte ainda, só observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela só o observa.

No próximo raiar de dia,
Ele segue o da esquerda.
Ela, inerte ainda, só o observa.
Ele retorna,
Conta a aventura.
Ela se levanta.
E se despede.

Qual caminho ela seguiu?
O do seu coração.


Loretta di Fiori.


Só sei que nada sei

E pra falar a verdade,
Muito pensei saber.
Talvez não de uma plenitude
De começo, meio e fim,
Talvez só um nada de todos eles.

Desprezar o começo por não
Saber para onde me levará;
Esquecer-me do caminho
Quando já estiver no meio da estrada.
E julgar-me ao final da história
Apenas por encontrar o primeiro ponto final.

E durante uma vida,
Acreditar que de tudo eu sabia.
Embora outrora, em tempos bem remotos,
Ninguém sabia do que eu viria a saber
Quando chegasse meu fim.

Mas esse "fim" ainda não chegou.
Caminho no meio do caminho
E jogo migalhas de pão
Para não esquecer-me de onde eu vim.

Talvez, não saiba mais nem para onde vou.

E nessa jornada, cada nuvem de existência
Trouxe-me uma história de vida.
De experiência.
Enchi minha mochila,
E minha bagagem só aumentava.

Ah! Tudo eu sabia!

Até que começou a pesar.
Não sabia o que fazer com tanta soma.
Dividir?
Multiplicar?
Talvez, diminuir, afinal, cansaria menos
Ao continuar a jornada.

Mas a cada passo,
Era algo que me somava.
Não percebia.
E lá atrás, já julgava pesado demais!
E agora, onde colocar?
Desprezar?
Ah! São tantas boas histórias.
Tantas ricas experiências!

Tropecei no meu orgulho.
Caí e me deparei com uma poça
A poça da vergonha!
Tentei enxergar
O que através dela se refletia.
Nada pessoal!
Nenhuma das coisas que trazia se espatifou.
Pelo contrário,
Só me ajudou.

Levantei,
Cambaleando ainda.
Mas notei que não caí por causa do peso
Que julgava carregar,
Mas por não conseguir distribui-lo.

Até que vi utilidade.
E passei a caminhar novamente,
E agora, crente de que
Logo ali, veria nova história
E aprenderia novas experiências.
Afinal, agora, eu já comecei a escrever
Um pouco do que já sei.

E continuo sem nada a saber.

Caminho, prossigo
Rumo a cada dia um novo saber!


Loretta di Fiori.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Rosa de Vidro



Estava ali, parecia tão forte, 
No contentamento de sua solidão.
Refletia qualquer luz
Sem conseguir emitir tom algum.
Todos podiam ver-se através dela...

Era isso que a tornava tão misteriosa!

Com todos os detalhes que, impecavelmente,
Mantinham sua estrutura intacta há anos!
Não se deixava manchar pelos anos,
Ao contrário, mantinha seu terno olhar.

Sim, parecia olhar a todos,
E quando a viam,
Pouco descobriam de sua essência.

Permanecera com o mesmo bom aroma 
E elegância por anos!
E o exalava sem esforço.

Ficava ali no alto,
Não podia ser tocada...
Apenas contemplada.
Mas algo parecia incomodá-la - 
Ninguém sabia.

Até que alguém um dia,
Atreveu-se a tomá-la em suas mãos.
E por um instante,
Olhou profundamento aos detalhes daquela rosa
Que por ser vidro, agora parecia-lhe mais frágil.
Perdera a soberania do absoluto silêncio.
Tomou-a em suas mãos e a observou por minutos.
Tentou entender o porquê de parecer ser tão forte,
Mesmo tão sensível, que ao mínimo descuido, 
Poderia quebra-se e perder-se para sempre.

Até que algo entra na sala,
Onde a rosa reinava absoluta
Nas mãos daquele ser.
Um ruído,
Uma sombra...
Um vulto

E ao chão a rosa foi-se
Depressa.
E em um piscar de olhos,
Estava ali, despedaçada.
Com seus detalhes e curvas perfeitamente entalhados,
Desfeitos pela queda.

Assim, a luz apaga-se.
E todos se vão...
Ao fim da música, só restaram pedaços,
Pedaços da rosa que afinal, era de vidro,
E que um dia encantou os olhos de quem a via
Em sua glória!


Loretta di Fiori.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Quebra e Refaz

Há alguém ali,
Seu rosto parece vazio
E seus olhos, opacos demais.

Anda com pesar,
Afinal, a vida lhe impusera muitos fardos.
No seu corpo,
Há marcas dos lugares por onde passou.
É o que restou!

Se ouve uma voz:
"Como cheguei até aqui?
Não sou quem eu pensava que era,
Nem o que um dia eu fui".

As chagas em seu rosto
Mostram que de dores,
Sofreu pelos amores.

Nada parece alegrar
Aquela alma.
A sua harpa
Está pendurada
No salgueiro.
Seu violão perdeu o som,
E seu piano, fechado pelo tempo, ficou.

Não se ouve riso,
Nem júbilo de seu coração.
Apenas, lamentos de indecisão.

Do seu passado não quer se recordar,
E se acusa a acreditar que seu futuro vai
Raiar,
Sim, como sol, ele vai surgir no horizonte.

Seus pés, para o deserto partem.
Estão marcados pelo tempo,
Desespero!
Mas, prosseguem,
Afinal, chegaram até aqui.
A boca seca,
As pernas mancas clamam!

Mas o oásis está logo além da montanha.

Olha para o lado e não vê...
Não há ninguém ali!
Já desistiu de tudo,
Já deixou para trás...

Seu coração insiste:
"A minha carreira completarei,
Nunca, jamais serei o mesmo".

Sua alma retruca:
"Esse ser parece
Fraco demais,
Cego demais!"

"Nada disso,
É muito maior que todos os erros que cometeu no passado,
Que todos os problemas, e que todas as lutas".

Então, chega seu Oásis...
O que há do outro lado da montanha?



Loretta di Fiori.






quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

História da Minha Vida (Traduzida)

http://www.youtube.com/watch?v=W-TE_Ys4iwM

"Escrito nessas paredes estão as histórias
Que eu não consigo explicar...
Deixo o meu coração aberto,
Mas ele fica bem aqui, vazio por dias.

Ela me disse de manhã
Ela não sente a mesma coisa em relação à nós.
Parece que quando eu morrer
Essas palavras estarão escritas na minha lápide!

E eu vou embora hoje à noite.
O chão  debaixo dos meus pés está aberto...
O jeito que aguentei firme,
Como se não houvesse nada entre nós.

A história da minha vida levo para casa.
Dirijo a noite toda para mantê-la aquecida,
Embora o tempo esteja congelado lá fora.
A história da minha vida, dou esperança a ela.
Gastei o seu amor
Até que ela estivesse despedaçada por dentro.
A história da minha vida.

Escrito nessas paredes
Estão as cores que não eu consigo mudar.
Deixo o meu coração aberto,
Mas ele permanece na sua gaiola.

Eu sei que está de manhã agora.
Nos vejo na luz sobre a colina,
Apesar de eu estar destruído,
Meu coração ainda é intocado.

E eu estive esperando por esse momento chegar
Mas querida, correr atrás de você
É como perseguir as nuvens".

Story of my life - tradução - One Direction

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Aperte o botão

Vidas confortáveis,
Movimentos instantâneos -
Não se pode perder o tempo!

Até aqueles que nada fazem
Não encontram tempo
Para continuarem no nada.

Pessoas fluidas,
Líquidas demais.
Tensão superficial
À flor da idade.

Vidas dirigidas por controles remotos.
Basta um click e outra dimensão é acionada.
Viajam.
Conhecem mundos, culturas...
Sem saírem de suas casas.

Afinal, o sofá é confortável demais!

Não se pode ser passado para trás.
Mundo cercado de elevadores,
Escadas que poupam as pessoas de suarem.
Do fast food...
Onde os pés caminham rapidamente
E a mente, cada vez mais, lentamente.

Uma batida de mãos,
A luz acende.
Uma captação das ondas sonoras,
Ele disca.

Aperte o botão!
"Não há tempo nesta estação".
"Não se pode deixar para o próximo verão".

Tempo!
Ausente tempo!
Escassa liberdade.
Hiperbólicas vontades.

Todos necessitam,
Todos precisam.
"Se ele tem,
Como não tenho também?"
Nisto, cresce a altivez e a valentia.

Soberba da vida!
Esta não parece passar com o tempo.
Mas a ficar em cada momento.

Pessoas vêm e vão.
Muitas apenas vêm.
E todas as outras se vão.

Afinal, não há tempo a perder.
Aos sinais vermelhos parecem sempre ceder,
Para o tempo nunca se perder.

Aperte o botão.

Loretta di Fiori.

Fé do Coração (Traduzida)

"Tem sido uma estrada longa
Chegando de lá para cá;
Isso foi há muito tempo!
Mas meu tempo está finalmente aqui.

Mas eu posso sentir que o vento está mudando agora
Nada há em meu caminho.
E não conseguirão me deixar para baixo! Ah, não mais!
E nada vai me deixar para baixo, nada!

Porque eu tenho a fé do coração
Eu estou indo aonde meu coração me levará.
Eu tenho a fé para acreditar
Que eu posso fazer qualquer coisa.
Eu tenho a força da alma
E nada nem ninguém irão dobrar-me ou quebrar-me
Eu posso alcançar qualquer estrela!
Eu tenho a fé,
Fé do coração.

Tem sido uma noite longa
Tentando encontrar meu caminho
Na escuridão
Agora eu tenho finalmente meu dia.

Mas eu verei meu sonho se realizar no fim
E eu tocarei no céu...
E não conseguirão me deixar para baixo.
Ninguém irá mudar minha mente!

Eu sei do vento assim frio...
Eu vi os dias - os mais escuros deles.
Mas agora os ventos que eu sinto
São somente os ventos da mudança!
Eu fui através do fogo,
E eu fui através da chuva,
Mas eu ficarei bem.


É uma estrada longa".



(Faith of the heart - Russel Watson)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Partitura Molhada

Estava ela a tocar
Os mais finos e requintados acordes.
E o céu, com sons de trovão,
Respondia
Àquela canção.

Porém, esquecera de fechar sua partitura,
Quando saíra às pressas.
Até a janela aberta
Pareceu-lhe não incomodar.

Parte para um outro lugar.
Distante de todos onde já estivera.
E a sensação das gotas molharem
Seus cabelos
E parecer-lhe lágrimas dos olhos,
A fez recordar-se de sua música.

Até que atinou com aquela
Partitura outrora esquecida
E, em fermata,
Pranteou sua agonia.

Estava em um lugar
Que lhe parecia um vale.
Chovia,
Era a única coisa que sabia!

E em notas staccatas,
Tenta alcançar o fim da estrada.
Como poderia continuar tocando tal música
Se a partitura molhada estivesse?

Seu coração só marcava um compasso.
Até que a pausa de semibreve
Surgira
E ao solo, caíra.

Chovia!

Tenta recordar dos versos,
Enquanto sofria, ali, sozinha.
Compõe uma triste melodia...
Nada parecia com aquela
Que parecia já esquecida!

Até que em um instante,
Retorna à sua partitura.
Estava ali, molhada...
Manchada!
Quase rasgada.

Com cuidado a toma em suas mãos,
Também molhadas,
Afinal, só chovia.
E, então, ela se desfaz,
Se desmancha em suas mãos.

Fora a última canção!
Desde então, ela silenciou.
Emudeceu inclusive seu coração.
Enquanto a última visão se esvaía.

Oh! Lamenta...

Até que o arco-íris resolve
Compor um alegretto.
Depois de um longo período de negridão.
A janela permanece aberta.
E ela, ao acordar,
Decide voltar a tocar.

Havia guardado a partitura molhada
Que já secara e enrugara.
Nada via, além de suas marcas.
De suas lágrimas!

Decide, em Ode Tristesse
Compor-lhe uma homenagem.
Volta suas mãos às teclas
E retoma sua última canção.
E percebe então,
Que quem lhe guiara era o coração
Pois aquela música não havia se perdido
No tempo, nem no espaço.
Parecia até que sua partitura nunca molhara!

Memórias...
Eternas memórias!


Loretta di Fiori,

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Quando não há nota alguma

Saudosa vista, me fez suspirar.
Contemplei aquela partitura
Sem nota alguma...
Pareciam nuvens no céu,
Que fazem formas
De acordo com o que queremos enxergar.

Assim, me vi diante de minhas teclas brancas e pretas,
Com as mãos diante delas,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

Daquela valsa,
Só uma melodia brotava:
"Eu perguntava: 'Do you wanna dance?'"
E olhava para aquelas notas desformes
Lançando esse desafio.

Elas saltavam das pautas
Mas não dançavam.
Antes, pareciam desafinadas.

Em legatto, eternas esquecidas.
Em staccato, doce melodia.
Jamais fariam um alegretto,
Muito menos um dueto.

Assim, fechei a partitura.
Aquelas notas não faziam música.
E quando não há nota alguma,
Essa ópera não é digna.

Mas, aquele ritmo insistia:
"Do you wanna dance?"
Por que então, não levantar
E seguir o compasso das batidas deste coração?

Espere!
Posso cair.
Posso decepcionar o Maestro
Que me espera no mês de dezembro
Para o concerto.
O que devo fazer?
Enquanto insistia aquela sutil melodia...

Mas percebo, que não é de concerto
Que minhas mãos precisam...
Elas anseiam por aquela melodia
"Do you wanna dance?"
Que as desconsertam.
Mudando assim,
Até o ritmo do compasso
Para binário.
A intensidade, de andante expressivo para
Piano pianíssimo,
A misturar-se ao forte fortíssimo!

Quando percebo,
Estou ali, sentada
Com as mãos diante do preto e do branco,
Repousadas,
Como uma mariposa,
Delicadamente, se aquieta
Em uma frágil flor do campo.

E olho para minha partitura,
Não há nota alguma.
Levanto.
De repente:
"Do you wanna dance?"
Dispara daquele dispositivo
Em cima da mesa.

Quando não há nota alguma,
Há sempre uma melodia
Que traz todas as memórias consigo!


Loretta di Fiori.

O Condado

Sempre um lugar tranquilo,
Com tudo belo,
Organizado e sem temor.

O Sol nunca se cansara de
Aparecer todos os dias
Àquele mágico lugar.
E, quando cedia à Lua
Seu espetáculo,
Ela o cumpria com excelência
E deixava o Condado
Ainda mais radiante.

Aquela pequena sombra de existência
Era um habitante qualquer,
Que vivia talvez, como qualquer outro.
Com uma vida confortável,
Repleta do toque de perfeição,
Sua vida parecia não ter emoção.

Até que lhe aparece uma missão,
De, mesmo sendo tão insignificante,
Exibir sua elegância
E o esmero.
Porém, teria de dizer adeus àquele mágico lugar.
Teria de dizer não ao seu passado tranquilo e saudoso.
Teria de partir à nona hora,
Sem se despedir
E ir em busca do que seu coração
Lhe revelara ser a verdadeira emoção.

Esta, viraria sua grande paixão.
Passou montanhas, desbravou feras.
Espere.
É a mesma criatura que era tida como uma sombra de existência?
Não pode ser.
Será?

Todos duvidavam
E dele, zombavam.
Mas a razão de sua vil existência
Surgira,
E a ela não podia negar seu coração.
A Aventura insistia
E a cada dia,
Lhe abria um sorriso.

Sua lealdade o tornou ainda mais digno,
Sua bondade encantava a Aventura!
Estava ali, bem ali:
Aquele pequeno
Distante de seu Condado.

A cada dia, era transformado.
Sentia-se menos preso,
Mais corajoso,
Mais audacioso.

Mudou mundos,
Enfrentou Exércitos,
E de tudo, pegou alguma recordação.

Até que, num dia desses,
Num desses desencontros casuais,
Se despede da Aventura
E chega à comodidade do Condado.

Não via a hora de seu chá às seis,
De suas perfeitas melodias
Entonadas ao soar de cada hora do relógio...

Durante todo o percurso, só pensava nisto.

Até que seus olhos contemplam
Seu doce e belo Condado.
Seus pés caminham rapidamente
E percebe algo ali, externamente:
Estava uma desordem!

Mas algo lhe incomodava por dentro:
Voltar à vida pacata
Sem os demais?

Algo nele está mudado.
Algo nele está repleto de desejo pela Aventura novamente.
Afinal, ele recebera do Destino,
Uma grande missão.
Ainda não a terminara.

Aquele lugar, que antes era seu refúgio,
Seu recôndito,
Se tornara sem brilho,
Sem razão.

Até que segura em suas mãos
Aquele presente -
Sua missão.
Fecha os olhos, vive tudo novamente.
Mas ainda lhe falta...
Ah, sim! Ainda lhe falta o que já não lhe faltara.
O que já sustentara a ausência.
O vazio ainda permanece...
Sobra tanta falta!

Se levanta: a Aventura ainda não acabou.
Onde está você agora?
Afinal, o que uma criatura tão pequena
Pode fazer num mundo tão grande?

Seria ele tão pequeno assim?


Loretta di Fiori.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ritornello

Sem perceber, a música vai seguindo cada compasso.
Com staccatos e legattos, segue sem direção,
Como nuvem sem água, levada por ventos daqui e de lá.
O fim da ópera, apenas o Maestro sabe.
Ele vai guiando cada diminuta e cada Fermata.

O pianista observa suas notas em sua partitura,
Como quem observa seu comportamento na vida.
Uma Escala maior, outra menor.
Às vezes meio desafinada,
Ou descompassada.

Mas, quando ele pensa que é o fim,
Encontra o Ritornello
Que o faz voltar desde o início.
Parecia que havia sido sanado,
Que havia sido esquecido
Por seus ouvintes aquele começo.

Às vezes relutante, ele tenta seguir
A composição sem pausas.
Mas é mais forte.
Aquele que não sabia o fim que se daria
Se vê com as memórias ali,
Virando as páginas,
Tocando aquelas notas sombrias.

O Maestro sinaliza,
Ritornello em seguida.
O pianista respira fundo
E leva suas mãos à mais triste melodia:
O começo da sinfonia!
A música é em Andante, pianíssimo
Sem allegro nem alegretto.
Apenas com acordes sustenidos e bemóis
Que fazem do clamor daquelas notas
As lágrimas de quem as toca.

Ouvi-las e tocá-las? Ele reclama.
Mas segue.
E ao começo então,
Retoma sua canção.
Sendo triste e sombrio,
Encanta e gera emoção!

Loretta di Fiori.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enquanto isso...

Do lado de cá, contemplo a água tentando fazer graça.
Ela resiste ao vento que insiste a soprar,
E faz malabarismos na janela sem se importar.
Escorrega de um canto a outro.
Até deslizar e se espalhar.


São pingos de chuva,
Sinal de que o céu se entristeceu
E das nuvens, despencaram lágrimas.


Estou sentada, a vislumbrar
O que estes olhos cegos
Podem ver.


O tempo continua a correr,
O destino está distante ainda,
Tenho tempo para escrever!


De repente, dos olhos,
Emanam recordações
E memórias,
Que escorrem pelo rosto,
Deixando marcas.


São imagens, lembranças.
Frases, rostos, risos, perfumes e sabores.
Música...


E, num instante, sons vêm e vão.
Passado - presente
Tentando montar o futuro,
Que permanece ausente.


A viagem se segue para frente,
E meu coração,
Permanece lá atrás.


Mas a ópera não pode parar,
Não pode voltar!
No meio da pauta,
Uma pausa.
Que tal pontuá-la?
Dessa forma, a semibreve não será nada breve!


Um tempo para imprimir dos olhos
Essa composição
E deixar que o tempo, cicatrize meu coração.


Volto então, à minha triste canção.
O céu já secou suas lágrimas,
E minha janela voltou a refletir.


Tudo aquilo,
Ficou no vagão de trás.
Podemos seguir viagem
E chegar logo à Estação.


O trem azul ainda
Destila paixão.


Loretta di Fiori.

Dia Ensolarado

Pensei que o dia fosse amanhecer nublado,
Repleto de névoa e sem o cantar dos pássaros na janela.


Mas, ao abrir os olhos,
Sob o mesmo teto,
Aquele entusiasmo
Misturado a uma pitada de curiosidade,
Fizeram com que rapidamente
Abrisse a janela:
Que espetáculo!
Que dia ensolarado!


O céu, cintilando no azul,
Pintado de brancas nuvens
Que formam minhas formas prediletas!


O Fantasma da Ópera, na vitrola.
Aquele som cheio de vida e emoção,
Haja coração!
E, pelos corredores, o aroma doce,
Seco e apaixonante.
A combinação perfeita de amores!


Os pés, marcavam o compasso de Schumann,
Estavam longe de um "marcha soldado".
Mas, que encantador caminhar!
Que doce visão.


Mas não notou,
Pois a Sonata era em "Si"
E não recompôs a "Mi".
Contudo, não perdeu o compasso.
Meus ouvidos seguiam cada passo.
O aroma perdurara por alguns instantes,
E, rallentando, se despediram então.


Fecho os olhos,
Inspiro.
Sigo.
Afinal, o dia está ensolarado.


Uma voz:
"Levante! São dez para as seis".


Loretta di Fiori.

180 Graus

Aquele Mistério!


Aquela breve sensação de mudança...
Todos acostumados a seguir carregando suas capas,
Seus guarda-chuvas e a bússula.
Agora, por onde iniciar?


Uma vez equipados,
A rosa-dos-ventos os guia para onde quer.
Por tempos, tanto acúmulo,
Tanto sobrepeso!


O entusiasta perde o espetáculo.
O pianista, esbarra nos bemóis,
O maestro se esquece do compasso!
A bailarina desliza no Lago dos Cisnes,
O artista colore de outro tom o céu.


"O universo parece um tanto estranho..."
Indaga o menino na calçada,
Olhando aquela menina a passar.


Até que ele desvenda o Mistério!
Sua cabeça se ergue ao horizonte -
"Parece tudo normal".
O céu ainda não despencou,
Os pássaros ainda entoam melodias,
A menina ainda chama sua atenção,
Ali, do outro lado da rua.


Estão todos bem!
Mudança de perspectiva...
Isso ainda é Mistério!


Loretta di Fiori.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Vida e Música

Por escrito, parece-me com menos pesar
Que assim o faço.

O que é a vida?
Se não é nascer sem querer,
Ter de enfrentar um mundo
Completamente estranho
E depois, ir-se sem, muitas das vezes,
Se despedir?

Como toda criança,
Tive meus sonhos infantis.
Talvez os meus fossem mais estranhos:
Queria visitar a Lua,
Andar nas nuvens,
Viajar de foguete,
Circular nos anéis de Saturno,
Ter meu próprio Telescópio
E ser uma espécie de "super-herói".

Já na adolescência,
Me desencantei com esse mundo.
Queria fazer de tudo para ser diferente dos
Habitantes que aqui, me rodeavam.
Aprendi algumas falas dos vulcanos,
Enquanto me imaginava na Enterprise,
Queria um prêmio Nobel,
Procurava as estrelas e suas posições
Para saber seus nomes.
Buscava tocar as músicas mais difíceis ao piano,
Decorava alguns "chavões" em várias línguas
Para usá-los à vontade.
Queria saber como tudo funcionava
E ter as respostas para todos os questionamentos
De qualquer pessoa.

Nesse meio-tempo,
Já ri muito de até doer a barriga,
Já escrevi na areia.
Já andei de trem.
Já tirei foto no meio do Mar.
Já saí correndo e gritando para ver até onde conseguiria fôlego.
Já pulei de barriga na piscina para ver se doía mesmo.
Já comi marisco cru.
Já andei em pedras vulcânicas.
Já gritei "eu sou o rei do mundo e posso controlar a gravidade", enquanto subia um monte de pedras.
Já chorei por meninos.
Já coloquei uma carta em uma garrafa e enterrei.
Já fiz minhas listas do esquecimento e coloquei-as no bueiro.
Já  tomei banho de chuva.
Já andei descalço no asfalto.
Já tive uma casa na árvore (um tanto exótica, mas tive).
Já derrubei uma pilha de papel higiênico no supermercado.
Já imitei os pássaros, introduções e melôs, e os mais diversos sons (que só faziam sentido na minha cabeça).
Já inventei palavras em vários idiomas.
Já cantei "lá lá lá"para substituir a letra que eu não sabia.
Já fiz alguém que estava chorando, rir das minhas gracinhas.
Já guardei o chiclete na geladeira achando que o gosto doce permaneceria até o dia seguinte.
Já cantei alto, com os fones de ouvido e quando os tirei, todos estavam me olhando.
Já dancei fora do compasso.
Já caí da escada.
Já fingi estar doente para não sair de casa.
Já li e reli várias vezes a mesma mensagem.
Já me imaginei regendo uma orquestra.
Já inventei ritmos de diferentes instrumentos na minha cabeça.
Já escrevi poesias para alguém e nunca as enviei.
Já acordei de madrugada e fui ver se todos da  casa estavam respirando bem.
Já fiquei esperando a chuva acabar só para fotografar o arco-íris.
Já perdoei, já amei, já superei.
Mas também, já sorri e já me diverti!

Já fiz tantas outras coisas!
E para cada uma delas, tenho uma trilha sonora que ecoa todas as vezes que me recordo delas!
Afinal, o que é a vida, se não notas a serem tocadas formando, no final, a mais bela sinfonia?!

Loretta di Fiori.




Heróis Superlativos

Superlativos relativos.
Exatamente isso que a existência cobra.
Nesse mundo, não existem "talvez".
Assim, perde-se a vez por um tal.

Sempre ser Super.
Superar.
Suprir.
Surpreender.
E o que resta disso?
Um longo Suspirar.

Sempre ser
O perfeito.
O elegante.
O espetacular.
Jamais errar.
Sempre ser
Super
Em Superlativo
Não-relativo.

Não sentir.
Não admitir.
Não deixar ninguém saber.
Nunca! Jamais.
Sempre tudo bem.
Sempre feliz para sempre.
Nesse caso,
Superlativos relativos.

Mas, uma força precisa ser aplicada.
A área é pequena, logo a pressão será maior.
Incrível como o mundo mudou repentinamente.
As páginas do calendário se foram virando
Sem que notasse.
Mudou-se o mundo, ou a mudança foi interna?

Todos os dias, matar o ego.
Olhar no espelho, e nunca se ver.
A capa vermelha nunca pode bater em retirada.
Mas passar pelos trens,
Pelas pontes,
Pelos abismos
E pessoas em apuros...
E mesmo assim,
Voltar para a casa,
Sabendo que tudo não passou.
Na verdade, cada dia é um prelúdio
De outro que virá.

E quem está ali?
Não há ninguém.
Com grandes poderes,
O que pode fazer?
Isso lhe traz grandes responsabilidades.

Heróis.
Vivem sempre no Superlativo.
Sentem tudo no Superlativo.
Não porque não querem,
Mas a vida lhes cobra mais esforço.
Dois Mundos: nunca podem escolher entre um e outro.
Devem salvar os dois.
Duas vidas: sempre têm o mesmo valor.
Dois corações: abre mão do seu para salvá-los.

Onde estão?
Nas ruas, caminham como gente comum.
Não têm marca nem sinal aparente.
Mas, se olhar atentamente,
Verá...
Ainda existem heróis vivendo no superlativo.
Nunca chorarão, afinal, eles têm esse direito (ou essa obrigação)?
Nunca se ausentarão.
Não é deveras complicado,
É meramente relativo.


Loretta di Fiori.

domingo, 2 de novembro de 2014

Um Momento da Eternidade

A maldição da rosa foi lançada.
Por anos, viraria a vergonha,
Escondendo-se de si e de todos.
A menos que alguém a aceitasse,
A amasse.
Isso mudaria o conto final.

Sob a maldição,
Ela seguiu.
Já se acostumara ao seu passado,
Fazendo do seu presente
Um contar de dias para a eternidade
Não demorar.

Até que chega o convite para o Baile.
Todas as moças do reino irão.
O papel dourado, letras bonitas e o selo real...
Tudo compunha algo sobremodo elevado
À desfalecida moça.
Pois seu coração escondera,
Trancara e a rosa era a única esperança
Para a ele abrir.

Os preparativos começam,
Flores e perfumes por todos os lados.
Por que não ir?
Mas a voz daquela força
Que a amaldiçoara,
Soava dia após dia
Como o soar de um metal
Em seus ouvidos.

Foge para um lugar tão-tão distante.
Corre sem direção,
Seus cabelos se perdem ao vento,
Até que seus joelhos se rendem ao chão.
Sem perceber,
Dos seus olhos brotavam lágrimas,
De dor, de esperança.
Tantos anos sob a maldição da rosa!

Alguém de longe a vê
E a toca por trás.
"Quem é você?" - ela pergunta.
"Sou seu desejo realizado". - ele responde.
E a chama para dançar.
Ali, distante de todos no Baile.
Afinal, para que estar rodeado de muitos olhares,
Sentindo-se só?
E para que tantos sorrisos,
Sentindo-se em perpétua tristeza?

A música tocava para os dois.
Ela nem se importara com o vestido que usava,
Mas sabia que o perfume das rosas em si,
Era do que ele gostava.
E para aquela moça,
Outrora desamparada,
Sofrendo as dores de sua maldição,
Aquele momento a fez tirar os pés do chão.
Ele sussurrava em seus ouvidos,
Levava seu corpo no compasso.

Até que tocou meia -noite
E, com o soar do sino,
A rosa caiu no chão,
E sem notar, quebrou a esperança de sua salvação.
Ele parte,
Seu olhar é sombrio,
Vazio,
Sem brilho.
Suas mãos tocam pela última vez
As mãos que tremiam.
A vitrola parece quebrar,
E junto, o compasso da música a tocar,
É interrompido por um ruído.

Ela tenta enxergar e não vê.
"Tenho tanta coisa a te falar..."- ela grita!
"Falar, cantar..." - repete o eco.
Seus olhos, perdidos no horizonte,
Seus joelhos, trôpegos no solo da campina que se convertera em deserto,
Seus olhos, jorrando lágrimas,
Seus lábios a entoar enfurecidamente
"Não vá..."
Até que suas forças se esgotam.
Não cessam as lágrimas.
Se curvam os altares.

De repente, ela abre os olhos,
Enxuga bruscamente seu rosto
E leva seu olhar ao seu lado.
Sua rosa se quebrara!
Estava ali, desnuda, desprotegida e espatifada ao chão!
No castelo, risos e emoção de todos os que ali festejavam.
Ela podia ouvir,
Mas estava ali, sozinha.
O relógio parou.
Parou à meia-noite.
Ela desesperadamente corre em sua direção
E tenta voltar as horas.
Não dá.
Ele quebrou.

Seu coração tenta aceitar,
Embora, sem nada a entender,
Queria ter tido a chance de voltar,
De esquecer.
De não nascer!

Mas é tarde.
Daquele sonho
Não ouviu um "adeus".
Mas, o momento que a ele esteve,
Foi um momento de sua Eternidade.

Agora, sem rosa e sem tempo a correr,
Ela parte,
De volta a seu mundo
À sua realidade.
A de que fora amaldiçoada
A não ser amada
Por tanto amar.

Afinal, foi só um sonho
Que viveu por um momento
Na eternidade!

Loretta di Fiori.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Um Lugar Chamado Lo-Debar

Lo-Debar fica perto de Lugar-Nenhum.
Em Lugar-Nenhum os moradores são conhecidos
Como Ninguém-se-Importa.
São pessoas que dia após dia,
Caminham sem direção
E se perdem em ilusão.
Lugar - Nenhum é famosa!
Lugar construído no pico
Da montanha mais alta,
Banhada pelo mais longo rio.

Todos Ninguém-se-Importa vivem bem,
Com fartura e fornicação ao bel prazer.
Casam-se e dão-se em casamento,
Bebem, riem e se perdem em juízo.
Afora, arranjam guerras e contendas
Com quem passar à frente.
São conhecidos como os gigantes da região.
Os habitantes de Lo-Debar os temem,
Por isso, sempre se mantêm distantes
Evitando confronto.

Lo-Debar é no vale,
Os Sem-Redenção que moram lá.
São a escória,
A vergonha da Terra.
Pobres, cegos e nus.
Povo esquisito, de aparência que não atrai.
Mas compartilham o pão e a água.
O solo é infértil,
Amaldiçoado para não produzir.

Mas um Sem-Redenção certa vez
Tentou carregar em um balde,
Um pouco da água do formoso rio de Lugar-Nenhum.
Queria construir um Novo-Mundo.
Mas, no caminho de volta, deixou cair parte dessa água.
A pobre alma, ao se deparar com o balde quase vazio,
Se ajoelha e em prantos, mostra seu coração
Às forças de cima.
Lamenta o fracasso,
Lamenta sua atitude.
Até que seu choro se rende ao sono profundo.

Só aquele Sem-Redenção sabia do que lhe afligia,
Pois em segredo, tudo mantinha.
Dessa dor não compartilhava,
Mas nela insistia.
Afinal, compunha a escória.
O que poderia ser diferente?

E dia após dia,
Lo-Debar e Lugar-Nenhum caminhavam em direções opostas.
Uns tendo nada e outros, sendo um nada.

Até que, com a próxima estação,
As nuvens estranhas foram trazidas por ventos de mudança.
Daquele solo brotara uma bela sinfonia de um flautim!
Aquele ramo verde, frágil e solitário
Era a resposta que veio de presente para Lo-Debar.
Seria possível, depois de anos nessa maldição
De terra infecunda,
Dela brotar nossa esperança?

Ao cheiro das águas...
Águas que caíram do balde de um cidadão qualquer,
De um Sem-Redenção comum.
O que lhe causou dor, lamento e muito choro,
Se converteu em festa e esperança
Não apenas para ele,
Mas para todo um povo.

Lo-Debar - Deserto das nossas Almas.
Vale dos nossos dias.
Maldição da nossa peregrinação por esta Terra.
Mas a esperança da Salvação.

Ventos de mudança...


Loretta di Fiori.

Um dó, um lá!

Cabe um dó lá?
Falta tanta sobra,
Sobra tanta falta.
Um dó do perdido,
Um dó que prenuncia o próximo.
Um dó que define o acorde,
Um dó de quem sofre.

Dó de um lá para cá,
Formando um fá.
Um instante, essa nota fermata!
Volte ao dó.

Dó.
Pode dizer tanta coisa,
Pode não dizer nada.
É o começo, meio e fim.
Se não for o tudo, é o nada!

Caminhando...veja lá!
Outrora, lá fazíamos versos,
Jubilávamos.
Perdíamos tempo.
Quem o trouxe embalado para presente?
Alguém desarma antes de saiamos de cá para lá?

E nessa hora,
Cabe um dó aqui?
Para que dó,
Escreve outro acorde.
Toque em outro tom...
Corra, vá para lá.

Que audácia!
Um salto nos tons...
Alguém não quis tentar.
Arriscar?
Passar pelo Ré, Mi, Fá e logo atrás,
Veja o pôr do Sol.
Seguindo as placas,
Chega logo Lá.

1,2,3 e 4.
Compasso quatro por quatro.
Que dó!
Não, se afaste daqui
Voe para lá.


Loretta di Fiori.

Primavera - Verão, Outono-Inverno

Primavera-Verão!
As flores acordam de seu sono,
Colorindo o dia daquela moça que as recebeu
No café da manhã.
A campina renova os tons de verde,
Inspirando o artista a compor sua paisagem.
As montanhas se exibem junto aos rios,
Encantando os olhos de quem passa e os vê.
Os pássaros entoam bela melodia,
E, na janela de quem está se levantando,
Repousam, desejando-lhe boa sorte.

Os mares dançam e beijam as areias da praia,
Sem se importarem com quem os vê.
Embalando a visão daquelas almas apaixonadas.
As nuvens caminham de um lado a outro,
Pintando o céu e enchendo os olhos
De quem as vê, de imaginação!

As borboletas resolvem seguir o compasso
E, junto ao vento, se lançam sem receio.
Como aquele que lança sua sorte no regaço,
Temendo um fracasso.

As árvores esbanjam seus frutos!
E sustentam o ser daqueles que deles desfrutam.

Até que o colorido sede ao monocromático.
Outono-Inverno!
Como acordar em um dia,
Ao som daquela melodia
E aguardar apenas coisas boas.
E, subitamente,
Surpreender com os ventos da mudança.

O céu rapidamente se enegrece,
Esconde a luz daquela Lua
Que fizera um espetáculo junto ao Mar.
As nuvens passam a enjaular cada imaginação,
Deixando apenas a frustração.

O Mar se converte à frieza em imensidão!
As suas ondas se agitam
E derrubam o que carregavam com ternura.

Tempestade!
Ventos fortes a cortar, a congelar.
Lágrimas daquela nuvem que não
Suportou o peso sozinha
E despencou do seu céu
Fazendo conhecida ao mundo, sua dor.

"Por que essa diferença?"
Se pergunta o poeta.
"Vamos compor", impera como eco
A voz do compositor.
"Vamos escrever",
Pensa o escritor.
Que tal desenhar, escrever, compor...
E lançar ao mar,
Em uma pequena garrafa velha,
Com a qual ninguém se importe.
Isso pode cessar a fúria do Mar.

Entristecida,
A Lua se despede do dia
Que no fundo, sabe que construiu cada estação nele.
Sutilmente se esconde
Perdendo seu brilho atrás daquelas nuvens.
A paisagem mudou.

As entidades retornam para seus lares,
Repletas de melancólicas rimas,
De bemóis e notas ínfimas.

Fim da composição,
Fim do retrato
E fim da história.

Espere, falta o ponto final.


Loretta di Fiori.

Sem cobrar nada

Palavras soltas, pensamentos vazios
Caem do meu coração.
Aqueles momentos que passaram
Por um instante,
Mas que formaram memórias
Que ficarão para a eternidade.

Quanto valeu tudo isso?

Aquela pobre alma, perdida na rua
Carente de um olhar,
Suplicando redenção.
De repente, alguém passa.
"Seria esta minha salvação?", 
Pensa ali, emudecido pelo tempo.
E outros, e outros, e outros alguéns.
Até um aparecer, 
Se compadecer e dar-lhe o que queria.
Aquele abraço,
Aquele olhar e um sorriso.
Simples assim, 
Sem cobrar nada!

Aquele deserto,
Com o seu chão, desnudo,
Sujo e rochoso.
Os pés que por ele passam,
Bem o sabem que dali não brota flor alguma.
Até, que com o cheiro das águas,
Produz aquele ramo verde...
Sem cobrar nada!

Aquele órfão, 
Que teria todas as razões do mundo 
Para odiar a todos,
E querer se esconder.
Seus olhos suplicam amor.
Suplicam compaixão.
Alguém, de distante se fez próximo,
E com ternura o envolve
Dando-lhe o amor que precisa,
Sem cobrar nada!

Sorrisos,
Olhares,
Carinho,
Preocupação!
Abraços de graça!
Sem cobrar nada.

Para que?
A vida não passa de uma neblina.
Todos, em operação comboio caminham
Para o mesmo fim.
Mas esse caminho para o matadouro
Traz tortura,
Angústia...
Solidão, 
Derrota!
Desprezo,
Abandono.
Mas o caminho permace ali.
Imutável! Inabalável!
E ele não cobra a passagem!



Loretta di Fiori.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Poemas a olhos nus

Olhar para os verdes campos,
As matizes neste vasto Universo.
Contemplar as nuvens carregadas do que conhecemos por água,
Estacionadas no firmamento.

Ser anestesiado pela magia das flores se abrindo ao fim da tarde
E exalando o mais doce perfume em uma noite de verão.
Aproximar-me de uma pequena criatura
Recém trazida ao mundo,
De olhos fechados
Sem saber do futuro
Que já compôs suas notas.

Sentir o brilho da Lua lá de cima,
Tão silenciosa...
Tão misteriosa!
Contemplar a paisagem que forma
Junto ao Mar.
E recordar das Cartas lançadas
Sob o cuidado de suas ondas.

Ser aquecido pelo Sol,
Aquela estrela que parece ser a mais gigante
De toda a Galáxia.

Silenciosamente perceber os cantares daqueles
Que nos causam inveja por tocarem o céu.
Eles riem, cantam e interpretam cada Soneto...

Ouvir cada oitava das águas tocando os rochedos.
O ralentando do espumar dessa força
Após tocar a rapsódia!

Fechar os olhos então,
E suavemente perceber algo
A tocar a pele,
Tão gentil e delicadamente,
Espalhando os cabelos...
Abrir os olhos e não poder vê-lo.
Sentir sua presença,
Ter a certeza de sua companhia
Mas consolar-me com a sutil ausência.

Ao cruzar aqueles campos lá debaixo,
Ele grita!
Emite o som da liberdade
E carrega as pequenas flores junto dele,
Que, sem se oporem,
Dançam valsa com ele.

São vales e montanhas!
O Sol apareceu para aquecer
E a Lua continua para brilhar!
A chuva se foi...
Troque a estação,
Esta música já cantei outrora.
Esta cor já pintei...

Mas,

Espere!
A vitrola a tocar
Esta composição?

Algo novo.

Vento!
Tempo - Repete o Eco.


Loretta di Fiori.




sábado, 11 de outubro de 2014

Prelúdio da Saudade

Dois mundos,
Duas vidas.
Dois corações,
Ansiando viver como um só.

Duas partes de um todo,
Separadas.
Distantes.
Embarcando em diferentes estações.

Hoje partirei para longe.
Longe dos teus olhos,
Do teu calor.
Estarei no "Hotel Califórnia, um lugar tão encantador..."
Mas sem o encanto do teu perfume misturado ao teu sorriso.

Olharei todas as noites, da sacada desse Hotel,
Para a radiante Lua.
Sei que ela estará ali para mim
E aqui para você.
Pois já sabemos:
Ela brilha para mim e para você,
Não importa em qual lugar do mundo estejamos!

Hoje,partirei com meu coração mais pesado,
Faltando um pedaço.
O que dei de presente
Para a outra metade, que estará ausente.

Fica meu adeus.
O prelúdio dessa saudade
Que parte,
Que reparte...
Junto dele, meu beijo, meu até breve,
Dito na valsa da despedida.

Enquanto dançamos,
Repouso-me em teus ombros,
Sentindo tuas mãos a me tocar
E teu coração a palpitar.

Já tocou meia-noite!
Hora de embarcar nessa estação,
Antes que a magia se perca.
Fique com essa metade do meu coração:
Dar-te-ei de presente
Para não se esquecer da gente!


Loretta di Fiori.


Só uma frase

Para chegar ao final,
Completa-se a metade.
Dentro da metade,
Existem várias metades.

Para se completar uma frase,
Escrevem-se várias palavras.
Mas, no final, 
Acaba sendo só uma frase.

Só é metade da história 
Que essa pequena frase está
Desenhando ao escrever cada verso.

Para virar passado,
Cada momento deve ser presente.
E como se fosse de presente,
Pintar o mundo dentro da gente.

É só um momento,
Diga para a eternidade!
É só uma frase,
Diga para a história!

Se para chegar ao final,
Só existissem metades,
Nunca o alcançaríamos!
Andaríamos, escreveríamos...

Talvez isso realmente aconteça.

Fins nunca se findam,
Se não temos a certeza 
De onde queremos chegar.
Afinal, não sei o fim dessa história,
Mas tenho certeza do que eu busco nela.
Por isso, vou escrever os versos mais belos,
Desenhar as mais encantadoras melodias,
E dançar.
Fechar os olhos até a noite acabar.
Pois meu dia em breve chegará.

Vou seguir.
É só um momento,
Diga para a eternidade!
É só uma frase.
Você a completa?

Loretta di Fiori.

Sonho de uma Flauta

Silenciosamente permaneceu há anos.
Envolvida em lençóis para não riscar,
Trancada para as notas não fermatarem.

Cantar um solo!
Contar histórias.
Esse era o sonho daquela flauta.

Ouvia o piano com seus dós, rés e mis.
Lia as partituras daquela orquestra.
E em silêncio
Dançava para si mesma.
Ah, glorioso dia!

Como sonha essa flauta!
E o faz todos os dias.
Dormindo e acordando,
Sorrindo e chorando!

Cada epífaro,
Parecia, por equívoco,
Convidar-lhe para uma valsa.
Notas epífaras,
Eternas.

Dias, meses:
Prosseguiam-se os dós, rés e mis.
Lembranças de um tempo que virá.

Assim, seguia o ritmo.
Imaginava seu solo,
Dançava sua valsa.
Chorava em seu íntimo.

Sonho de uma flauta.


Loretta di Fiori.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Seguindo no Trem Azul

Seguindo no Trem Azul




O Mar e a Lua





Todas as noites a Lua saia para iluminar a Terra.
Por anos permanecera assim.
O Sol cedia seu espetáculo quando adormecia.
Assim, seguia incansavelmente.

Solitária,
Embora rodeada de estrelas.
Cintilante, 
Embora não sentisse todo esse brilho.
Insistia a cada noite,
Mesmo já pensando em desistir
Desta Terra.

Algumas noites se escondia,
Para ver o que acontecia.
O mundo permanecia girando...
Porém, sem brilho, sem charme!

Lá em cima,
Passavam noites, 
Ela guiava estações,
Controlava as marés.

Até que começou a observar o Mar.
Grande, Belo!
Mas percebeu, nesta noite,
Que ele jamais lhe negava o brilho.
Mas, a cada luar,
O refletia em sua pele.
Em silêncio ele também permanecia.
Não via a hora da noite chegar
Para sentir o perfume do luar em sua pele ficar.

Embora com tanto esplendor,
Também era solitário.
Alguns o temiam.
Outros o admiravam apenas de longe.
Outros se encantavam com sua grandiosidade
E magnitude.
Mas, se dissipavam como neblina.

Então, ela lá de cima contemplava-o.
Parecia girar,
E mesmo assim,
Ele continuava lhe cedendo o brilho.

Mas o toque lhe parecera aquecer sua pele fria,
Úmida e macia.
Fora diferente.
Esboçou um sorriso
E pela Lua veio a se apaixonar.

Luz que banha cada noite,
Onda que leva o passado
E traz o presente
Beijando a praia.

Assim, a Lenda se iniciara.
O dia que o Mar sentiu em sua pele
O brilho da Lua apaixonada lá de cima.
E todas as noites faziam juntos um lindo espetáculo.

Noite de Lua cheia...
Ela muda o mundo como as ondas do Mar.
Noite sem Luar...
Ela está deixando o Mar
Brilhar sozinho!

Loretta di Fiori,

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Lua Branca

Parada por um brilho emudecendo meus olhos,
Encontrei-me inerte, imóvel, quase que inconsciente
Diante daquele brilho!

Um sorriso escondido querendo brotar...
Foi neste momento que a incerteza
Trouxe inspiração.

Aquele dia que parecera noite,
Aquela tristeza que partira desafinada
Desolada, inconsolada.
Aquele riso que surgira do nada,
Aqueles olhos que seguiram o eco brilhante
Daquele beijo com a lua.

Respirei fundo,
Quase um suspiro.
Esqueci-me do que devia lembrar...
Contemplei o que deveras estava nu
Diante dos enegrecidos olhos de outrora.

Sabores, perfumes e amores.
Sentidos...
Esquecidos!

A lua brilha lá em cima,
Parece tão feliz mesmo solitária,
Mesmo que seu espetáculo
Passe despercebido
Pelos demais olhares.
Olhares perdidos,
Cegos e mudos.
Surdos e escuros.

Mais um movimento...
Allegro.
Dançando na chuva!
Girando com o mundo.
Sentindo na pele cada gota,
Esquecendo de onde está.

Abro os olhos da mente inconsciente,
Desperto a razão.
Quanta mudança!
Passaram o quê, alguns segundos em alguns anos?

Suavemente ergo os olhos,
Lá está ela!
Radiante!
Espetacular.

Exatamente como deve ser
O que devia ser
Quando não havia nada para ser.

Lua Branca!
Aqui para mim,
Aí para você.


Loretta di Fiori.